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Nov/Dez 2019
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Em Foco

Mídias Digitais

  • deslumbramento e alienação

    Será que a tecnologia, ao invés de conectar pessoas, estaria fazendo com que elas vivam em um mundo fictício onde são ignorados valores básicos das relações humanas?
     
    Quem seria esse “ser oculto” a quem se recorre incessantemente por telefone celular – ou outros meios eletrônicos – de importância tão extraordinária a ponto de fazerem-se sublimar locais estimulantes e presenças físicas fundamentais?
     
    A verdade é que ocorre neste momento uma espécie de fascínio coletivo acerca das mídias digitais. Há algo como um torpor alienante direcionando inúmeras pessoas exclusivamente a computadores, tablets, telefones celulares, etc. Com suas redes sociais e milhões de aplicativos reluzentes e cheios de links, esses recursos capturam de maneira furtiva o foco de cada indivíduo, tornando-o alheio ao mundo real que gravita em torno de cada um. Elementos mínimos de convivência – a começar pelo olho no olho ou um simples aperto de mão – são negligenciados em prol de uma realidade virtual muitas vezes superficial, falsa e ardilosa.
     
    Mídias Digitais.

     

     
    Certa vez, disse Albert Einstein: “Eu temo o dia em que a tecnologia superar nossas relações humanas. O mundo terá uma geração de idiotas.” (...)
     
    Queremos acreditar que esta é apenas uma fase de deslumbramento dentro desse momento histórico da 3ª Revolução Industrial, que nos propõe uma notória metamorfose nas comunicações e na conectividade. Estamos passando por uma mudança de conceitos como a que acometeu as populações do final do século XVIII e início do século XIX ao depararem, estupefatas, as primeiras locomotivas e barcos a vapor. Em algum instante, porém, cada um de nós despertará desse verdadeiro estado de hibernação (no mau sentido) e voltará a interagir por meio do calor humano que sempre caracterizou a nossa espécie.
     
    PESSOAS CONECTADAS?

    E na educação, a introdução maciça desses apetrechos tecnológicos realmente faz a diferença? Acreditamos que deva existir, sim, um ponto de equilíbrio. Professores e alunos precisam servir-se desses recursos e não viverem a serviço deles. Governos tentam resolver o problema da educação com dinheiro, espaços físicos suntuosos e, sobretudo, com recursos de última geração. Anuncia-se, por exemplo, a aquisição de centenas de milhares de tablets...

    Seria este o caminho?

    Acreditamos que não. Os meios eletrônicos – que se sofisticam a cada dia –, são apenas acessórios. A educação apresentará melhoras efetivas – e é isso que alavancará o Brasil rumo ao seu destino de nação desenvolvida e igualitária – quando houver políticas educacionais de longo prazo, nunca inferiores a 25 ou 30 anos.

    E não precisa ser nada mirabolante, não!
     
    Apenas projetos que envolvamas pessoas pelas suas características mais especiais: emoção e razão. Educação se resolve com gestão – monitoramento diário daquilo que ocorre nas quatro linhas de cada sala de aula – e, acima de tudo, com professores preparados e motivados. Nenhuma rede social ou “torpedo” disparado via celular ou outros i-process superará o carisma e o toque amigo e confiável daqueles que podem ser chamados de mestres.
     
    Escrito por Prof. Ricardo Helou Doca
    Engenheiro, matemático, autor didático e professor de Física

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