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Paróquia do São Benedito implanta Centro de Pastoral à comunidade

  • Paróquia do São Benedito implanta Centro de Pastoral à comunidade
    O padre da Igreja São Benedito, Francisco Carlos Pereira, fala com exclusividade a Foco Magazine, da construção do “Centro de Pastoral Cônego José Timóteo da Silva”, que apesar de ainda não estar totalmente concluído, está a serviço da comunidade. “A nossa alegria não está sequer em ter esta casa como nossa. Estará em ter todos nesta casa como suas. E aqui sentir o pulsar do coração da Igreja e da cidade, com as suas associações e instituições, com os seus projetos e eventos, encontros e celebrações.”

     

    Fachada do Centro de Pastoral Cônego José Timóteo da Silva construído na Rua Joaquim Piantino, 150.
    Fachada do Centro de Pastoral Cônego José Timóteo da Silva construído na Rua Joaquim Piantino, 150.

    FOCO: A Paróquia São Benedito construiu um “Centro de Pastoral”. Este centro tem nome?

    PE. CARLINHOS: Se chama “Centro de Pastoral Cônego José Timóteo da Silva”. O cônego foi um padre que deu a vida por essa comunidade. Durante muitos anos se dedicou, com amor total, exclusivo e até o fim, à Paróquia de São Benedito. Faleceu em 21 de novembro de 1981. A comunidade foi a grande construtora desta obra. Eu apenas coordeno os trabalhos, motivo, conscientizo a necessidade de todos se envolverem. A gente não constrói nada. Não gostaria que a pessoa mais importante no alcance desta obra fosse eu, mas sim todos os que se doaram para que ela fosse viabilizada.

    FOCO: Como surgiu a ideia deste projeto?

    PE. CARLINHOS: A ideia surgiu da necessidade em se ter um espaço que propiciasse uma melhor evangelização às pessoas. A paróquia carecia de um espaço assim. A demanda de reuniões, encontros, formações e ações humanitárias era muito grande. Precisava agendar reuniões, muitas vezes não se fazia, ou adiava por falta de espaço. Um grupo tinha que ficar esperando uma reunião terminar para depois fazer a sua. O projeto nasceu daí. Em seguida, surgiu a excelente localização do terreno e veio a necessidade de comprá-lo. Isso tudo quando o pároco era o Elizeu aqui no São Benedito. No ano de 1998, a comunidade se mobilizou, organizou um show com o Rio Negro e Solimões, no qual conseguiu praticamente o montante para a compra do terreno.

    FOCO: Por que e para que o Centro foi construído? Qual o objetivo principal desta obra?

    PE. CARLINHOS: O Centro está a serviço da comunidade, de suas pastorais e movimentos. Foi construído com o propósito de dar novo dinamismo às ações evangelizadoras das comunidades que compõem a Paróquia São Benedito. Pretende ser um espaço para desenvolver, organizar ações sociais que promovam o pobre: oficinas de trabalhos manuais, culturais, aulas de reforço escolar, aulas de violão, de informática. Não estará a serviço somente da Paróquia São Benedito, mas de toda a Igreja e de outras entidades também. Oxalá ele possa ser um centro irradiador de ações positivas, humanizantes, de valores ligados ao Evangelho.

    FOCO: Quando foi iniciada a construção da obra?

    PE. CARLINHOS: Eu cheguei à Paróquia São Benedito em 25 de março de 2003. Na ocasião, o Pe. Elizeu foi transferido para a cidade de São Sebastião do Paraíso. Na época, já havia um caixa destinado ao início desta obra. A comunidade havia organizado uma quermesse e solicitado doações em toda cidade por ocasião do jubileu de ouro de criação da paróquia. Até o ano de 2005 fomos, equipe administrativa e eu, fazendo uma reserva financeira e promovendo outras ações para arrecadarmos fundos. Em 18 de junho de 2005 procedemos à benção e lançamento da pedra fundamental do nosso futuro Centro de Pastoral e deu-se o início às obras.

    Missa de inauguração concelebrada pelo Bispo Dom José Lanza, Pe. Carlinhos e Pe. Claudionor Barros
    Missa de inauguração concelebrada pelo Bispo Dom José Lanza, Pe. Carlinhos e Pe. Claudionor Barros

    FOCO: Os fiéis tiveram papel importante nesta empreitada?

    PE. CARLINHOS: A participação da comunidade numa obra de tal envergadura sempre é de extremo valor. Anima-nos a trabalhar quando a comunidade caminha junto. Sempre disse que a obra é para a comunidade e por ser da comunidade é minha também. Não vou levá-la comigo quando for para outra comunidade. Fui ordenado padre para servir a Igreja. Então, tudo o que fiz, fiz em função do meu ministério. Esta é a minha vocação: servir e amar o povo que me é confiado. E digo a todos quando me perguntam sobre a obra, da grandeza e generosidade da comunidade. Nunca me faltou quando foi chamada a contribuir com o dízimo, quermesses, campanhas dos carnês, promoções (feijoadas, campanhas de missas), arraiás da capoeira, rifas, leilões de bezerros, doações espontâneas, entre outras ações.

    FOCO: Qual o tamanho desta obra? Onde fica situada? Quantas pessoas vão trabalhar lá?

    PE. CARLINHOS: O Centro está localizado à Rua Joaquim Piantino, nº 150. Tem dois pavimentos com 2.500 m2 de área construída. Concluímos apenas o primeiro pavimento, com acabamento total. O segundo está no contra piso, com as paredes prontas para receberem a pintura, redes hidráulica e elétrica, que estão bem adiantadas. Não vamos retomar a obra do outro pavimento agora. Desde o início fazia parte dos nossos planos entregar o primeiro pavimento e posteriormente, trabalhar para acabar o segundo. O tamanho da obra foi decidido em reuniões com as pastorais, equipe econômica, consulta à Diocese. Nada do que está construído foi imposição minha ou só da minha vontade. Confesso que pensava numa obra menor, sim. Mas fui convencido ao contrário. Do tamanho dela podemos medir a disposição, a vontade desta comunidade em promover o Evangelho, uma cultura de vida, de encontros alegres e fraternos.

    FOCO: O que será orientado no Centro? A Paróquia São Benedito já tinha um? Todas as paróquias devem ter seu Centro?

    PE. CARLINHOS: O Centro acolherá as atividades da Igreja: catequese infantil, com adolescentes, jovens, adultos. Reuniões semanais, encontros dos grupos de jovens, casais, atividades que envolvam a família, a terceira idade, ações sociais. Atividades não só voltadas e promovidas pela Igreja. Lógico que as atividades das comunidades, pastorais e movimentos terão prioridade na agenda. Antes a paróquia realizava seus encontros e reuniões na antiga casa paroquial que o cônego morou. É uma casa com 4 quartos que viraram salas de reuniões, onde cabiam poucas pessoas e um salão para 120 fiéis. Toda comunidade precisa de espaço para acolher e promover ações e encontros que evangelizam. Não precisa ser necessariamente um Centro de Pastoral.

    Fui ordenado padre para servir a Igreja. Então, tudo o que fiz, fiz em função do meu ministério. Esta é a minha vocação: servir e amar o povo que me é confiado.
    Fui ordenado padre para servir a Igreja. Então, tudo o que fiz, fiz em função do meu ministério. Esta é a minha vocação: servir e amar o povo que me é confiado.

    FOCO: Os recursos para esse projeto vêm exclusivamente da comunidade? Ele ficou orçado em quanto?

    PE. CARLINHOS: Os recursos vieram de toda a comunidade, de pessoas do município de Passos que não pertencem à Paróquia e até mesmo de pessoas que nem moram aqui. Quanto ao orçamento das obras até agora, não fechamos a contabilidade final. Mas posso afirmar que a obra totalmente acabada, com os dois pavimentos prontos, foi orçada em R$ 1.300.000,00. Muitos poderão achar que é dinheiro demais, que seria melhor se fosse usado para outras atividades para os pobres. Fazemos isso todos os meses. Os que dizem isso pensam que as coisas da Igreja podem ser de qualquer jeito, sem infraestrutura alguma. Para se promover a cultura da vida, do amor, para se promover o Evangelho, precisamos de espaço, o espaço do coração das pessoas. Pode ser por uma pequena brecha, mas quando o Evangelho entra de verdade na vida de alguém, ele é transformado pela Graça correspondida.

    FOCO: O Sr. é de qual cidade? Desde quando mora em Passos?

    PE. CARLINHOS: Sou filho de Divisa Nova – MG. Tenho 41 anos e estou em Passos desde 2003. Há treze anos sou padre. E cidadão passense desde maio de 2007.

    FOCO: O Sr. acredita que existe uma idade certa para evangelizar as pessoas e que esse processo acontece melhor na infância ou qualquer época é época para serem evangelizadas?

    PE. CARLINHOS: A idade melhor para evangelizar uma pessoa é, já, desde a sua existência, ainda no ventre materno. A Pastoral da Criança faz assim. A família precisa não só educar para a convivência, mas olhar quando educa. Precisa educar na fé urgentemente. A família há muito tempo está delegando sua missão de cuidar dos filhos para outros. A Igreja, a escola, o Estado auxiliam, subsidiam, mas não substituem a tarefa irrenunciável de educar, que é da família. A evangelização, a catequese, é um processo para a vida toda. Hoje é crescente e urgente uma Catequese adulta com adultos levando a eles a novidade do Evangelho ou ajudando-os a redescobrir a beleza do que receberam na infância ou adolescência.

    A comunidade reunida para a bênção.
    A comunidade reunida para a bênção.

    FOCO: Como o Sr. enxerga a Religião Católica hoje no Brasil? E em Passos?

    PE. CARLINHOS: A Igreja Católica será sempre incompreendida porque ela não deixará de anunciar a vida do Evangelho e denunciar tudo o que estiver contrário a ele. Foi para isto que Jesus a constituiu: para anunciar e denunciar, “oportuna e inoportunamente”, conforme o Apóstolo Paulo. A voz da Igreja sempre incomoda, pois ela prega a verdade e a libertação da pessoa. Por isso, há segmentos na sociedade que querem calar a voz da Igreja. A Religião, para muitos sociólogos iria desaparecer. Mas está cada vez mais provado que o coração humano busca Deus, e isso é Religião: religar a divindade. As crises sempre existiram, existirão e passarão.  Permanecerão na Igreja os fortes, os adultos e os maduros na fé, que procuram Deus e não um ser humano perfeito, impecável. Em Passos, todos nós padres que trabalhamos aqui, temos uma vida pastoral e de atendimento muito intensa. As pessoas nos procuram e isso, particularmente, me deixa muito feliz, pois é sinal que confiam em nós, no ministério que desempenhamos.

    FOCO: Que mensagem deixaria aos católicos passenses em relação ao Centro de Pastoral Cônego José Timóteo da Silva?

    PE. CARLINHOS: Uso da experiência de Maria, de quem São Benedito foi muito devoto. Quando Maria na Anunciação, recebendo a notícia que fora escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador, toda cheia da Graça de Deus, ela deu glórias a Deus por suas maravilhas. É assim que me sinto: agradecido a Deus por Ele ter sensibilizado, tocado o coração de tantos fiéis colaboradores, o que nos possibilitou construir o nosso Centro de Pastoral. Uma gratidão imensa a todos os nossos colaboradores por ajudarem a evangelizar quando fizeram suas doações. Meu carinho, dedicação à comunidade São Benedito pelo amor que ela me devota, me sinto sinceramente amado por Deus. Espero sempre servi-la e caminharmos juntos com os irmãos. A todos os passenses, a todas as famílias, os votos de Feliz Natal, na graça e amor de Deus que se revelam na doçura, mansidão e força de um Menino que nos foi dado como Salvador prometido.

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