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Obrigado, Ezequias!

  • Ezequias recebendo homenagem em Belo Horizonte.
    Ezequias recebendo homenagem em Belo Horizonte.

    Obrigado, Ezequias!

    A Foco faz uma homenagem a um dos maiores nomes da história da cultura de Passos, um ícone do teatro mineiro, reconhecido nacionalmente. O ator Ezequias Marques nos deixou em novembro, mas seu nome ficará eternizado na memória de todos que o conheceram ou tiveram a oportunidade de compartilhar momentos, experiências e exemplos desse mestre das artes cênicas.

    Ezequias integrou as iniciativas e os elencos dos primeiros grupos de teatro de Passos, e como forma de homenageá-lo, ouvimos a opinião de diversos nomes do teatro e da cultura local, que destacam, por experiência ou conhecimento, o grande legado desse ator, que buscou inicialmente no circo o caminho para ingressar no mundo da arte.

    Ezequias em cartaz no teatro, sua grande paixão.
    Ezequias em cartaz no teatro, sua grande paixão.

    Um pouco sobre a história de Ezequias Marques

    Nascido em Passos, no mês de março de 1922, Ezequias Marques fez carreira principalmente, no teatro e no cinema. Os primeiros trabalhos foram no Rio de Janeiro na década de 50 e depois em Belo Horizonte.

    Na capital fluminense, na década de 50, encenou “A Marquesa de Santos” e o “Trio da Califórnia”. Ganhou em 1957 o prêmio de ator revelação da Associação Brasileira dos Críticos Teatrais do RJ e participou da Companhia de Teatro de Dulcina de Moraes.

    A partir dos anos 70 em Belo Horizonte participou de peças como “Baal” Bertolt Brecht, “Mumu a vaca metafísica”, “O bravo soldado Schweik” e a “A secreta obscenidade de cada dia” – onde representando Freud, ganhou o prêmio de melhor ator.

    Entre os filmes que Ezequias atuou no cinema estão “Bang-Bang” – de Andrea Antonaci – “A Dança dos Bonecos” e o “Menino Maluquinho”, de Helvécio Ratton. Nos anos 2000 foi homenageado pelo filho Alexandre Pimenta com o livro e o filme bibliográficos “Isto é teatro.”

    Arlete

    “Apaixonada pelo teatro, cresci ouvindo falar da arte de nosso conterrâneo, Ezequias Marques nos palcos brasileiros. Já, então, me tornei encantada pela trajetória dele. Há uns seis anos, o entrevistei para uma matéria aqui da Foco, quando então, confirmei o talento desse nosso ator multimídia, que fez trabalho no rádio, na TV, no teatro, no cinema e no circo. Durante a entrevista, embora já fragilizado, percebi aquele brilho no olhar, tão intenso e carregado de sentimentos, próprio de quem habita a arte. Foi uma emoção rara que guardo até hoje. Na ocasião, ganhei dele de presente o livro e o filme biográficos, “Isso é teatro”, produzidos pelo filho Alexandre. Aí, senti que era preciso multiplicar tantas experiências fantásticas de nosso ator. Levei o filme e o livro aos meus alunos de jornalismo que também se encantaram com a obra . Então, o que posso dizer, é que a vida de Ezequias deve ser vista como patrimônio cultural e artístico de nossa Passos. Assim, seria imprescindível que todos nós, em algum momento, mergulhássemos em sua obra, pois ela tem muitas riquezas a nos deixar cravadas no espírito e no coração.”

    Arlete Porto Soares: jornalista, professora e escritora.

    Caju

    Ezequias Marques

    Quando eu era criança, resolvi que queria fugir com o circo para viver todas as emoções de uma vida! Queria ser um Ezequias! Um artista, um sonhador! Ser Ezequias é poder viver em todos os mundos! Hoje ele já está lá no nosso mundo imaginário, cantando, contando histórias... Ele fugiu com o circo, foi brilhar no picadeiro dos deuses. Ezequias foi ser o que sempre foi na vida... uma Estrela.

    Carlos Jorge Ribeiro (Caju Ribeiro): ator e diretor de teatro.

    Chiquinho Negrão

     

     

     

     

    “Ezequias Marques é um nome que ouvia desde menino, quando comecei a fazer teatro. Depois tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, atuando!... Foi fantástico vê-lo em cena. Quando isso aconteceu, emocionei-me por estar diante de um grande ícone do nosso teatro, com reconhecimento não só em Minas, mas no Brasil. Ezequias era de uma eloquência fora do comum. Nós, do meio teatral, sempre o tivemos em um alto conceito. Todos sabemos de sua importância, seu talento e sua projeção no cenário das Artes Cênicas. Que DEUS o tenha.”

    Chiquinho Negrão: ator, diretor teatral, professor, e colunista da Foco.

    Euripedes

     

     

     

     

     

    “É uma honra ter convivido e ter sido amigo próximo de Ezequias Marques. O Ezequias era um artista completo, que sempre nos deu ideias e participou de grandes momentos da nossa cultura. O Ezequias na dança se destacava com o sapateado, nos casamentos em que ele cantava a gente até se esquecia da noiva, porque todos ficavam encantados ouvindo a voz dele, era emocionante! O Monsenhor Mathias sempre falava “Que beleza, que beleza! ”As poesias que ele declamava era como se fossem peças teatrais, ele exalava cultura, boa interpretação! Ezequias nos ajudou no CIC e no Colégio Estadual a montar esquetes teatrais na década de 1970, e teve um papel importante na construção do Teatro Rotary, junto com o Dr. Márcio Maia e outros nomes da nossa cultura, que se envolveram na causa. O Ezequias ainda precisa ser devidamente reconhecido em Passos e ter seu nome estampado em alguma obra.”

    Euripedes Gaspar de Almeida: professor, é presidente da APDF (Associação Passense em defesa do Folclore).

    Gilda

    “O nome Ezequias Marques me lembra tantas coisas... talento, sensibilidade, luzes, plateia e prêmios, mas principalmente ousadia. Ele deixou a cidade para ser ator, rompendo com laços familiares muito fortes. Imagino seus conflitos e temores, mas ele foi adiante, provando que é preciso coragem para alcançar o sonho, aplausos!” 

    Gilda Maria Parenti: É professora aposentada e integrante do grupo teatral “Vastafala”

    Grilo

     

     

     

     

    “O Ezequias teve que sair de Passos muito cedo para fazer sua carreira nos palcos do Brasil, onde conviveu com os maiores artistas de sua época. Foi necessário que ele saísse de Passos para ter se tornado o grande artista que foi, reconhecido nacionalmente! Mesmo tendo morado pouco tempo aqui, Ezequias conseguiu ser uma referência para a nossa cultura, devido ao seu enorme talento! Religião, família e a arte compunham o triângulo existencial do Ezequias. A cidade tem que se lembrar sempre de Ezequias, colocar o nome dele na boca do povo, através do poder público, das escolas, dos responsáveis pela cultura local e da imprensa. A comunidade e as novas gerações precisam saber mais sobre quem foi Ezequias Marques e tudo que ele representou para a arte.” 

    Antônio Theodoro Grilo: professor, historiador e antropólogo.

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