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Janeiro/Março 2020
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Eleições 2014

Respostas do candidato a Deputado Federal Rodrigo Pacheco

  • Rodrigo Pacheco

     

    Foco – Na opinião de muitos especialistas ligados ao meio político, o Congresso Nacional vem deixando de lado a função de legislar. Esse espaço tem sido ocupado nos últimos anos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O senhor concorda com essa tese? E na sua opinião, por que os deputados vem abrindo mão dessa função?

    Rodrigo Pacheco – Em primeiro lugar, é muito importante ressaltar que o Brasil passa hoje por um processo de judicialização, ou seja, de achar que tudo se resolve no Poder Judiciário. E isso é um grande engano. A Justiça está sobrecarregada. Transferir para a seara judicial todas as questões do país é o reconhecimento da incompetência e descrédito dos outros poderes. A inversão de papéis demonstra o descrédito da sociedade com a classe política.

    Foco – Dentre as várias atribuições de um Deputado Federal está a criação de emendas para o Orçamento da União. Como Passos é um Polo Regional, pela sua visão, quais as principais áreas que poderiam ser beneficiadas com essas emendas?

    Rodrigo Pacheco – As emendas para o Orçamento da União são realmente uma arma muito importante para os parlamentares, e por isso é tão fundamental para uma região eleger um representante. Tenho minha lista de prioridades, não só de Passos, mas de toda a nossa região. Na área de saúde, por exemplo, acho fundamental dotar de mais recursos a Santa Casa e o Hospital do Câncer, além do Otto Krakauer. Em termos de mobilidade e infraestrutura, acredito que a construção do trevo da Arlindo Figueiredo e a pavimentação da BR-146, no trecho entre Passos e Bom Jesus da Penha, estão no topo da lista de prioridades. Além disso, é muito importante apoiar o pequeno e microempreendedor e o produtor rural. Não podemos deixar de investir nos segmentos que são a vocação de nosso povo. Outra questão fundamental é o investimento nas escolas e entidades socioeducativas. Educação é base de tudo.

    Foco – Passos está se transformando em um Polo Regional de Educação, principalmente com a estadualização da FESP e pela existência do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas. O senhor acredita na possibilidade do campus local do IFSULDEMINAS vir a oferecer cursos de graduação, e até a se transformar em Universidade Federal?

    Rodrigo Pacheco – Investimento em educação deve ser prioridade em todos os níveis. A instalação do IFSULDEMINAS é um passo importante no projeto de melhoria da qualificação técnica. Outros cursos de graduação serão consequência de uma soma de demanda de mercado e vontade política, e isso nós temos de sobra. 

    Foco – A Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Regional do Câncer vêm atendendo um número cada vez maior de pacientes ao longo dos anos, o que leva à necessidade da ampliação na estrutura física e a busca por recursos para manter essa demanda. O que pode ser feito na esfera federal para dar mais suporte ao trabalho dos hospitais e instituições de saúde da região?

    Rodrigo Pacheco – Como já disse antes, a Santa Casa e o Hospital do Câncer podem e devem receber auxílio das emendas parlamentares. Mas essas emendas são destinadas a melhorias pontuais. O ideal é que essas unidades de saúde, tenham um financiamento público maior. Por isso sou defensor do programa Saúde Mais 10, uma iniciativa do Conselho Nacional de Saúde que prevê o repasse obrigatório de 10% das receitas correntes brutas da união. Isso significaria um aumento substancial nos repasses da área, algo na casa dos R$ 30 bilhões por ano. Dinheiro a União tem. Basta vontade e prestígio político em Brasília. Para isso é que precisamos de um deputado eleito por um partido representativo.

    Foco – O Lago de Furnas, principal referência do turismo regional, tem passado por dificuldades em períodos de estiagem para manter a capacidade mínima de seu reservatório, o que tem preocupado tanto prefeitos como a população das cidades ao entorno do lago. O senhor pretende olhar para essa questão em seu mandato?

    Rodrigo Pacheco – Essa lamentável realidade atual afeta o turismo, a agricultura, a piscicultura e a saúde pública da nossa região. O baixo nível atual é uma soma de períodos de estiagem mais longos do que estamos acostumados com uma demanda maior por energia no sistema elétrico nacional. Isso nos remete a um vilão menos visível: a questão ambiental. Acho pouco provável que o nível de consumo de energia caia nos próximos meses, e podemos até rezar por chuvas mais intensas nesta estação, mas isso é muito pouco. Uma medida é incentivar o reflorestamento das matas ciliares nos topos dos morros, dentro de uma lógica de longo prazo. Centenas de pesquisas indicam que a natureza é capaz de repor os níveis de córregos e rios em 20 anos. Parece muito tempo, mas se tivéssemos começado antes, hoje não estaríamos nessa situação.

    Foco – Uma obra que ficou inacabada por muitos anos é a BR-146, no trecho entre Passos e Bom Jesus da Penha. O que o senhor acredita que falta para a conclusão dessa estrada e qual a importância dela no contexto regional?

    Rodrigo Pacheco – Muitos políticos da região já prometeram tirar essa obra do papel. É uma conversa que a gente escuta ano após ano. É uma via de grande importância para a região, pois se trata de um trecho de escoamento de produção e com grande fluxo de pessoas. Certamente, a obra estará entre as prioridades do trabalho do meu mandato. Porém, não vou repetir o que outros políticos já fizeram. O povo está cansado de oba-oba. Comigo vai ser primeiro a verba, depois o verbo.

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