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Nov/Dez 2019
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Mulher

Os Sonhos

  • Para os antigos, os sonhos estavam relacionados ao mundo dos seres sobre-humanos e constituíam revelações dos deuses ou demônio e tinham, via de regra, a finalidade de predizer o futuro.

    Para Aristóteles os sonhos ampliam pequenos estímulos que surgem dentro do sono, podendo revelar sintomas de alterações psicológica ou física. Para ele os sonhos não eram externos ao sonhador (enviados por uma entidade), mas sim fruto da mente e do corpo do próprio sonhador.

    Platão considerava que os melhores homens eram aqueles que apenas sonhavam o que os outros faziam acordado.

    A Bíblia está repleta de histórias de profecias, mostrando que Deus pode falar aos homens através dos sonhos. No velho testamento temos o sonho de José do Egito, o sonho do Faraó, o sonho de Nabucodonosor, o sonho de Maria com o anjo Gabriel. Para os católicos o Papa, que é o representante de Deus na terra, pode ser inspirado por Deus para interpretar profecias.

    Com o avanço das ciências, o sonho passa a ser visto como lixo do pensamento. Freud discorda dessa abordagem e vê os sonhos como um instrumento revelador da personalidade. Segundo ele “a essência do sonho é um desejo infantil reprimido, resgatamos através dos sonhos experiências vividas nos últimos dias, mas também impressões primitivas da nossa infância”.

    Independente da abordagem, o sonho é uma defesa do sono, é uma oportunidade para sairmos de nós mesmos, das nossas gaiolas e até mesmo uma oportunidade para reviver coisas e situações. Mudamos de identidade, de idade, de época... as situações não são as mesmas, há uma inversão lúdica da realidade e mesmo assim tudo é tão real, intenso... que acreditamos de fato estar vivendo aquilo. Porém... ao acordar muita das vezes lembramos a sensação dos sonhos, mas não conseguimos lembrar mais do que aconteceu.

    Os sonhos dramatizam, exageram, deformam... ideias e sentimentos, tudo é denso, confuso... porém, jamais ingênuo ou inocente. Os sonhos misturam experiências significativas recentes com remotas, vontade e medo, ambição e frustração, sucessos e fracassos... Na verdade tenho para mim que os sonhos são, de certa forma, excreções dos pensamentos e traumas que foram sufocados na origem. O homem privado de dormir e sonhar ficaria transtornado (“intoxicado”), pois os sonhos servem de válvulas de escape para o cérebro sobrecarregado por informações e vivências diárias.

    Os sonhos são tão úteis à nossa sanidade mental que alguns pesquisadores questionam: “Sonhamos porque dormimos ou dormimos para sonhar?” Os budistas afirmam que: “Nossa vida do nascimento à morte é um longo sonho, cada sonho que temos à noite constitui um sonho dentro do sonho. Somos sonhadores e tanto a vida quanto o sonho são uma ilusão, pois tudo é impermanência.”

    Bom, já que o sonho é tão importante e pode revelar tanto de nós, temos que estar atentos ao que sonhamos, fazer anotações logo que acordamos, analisar os elementos do sonho e observar a semelhança ou diferença da situação que estamos vivendo, estabelecer conexões, paralelos. Na verdade os sonhos podem ser um instrumento precioso para o nosso autoconhecimento.

    por Gizele Rabelo

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