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Janeiro/Março 2020
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A talentosa cantriz Nábia Villela

  • Ela não pensava em teatro quando foi convidada pelo diretor teatral, Gabriel Villela, a participar de um ensaio da peça “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, no final da década de 90, e para sua surpresa, saiu de lá comprometida com uma nova carreira: de atriz. Nábia Villela fez uma série de peças em ritmo estafante e esmerou-se no aproveitamento de todo seu potencial de artista, adentrando também no mundo da música. Hoje, com a experiência de muitos palcos, e com um manancial de informações surpreendentes para sua idade, tem uma visão muito otimista da arte, que julga em excelente fase. A eclética artista carmelitana está cheia de planos para 2011 e afirma: “Carmo do Rio Claro tem influência direta no meu trabalho e essa ligação é tão forte que levo tudo o que vivi na cidade mineira para os espetáculos, sejam eles musicais ou teatrais.”

    A cantriz (cantora/atriz) com o cãozinho de estimação da família, em Carmo do Rio Claro.
    A cantriz (cantora/atriz) com o cãozinho de estimação da família, em Carmo do Rio Claro.

    A melhor forma de apresentar a inquieta Nábia Villela, é dizer que só com o primo Gabriel Villela, a atriz de 32 anos, atuou em sete peças: “Morte e Vida Severina”, “A Vida é Sonho”, “Alma de Todos os Tempos”, “Os Saltimbancos”, “Gota D’Água”, “A Ponte e a Água de Piscina” e “Leonce e Lena”. O primeiro espetáculo como atriz, para a felicidade de toda a família Villela, Nábia apresentou na sua cidade natal. A pré-estreia de “Morte e Vida Severina” foi encenada no Auditório Carmelita Figueiredo Santana, em Carmo do Rio Claro/MG.

    Quem já viu a atriz nos palcos garante que a espontaneidade é sua marca registrada, além da vivacidade que impregna seus personagens, sempre muito marcantes e expressivos. Percebe-se também muito estudo de mesa e uma acuidade com a dicção que faz com que os excelentes diálogos ganhem força e repercussão. Tanta dedicação ao ofício não poderia passar despercebida por outros diretores de São Paulo e Rio Janeiro.

    Atualmente ela está atuando desde janeiro de 2011 no espetáculo “Trair e Coçar é Só Começar”, comédia de Marcos Caruso, que está em cartaz há 25 anos e vista por milhões de brasileiros. Encenada em São Paulo, no Teatro Bibi Ferreira, a peça trata de hipóteses de adultérios gerados por confusões provocadas por uma empregada de família que aproveita a desconfiança dos casais para subornar seus superiores e amigos.

    “Sigo a minha intuição e abraço vários projetos que acredito serem bacanas para as pessoas apreciarem. Mas a influência direta do meu trabalho realizado nos palcos é devido ao lugar que cresci. Carmo do Rio Claro tem essa coisa de arte exalando o tempo todo. É através do artesanato, da religiosidade das companhias de Reis, da própria Serra da Tormenta que inspira e conforta e do povo que vive lá. As pessoas que vêm de fora ficam encantadas com a riqueza da arte do município”, fala a artista.

    Como se não bastasse Nábia também fez televisão. Ela foi descoberta quando cantava num sarau de músicas e poesias no Espaço Vitrine, em São Paulo por nada menos que a esposa do Silvio Santos, Íris Abravanel. Logo depois ela aceitou o convite e passou a fazer novela no SBT. Na ‘casa’ de Silvio Santos, Nábia fez duas novelas. “Revelação”, em que fazia a personagem Maria dos Ventos e “Vende-se um Véu de Noiva”, como a Maria das Graças.

    Sua voz incomparável e sua excelente presença de palco, chamou a atenção de diretores feras do cenário nacional. Ela já trabalhou sob a batuta de Heron Coelho, Fábio Ock, Lavínia Pannuzio, Cleber Montanheiro, Paulo Ribeiro, além de ter filmado curtas infantis de Toni Domingues, como “A Sombra de Sofia”, “Gogó da Ema” e “Jardim Beleléu”, entre outros.

    O Canto de Nábia

    Versátil, Nábia é considerada hoje como uma das grandes revelações da nova geração de cantoras brasileiras.
    Versátil, Nábia é considerada hoje como uma das grandes revelações da nova geração de cantoras brasileiras.

    A artista, que chegou a cursar Direito em Alfenas e desistiu por abraçar o teatro e a música, conta que o empurrãozinho verdadeiro foi do primo Gabriel Villela. Ao tocar violão para amigos durante uma festa em Carmo do Rio Claro, ficou evidente para o diretor que a cantora tinha que expandir o talento para um público maior e foi aí que tudo começou.  (O encontro musical da cantora e sua mãe pode ser conferido no endereço eletrônico http://www.youtube.com/watch?v=SJXfLMXU96g. em “Nábia Villela e Marlene Vilela”).

    A música, aliás, é outra paixão da versátil artista mineira. No seu primeiro show – Retrato da Vida -,dirigido por Heron Coelho, Nábia interpretou canções de Chico Buarque de Holanda, Gilberto Gil, Francis Hime, Zeca Baleiro, Gonzaguinha, Adriana Calcanhoto, entre outros.

    Após o sucesso do show, cuja temporada fora prorrogada, ganhou de presente dos amigos um clip que acabou de ser finalizado. Trata-se da música de Chico César “Que Vantagem Maria Leva”. Já pronto, faltando apenas um toque final na edição. Para 2011 ela quer lançar outro show, sem ainda data marcada.

    A cantora, que tem a versatilidade como trunfo, diz se sentir plenamente realizada com o processo de criação da arte, afirmando que tudo a inspira e desinspira. Por gostar muito de coisas diferentes e ter influências de mundos bem distintos, ela sentencia: “Eu tenho uma viagem com o palco, de sentir como um lugar onde acontecem coisas que saiam um pouco, ou muito do plano da vida do dia-a-dia. Então, é um espaço onde se pode celebrar de alguma maneira as sensações, as vontades da gente. Isso para mim é teatro e acaba sendo o que faço no palco também quando canto”, encerra Nábia Villela.

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