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Nov/Dez 2019
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Mulher

Auto-sabotagem

  • Que jogue a primeira pedra, quem não tiver uma boa história para contar sobre auto-sabotagem. Porém só somos capazes de falar delas depois de muito tempo, quando estamos livres desse ciclo repetitivo. Quem de nós, em algumas situações de trabalho, carreira, vida pessoal ou amorosa, lá no meio da história, de repente se surpreende falando: de novo. E lá estamos nós a cair sempre nos mesmos “buracos”, nas mesmas “ratoeiras”.

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    Infelizmente, muitas das vezes estamos prontos a dar uma rasteira (em nós mesmos) e por a perder aquilo que conseguimos com tanto esforço.

    Caímos na auto-sabotagem porque simplesmente não reconhecemos, antecipadamente, quando ela se manifesta diante de nossos olhos. Se muda um pouco o cenário, se os personagens já não são os mesmos, é fatal: esquecemos como foi da última vez e…estatelamos, novamente, no chão. Só vamos nos dar conta do nosso erro, quando já é tarde demais.

    A boa notícia é que podemos tentar identificar em nós mesmos o que nos empurra nessa direção. Para começar,  é fundamental saber que temos um time interno que joga contra nós. Não temos só que nos preocupar com os rivais externos, mas, principalmente com esse time interno solapador que todos carregamos em alguma área da vida.

    A sabotagem a si mesmo é um sério problema, não só em nosso universo pessoal, mas também, é claro, na vida profissional. Nela, espera-se que as pessoas tenham sempre sucesso e realizem bem concretamente os objetivos a que se propõe.

    Há uma gama enorme de emoções negativas associadas ao auto boicote. A culpa, por exemplo, vem em primeiro lugar, quase sempre de mãos dadas com o medo. Geralmente a culpa nasce por se romper uma crença infantil. É preciso se deter sobre isso, ver se realmente tem sentido. O medo também pode vir sozinho: grandes expectativas, por exemplo, podem gerar pânico. Se ele não for bem administrado, pode se tornar paralisante. Também tem o medo de perder lá na frente o que se conseguiu até esse momento ou de não levar adiante a realização com o mesmo sucesso. Enfim, que a história toda não dê certo no final. Daí acabamos por dar um empurrãozinho para, desde já, não dar certo. Fazemos isto porque queremos afirmar nossas crenças e desejos, e inconscientemente boicotamos a vida que tememos, seja porque começamos a nos sentir felizes e satisfeitos e em nossas crenças não nos julgamos merecedores.

    Foi em 1916, Freud assina um artigo com um título instigante: “os que fracassam ao triunfar”, ou seja, a pessoa sofre e morre de medo quando a existência traz satisfação e fica feliz da vida quando não dá certo, pois, tem dificuldade de usufruir plenamente a satisfação do desejo, e serem felizes.

    Temos que descobrir o que está por trás da auto-sabotagem identificando culpas, medos, raivas e até mesmo lembranças de registros negativos da infância. Quando nos auto-conhecemos o ciclo da auto-sabotagem se rompe, pois, você passa a ser capaz de reconhecer que ele existia e que ele te fazia sofrer. E não se esqueça: o mais difícil é você vencer a si mesmo.

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