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Atualidades

Emoções natalinas

  • Estar alegre ou triste não depende dos eventos externos, mas sim da avaliação que a pessoa faz dos mesmos.  Por isso, quando se fala em natal e reveillon, é grande o número de pessoas que se sentem melancólicas nesse período. Mas essa situação pode ser revertida com o conhecimento de si mesmo.

    Natal: sozinha ou rodeada de pessoas queridas?
    Natal: sozinha ou rodeada de pessoas queridas?

    No calendário o final do ano está muito perto. O natal está próximo, logo em seguida o reveillon. Época de oração, festas, comemorações, confraternizações, presentes, amigo oculto e, também, de um misto de sentimentos que envolvem a alegria e a melancolia. Nesse período é natural a realização de um balanço anual das atividades pessoais e, também, do planejamento do ano que logo se inicia.

    Para a psicóloga Magaly Gomes Melo, com especialidade em psicoterapia corporal neo-reichiana e terapia regressiva, essas datas são muito marcantes em nossa sociedade, pois são amplamente divulgadas como eventos felizes em que as pessoas se confraternizam, expressam seus sentimentos de solidariedade, amor e amizade. “Além disso, há toda uma movimentação em se fazer dessa época algo diferente do que ocorre no dia a dia do resto do ano. Os horários do comércio mudam, as pessoas são incentivadas a saírem mais de casa, a fazerem programas diferentes, o que torna esta época impossível de ser ignorada, ou de passar em branco na vida de qualquer um”, disse Magaly.

    O final do ano simboliza o nascimento na festa cristã, a esperança e difunde o conceito desejável que a nossa sociedade tem de família que se reúne durante as confraternizações, cujos conflitos e desavenças são superados quase que magicamente. São momentos felizes e especiais.

    Para os que não tem com quem se reunir ou enfrentaram perdas, separações ou problemas graves, esta pode não ser uma época feliz.

    Para os que vivem mais solitários, com conflitos ou distanciamento de familiares, é comum sentirem mais o peso da solidão e do abandono, muitas vezes com sentimentos de culpa, raiva, tristeza, mágoa, por estarem ou se sentirem deixados a sós. É nesse momento que muitas vezes as pessoas podem perceber mais profundamente a solidão em que vivem, fazendo contato com suas dores e desejos não realizados, sem identificarem o porquê ou os reais motivos que conduziram sua vida a estes resultados. E é este não saber que também intensifica o sofrimento, para o qual não se vê saída.

    Vários fatores estão relacionados aos sentimentos melancólicos que permeiam muitas pessoas nesse período.  No entanto, é possível reverter essa história e transformar esse balanço anual em algo positivo para a vida pessoal e familiar, pois estar alegre ou triste não depende dos eventos externos, mas sim da avaliação que fazemos dos mesmos. “Pode-se, inclusive, nesse desejável balanço anual encontrar situações que não foram tão felizes, mas que se forem encaradas como oportunidades de aprendizagem podem ajudar a pessoa a se tornar melhor para si e para os outros”, relata Magaly.

    O Natal

    Magaly Gomes Melo, especialista em psicoterapia corporal neo-reichiana e terapia regressiva.
    Magaly Gomes Melo, especialista em psicoterapia corporal neo-reichiana e terapia regressiva.

    Magaly explica que o espírito de Natal realmente deveria ser o da comemoração cristã, mas infelizmente seu sentido foi deturpado pelo consumismo. “Hoje, quando se fala do Natal sempre vem à mente das pessoas a correria, as maratonas de compras de presentes. O ter passou a ser maior que o ser. Isso não dá sentido e traz um vazio às pessoas que muitas vezes, na ânsia de se sentirem melhor buscam nas compras a solução de seus problemas”, afirmou.

    No entanto, como a euforia do momento é passageira, não preenchendo verdadeiramente as necessidades internas, logo a melancolia aparece novamente. Então o que fazer? Fazer um levantamento do que realmente é importante e dá sentido à vida, o que é imprescindível de ser vivido, para que a vida se torne plena e ter coragem de viver o que realmente propõe o Natal: renascer em si mesmo. Para isto há que se ter coragem para enfrentar-se a si próprio, abandonar velhas crenças e sentimentos de mágoa, rancor, culpa, deixar as feridas cicatrizarem e se permitir uma nova forma de ser e estar no mundo. Sentir-se ativo no processo de expressar amor, compreensão, generosidade, perdão.

    Esse processo pode não ser fácil, mas se enfrentado, pode trazer alegrias principalmente para aqueles que experimentam a repetição desses momentos melancólicos a cada ano. O resultado, com certeza, influenciará no seu meio promovendo melhores momentos entre familiares e amigos.

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    Sendo assim, esta é uma época em que geralmente as pessoas fazem uma revisão de vida e planejam seu futuro. Se valorizarem mais as perdas do que os ganhos que obtiveram na vida, a sensação de vazio, tristeza, desânimo e desinteresse pelo que está a sua volta e com o futuro pode surgir ou intensificar, aflorando sentimentos que podem passar despercebidos no cotidiano.
    Um outro fator que não pode ser desconsiderado são as experiências e aprendizagens que a pessoas tiveram a respeito dessas datas: se eram consideradas importantes em sua família, se eram comemoradas, consideradas felizes ou não, se ocorreram momentos de dor e sofrimento que foram associados a estas festas. Enfim, cada um tem a sua história e o porquê desses sentimentos de melancolia surgirem deve ser analisado considerando toda a trajetória existencial da pessoa.

    Como a época é considerada de balanço de vida, a melancolia que às vezes cerca as pessoas poderia ser decorrente de traumas ou insatisfações pessoais.

    “Nem sempre traumas, mas se estes ocorreram, podem desencadear esses sentimentos. Mas as insatisfações, com certeza, promovem esses sentimentos melancólicos. Quanto maior a dificuldade da pessoa em aceitar os acontecimentos tristes da vida ou que causem frustrações, mais intensos poderão ser seus sentimentos nessas datas”, relata Magaly.
    Solução

    Primeiro é preciso identificar de onde vem e o porquê desses sentimentos, o que nem sempre se consegue fazer sozinho, já que muitas vezes os sentimentos parecem confusos e vagos. Dependendo do quão profundo e doloroso possam representar esses momentos e do desejo de alterar essa situação, a pessoa deve procurar uma ajuda profissional qualificada que a auxilie neste processo de conscientização e superação, como os psicólogos e psiquiatras. A psicoterapia é altamente recomendada por ser um processo que, utilizando intervenções psicológicas têm como objetivo auxiliar as pessoas a lidadem de maneira mais saudável com as diversas situações de suas vidas, melhorando seus padrões de funcionamento mental e sistemas interpessoais (família, relacionamentos, etc).

    É importante estar consciente de que há solução para esses problemas emocionais que acometem muitas pessoas nesse período do ano. A superação desses limites é fundamental para que os próximos natais sejam marcados pela alegria e não pela tristeza.

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