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Nov/Dez 2019
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CÂNCER DE LARINGE

  • Câncer de laringe

    A laringe faz parte do aparelho respiratório e fonatório do ser humano. Encontra-se entre a base da língua e a traqueia. Formada por cartilagens, músculos e ligamentos, é responsável pela condução do ar da boca até a traqueia e desta até os pulmões e tem a função de produzir sons por meio da vibração das cordas vocais, que se localizam no interior da laringe. 

    Dividimos a laringe em três compartimentos, tendo como referência as cordas vocais. Temos então a laringe acima das cordas vocais, a laringe com as cordas vocais e a laringe abaixo das cordas vocais.

    O câncer de laringe é mais comum em homens e representa 25% dos tumores malignos da região da cabeça e pescoço. Dois terços desses tumores ocorrem nas cordas vocais verdadeiras, enquanto 1/3 acomete a região da laringe acima das cordas vocais. O tipo histológico mais comum é o carcinoma epidermoide.

    Os maiores causadores desta doença são o álcool e o cigarro. Fumantes têm 10 vezes mais chances de desenvolver câncer de laringe. Em pessoas que fumam e ingerem bebidas alcoólicas, a chance de desenvolvimento da doença é 43 vezes maior.

    Má alimentação, estresse e mau uso da voz também são prejudiciais à laringe. A alimentação deve ser rica em proteínas, associada a legumes, verduras e frutas ricas em vitaminas (em especial A, B2, C e E). Devem-se evitar alimentos muito temperados ou gordurosos e líquidos nos extremos de tempe- ratura - muito quente ou muito frio. Pacientes com câncer de laringe que continuam a fumar e a beber durante o tratamento diminuem a chance de cura e aumentam o risco de aparecimento de um segundo tumor na área de cabeça e pescoço.

    Ilustração da Laringe
    Ilustração da Laringe

    Os sintomas estão associados à localização da doença na laringe. Para as lesões acima das cordas vocais temos dor de garganta, dificuldade em engolir alimentos e sensação de “caroço” na garganta. Nas lesões nas cordas vocais é comum a presença da rouquidão inicialmente e, nos casos avançados, dor na garganta e dificuldade de ingerir alimentos. 

    O sintoma mais comum é a rouquidão persistente e progressiva - diferente da rouquidão associada ao resfriado comum ou ao esforço vocal, como é o caso dos profissionais que fazem uso da voz para trabalhar. Se não houver tratamento na fase inicial da doença a rouquidão pode evoluir para dor durante a deglutição e falta de ar. Na fase mais avançada, podem aparecer caroços no pescoço. Caso tenha rouquidão, sem motivo aparente por mais de duas semanas, procure um médico.

    O diagnóstico é realizado através da biópsia da laringe, sendo obrigatória nos casos suspeitos e antes de qualquer planejamento terapêutico, pois a laringe pode abrigar tipos diversos de lesões benignas que aparentam malignidade. A biópsia pode ser realizada com anestesia local, com uso de endoscópios ou sob anestesia geral com visualização direta da laringe. O grau de evolução da doença e suas características determinarão a escolha do tratamento. 

    O tratamento pode ser realizado através de cirurgia e/ou radioterapia, associado à quimioterapia, a depender da localização da lesão e do tamanho. Quanto mais precoce for feito o diagnóstico, maior a possibilidade de o tratamento evitar deformidades físicas e problemas psicossociais, já que a terapêutica dos cânceres da cabeça e do pescoço pode causar sequelas na fala e deglutição. A laringectomia total (retirada da laringe) implica na perda da voz fisiológica e em traqueostomia definitiva (abertura de um orifício artificial na traqueia, abaixo da laringe). Como a preservação da voz é importante na qualidade de vida do paciente, algumas vezes a radioterapia pode ser empregada em primeiro plano, deixando a cirurgia para uma possível falha terapêutica da radioterapia.

    A quimioterapia e radioterapia são utilizadas em protocolos de preservação de órgãos, criados para tumores mais avançados. Os resultados na preservação da laringe têm sido positivos para preservação da voz, como é o exemplo do ex-presidente Lula.

    É importante destacar que, mesmo os pacientes laringectomizados (retirada total da laringe) é possível a reabilitação da voz através de próteses fonatórias tráqueoesofageanas e da própria voz esofagiana.

    Luiz Gustavo Hermógenes Pereira (CRM-MG 56246) é médico cirurgião oncológico. Formado pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, é especialista em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande (MS) e cirurgião oncológico pelo Hospital de Câncer de Barretos (SP). Atende na Rua Santa Casa, 225  sala 10  CION - Passos-MG - tel.(35) 3522-6064  e  (35) 3521-9172.

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