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Nov/Dez 2019
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Mulher

Expectativas frustradas

  • Como o próprio nome indica, é esperar por algo (uma viagem, uma notícia, um aumento, uma promoção, uma palavra, um gesto...) e ficar decepcionado com o resultado, pois o mesmo (mesmo que tenha ocorrido) não aconteceu da maneira que idealizamos nos mínimos detalhes.

    Ou dito de outro modo: expectativa é o que acreditamos que deve acontecer como resultado do que planejamos, sonhamos, fazemos ou dizemos. E... quando as coisas não saem (exatamente) como esperávamos que ocorressem ficamos desolados.

    Todos nós temos um padrão de expectativas (geralmente alto e nem sempre baseado na realidade), por exemplo: esperamos pelo aumento que julgamos merecer, pelo reconhecimento de nossas ações, pela valorização (e reconhecimento) da família e amigos que julgamos fazer por merecer, esperamos encontrar a pessoa dos nossos sonhos e sermos felizes para sempre. Desejamos nunca sofrer, perder, ficar só, adoecer, morrer, ser julgado, rejeitado, ignorado...

    Esperamos que todos os nossos sonhos se realizem, que todos nos amem e nos aceitem como somos, esperamos ser bem sucedidos na vida, na família, na carreira... Enfim estamos sempre esperando que as coisas aconteçam do nosso modo e segundo nossas expectativas. E... como não somos o centro do mundo e a vida e as pessoas não estão aqui (apenas) para satisfazer as nossas expectativas, nos desesperamos.

    E... todos os nossos medos e traumas vêm à tona e sentimos que nada vale a pena e nos questionamos “por que comigo? Por que de novo?” Porém o certo nestas horas não é fazer papel de vítima, mas sim ser lúcido e crítico, avaliar se o que eu espero, de fato, faço por merecer, se era coerente com a realidade. Ou ainda... se questionar, “será que o outro e a vida insistem em me decepcionar ou será que sou eu que insisto em esperar da vida e das pessoas o que elas não podem me dar?”

    Será que não sou eu que estou errado e insisto em idealizar (o mundo, a vida, as pessoas...) como eu gostaria que fossem e não como são?

    Na verdade não somos capazes de realizar nem as expectativas que temos de nós mesmos. Quantas vezes nos comprometemos a mudar, a compreender, a viver, a fazer, a não sofrer com nossas expectativas frustradas e não conseguimos? Será que tenho de fato me empenhado para fazer as mudanças necessárias em minha vida, ou tenho ficado em compasso de espera, acomodado nos velhos e conhecidos padrões de comportamento? É certo que em algumas situações somos impotentes, mas continuar criando expectativas é o caminho mais certo para nos frustrar.

    O ser humano precisa de quatro condições para se sentir bem: aceitação, admiração, reconhecimento e amor. Se não temos isso sentimos um vazio enorme. Porém não podemos colocar nosso valor enquanto pessoa nas mãos de alguém e esperar que ele corresponda a todas as nossas expectativas. Então... já é hora de crescer, parar de contar com o outro e contar com você. Já é hora de aceitar o fato que não somos o centro do mundo e que não temos controle sobre nada, sobre as pessoas, sobre a vida, sobre o mundo...

    Lembrando que grande parte das nossas expectativas frustradas advém da nossa inabilidade em ponderar, mas paradoxalmente a habilidade em ponderar é desenvolvida à medida que aprendemos a lidar com nossas frustrações. Ou seja, como tudo na vida é aprender com os próprios erros e compreender que a superação dos nossos pontos frágeis é a base para o nosso crescimento emocional.

    Então... crie gatos, cachorros, até iguanas, mas por favor pare de criar expectativas.

    por Gizele Rabelo

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