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Comunidade

APAE 43 anos de conquistas e desafios

  • Em agosto, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Passos fez aniversário com muitas conquistas a serem elencadas e uma relação de dificuldades ainda enfrentadas diariamente para garantir que crianças, jovens, adultos e idosos com deficiência intelectual e múltipla tenham, de fato, direito à cidadania. A Apae atende hoje 510 alunos matriculados de Passos além de cidades vizinhas como: Fortaleza de Minas, São José da Barra, Furnas, São João Batista do Glória, Bom Jesus da Penha e Delfinópolis.

    APAE

    A APAE tem centrado suas atividades em três pilares básicos: ações de garantia de direitos a pessoas com deficiência, ações de apoio à família da pessoa com deficiência e ações de atendimento à pessoa com deficiência. Segundo o presidente da Associação, Maurício Lemos Calixto, esses três pilares são levados a sério por todos os 90 funcionários que hoje a Apae de Passos contabiliza.

    “Nosso principal objetivo sempre foi oferecer às pessoas com deficiência, um atendimento especializado em condições adequadas para o desenvolvimento do seu potencial, proporcionando sua inclusão no meio social. Atendemos hoje um universo diversificado de deficiências (mental, física, auditiva, visual, autismo, deficiência múltipla, etc)”, explica Maurício, dizendo que, em cada subgrupo existem graus diferenciados de comprometimento, de potenciais residuais, assim como existem aspectos clínicos e educacionais específicos a cada subgrupo.

    Foto 1: Membros da Apae em 1977. Foto 2: Apae no antigo endereço em 1977.
    Foto 1: Membros da Apae em 1977. / Foto 2: Apae no antigo endereço em 1977.

     

    Quando a Apae de Passos foi fundada, em 24 de agosto de 1971, os trabalhos eram bastante difíceis. Os problemas aconteciam porque não havia na cidade, técnicos em qualquer área: professores, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros. Esta lacuna foi preenchida mais tarde com profissionais capacitados que atendem com dedicação e muita atenção à pessoa com necessidade especial.

    Hoje a Apae orgulha-se em oferecer uma série de atividades ao necessitado excepcional. Os alunos são acompanhados por: psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros, fonoaudiólogos, dentistas, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, assistentes sociais e ainda nutricionistas.

    Praticam equoterapia, oficinas protegidas, hidroterapia, estimulação precoce, horticultura, artes, natação, libras, fanfarra e oficina de sorvete. Estão inseridos no Núcleo Profissionalizante, aprendem informática, têm sala de recursos, transporte gratuito, supervisão pedagógica e uma equipe administrativa capacitada. A Apae oferece também o Clube das Mães, um serviço de orientações e conhecimentos prestado às mães dos deficientes mentais e múltiplos.

    Dificuldades e conquistas

    No decorrer destes 43 anos, a Apae teve diversas conquistas e muito o que comemorar, mas as dificuldades ainda perduram, sobretudo, no quesito financeiro, já que é uma entidade civil, filantrópica, sem fins lucrativos e que se mantem com a ajuda da Prefeitura, do Estado e dos pais e amigos da Associação.

    O presidente da entidade enumera alguns momentos marcantes nestes 43 anos de estrada da Apae: o primeiro foi a aquisição de um veículo doado por uma instituição católica alemã (o primeiro veículo da Apae – em meados da década de 70). Outro destaque foi a fábrica de tênis construída pela Associação. A entidade tinha o próprio maquinário, sendo capaz de fabricar 1.000 pares de tênis/dia, onde infelizmente não chegou-se a este número. (Infelizmente, um projeto que não existe mais).

    Fachada da Apae 2014.

    A sede própria (concluída em 1985) também foi outro momento importante para a Apae. Antes a entidade funcionava na rua Cel. Neca Medeiros com a rua Barão de Passos. A equipe lembra com saudosismo também das famosas “Feiras da Bondade” que ocorriam no Parque de Exposições e que davam bastante lucro à instituição. Um grande empresário da época trazia artistas nacionais e toda a renda da portaria era repassada à Apae. Além dos artistas, faziam sucesso as barracas (colônias) de cada nacionalidade: italiana, francesa, espanhola, árabe, portuguesa, entre outras.

    Outro grande feito realizado pela Apae foi a implantação do Telemarketing em sua sede. É através deste serviço que a população ajuda a entidade, doando a quantidade que quiser e puder. Hoje a Apae tem cerca de 2.500 colaboradores, um número pequeno se comparado ao número de habitantes, 110 mil. A equoterapia é outra conquista para a Apae, assim como a construção recente de uma quadra coberta para os alunos.

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    “Nosso maior desafio hoje é manter e aumentar o número de atividades técnicas que a Apae já proporciona aos nossos alunos. Diariamente chegam várias pessoas e nossa entidade está ficando pequena, por isso passamos por problemas financeiros. Essa contribuição por parte de algumas pessoas da nossa cidade é essencial para darmos sequência em nossos projetos”, ressalta o presidente da Apae, Maurício Lemos.

    Família também participa

    A assistente social, Ana Lúcia Magalhães Silveira, esclarece que o trabalho da Apae não fica restrito apenas ao aluno, mas também à família, por isso, todo o cuidado e a atenção têm que ser redobrados. “Nossa luta diária consiste em não deixar o aluno faltar da Apae, porque o trabalho desenvolvido aqui é essencialmente importante para a vida dele. Todos os benefícios da área social são repassados ao aluno, no entanto, a frequência é muito importante”, diz a assistente social.

    Outro fator interessante é a orientação aos pais dos alunos. Todos eles têm acompanhamento com psicólogos e participam de oficinas direcionadas à convivência com um deficiente. “É um trabalho muito grande que tem trazido resultados incrivelmente satisfatórios para todos os envolvidos”, explica Ana Lúcia.

    A diretora da Apae, Maria Aparecida de Carvalho, fala que a Associação só está de pé graças a algumas pessoas que acreditaram, lutaram e seguraram a bandeira firmemente diante de tantas adversidades que foram aparecendo no caminho. Ela lembra que a Apae não é só uma instituição mas uma escola que atende vários tipos de necessidades especiais.

    “Nossa escola é toda equipada e contamos com os melhores profissionais do mercado, o trabalho não poderia ser outro, senão exemplar. Na minha opinião, a maior luta hoje aqui dentro é, além de vencer nossos sérios problemas financeiros, vencer o preconceito contra o deficiente que ainda existe na nossa sociedade”, concluiu Maria Aparecida.

    Qualquer pessoa pode, se quiser, colaborar com a Apae. O primeiro passo é cadastrar-se como voluntário e ser mensalista (doando a quantia desejada através de depósito em conta corrente, carnê de pagamento ou o mais prático, débito autorizado em conta corrente) ou ainda adquirindo produtos confeccionados pelos alunos da Associação.

    Contribuindo, a pessoa estará ajudando a Apae a dar continuidade aos projetos desenvolvidos, como: possibilitar a socialização e integração dos frequentadores dentro e fora do espaço físico, oficinas artesanais onde são confeccionados dezenas de objetos para venda (tapetes, bonecas, bijuterias, telhas decoradas, telas, caixas, papel reciclado), fabricação de picolés e sorvetes, além de muitos outros.

    Graciela Nasr

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