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Bloqueio na aprendizagem - Dificuldades e Soluções - ed. 62 - junho/2010

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    Vivemos as transformações do mundo na pele.

    A cultura, a educação, os hábitos e a família mudaram, se adequando a um novo mundo movido à tecnologia, à corrida contra o tempo e à busca de superações. Em decorrência desses novos processos, todas as formas de relacionamento passam por transformações incluindo escola, educadores e estudantes. Os reflexos desse novo mundo são inevitáveis.

    Viver o novo é um processo difícil em qualquer fase da vida, mas na fase escolar esse mundo novo pode trazer complicações e abalar o lado emocional da criança ou do adolescente provocando-lhe bloqueios que podem afetar o seu desempenho escolar. A superação do problema é essencial para que o jovem se desenvolva intelectualmente sem carregar fragilidades para a sua vida adulta.

    A dificuldade na superação desses problemas pode estar relacionada a vários fatores como relacionamento familiar, escolar, timidez, falta de diagnóstico e de tratamento adequados.

    Conforme análise de psicólogos e psicopedagogos, esse problema tem se tornado muito frequente nos dias atuais e embora seja preocupante, a solução pode ser mais fácil do que os pais imaginam.

    Identificando as causas

    A criança, às vezes, quietinha e comportada, começa a apresentar problemas de aprendizado que se arrasta de um período para o outro. Outras, por falta de atenção também não respondem à evolução da sala. O primeiro passo para descobrir o que causa essa dificuldade no aprendizado é uma avaliação médica para descartar qualquer problema de ordem orgânica, segundo afirmação de psicólogos e psicopedagogos ouvidos pela reportagem da FOCO MAGAZINE.

    Se descartado qualquer problema de ordem orgânica como o TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, diabetes, anemia, infecções, desnutrição entre outros, a criança será encaminhada para a avaliação de um psicólogo ou psicopedagogo, para detectar a causa do problema e trabalhar o seu emocional de forma a dar sustentabilidade ao crescimento intelectual e emocional.

    Segundo a psicopedagoga da Bioterapia e da rede municipal de ensino, Maria Regina Parreira Lemos, é ouvindo a história da criança, da sua vida familiar e educacional, que os profissionais terão ferramentas para descobrir o que causa o bloqueio de aprendizado. “Quando a criança não vence uma fase escolar, ela carrega esse problema para outras fases e isso se agrava a cada ano. Ela vai precisar de ajuda para superar as dificuldades e se desenvolver com sucesso”, disse Maria Regina.

    Fatores

    São muitos os fatores que podem desencadear bloqueio de aprendizado e há muitas formas de tratamento para a recuperação da autoestima, o que inclui sessões de psicoterapia, medicação quando necessário e, também, o acompanhamento por profissionais especializados.

    Um dos exemplos que pode trazer bloqueio para a criança é a cobrança, tanto dos pais como da escola. Muitas vezes a criança não tem maturidade para a série em que está cursando. Esse fator pode torná-la reprimida e com a autoestima baixa. É preciso que os pais e educadores compreendam essa criança e tenham paciência, para que através de estímulos dentro de suas necessidades e capacidades ela possa se desenvolver dentro do que é esperado para a sua idade.

    Maria Regina ressalta como exemplo o momento do dever de casa, que deve ser feito quando a mãe tiver disponibilidade e paciência, pois é um momento que exige tranquilidade. “Se os pais não sabem ou não tem disponibilidade de tempo devem procurar um profissional, que às vezes, em pouco tempo, trabalhando com a criança pode melhorar a sua autoestima e mostrar que ela é capaz”, enfatizou.

    “O mundo mudou. Hoje as crianças precisam muito de carinho, de afeto. Eu sempre digo às professoras que é preciso ter um olhar diferente para as crianças que estão em nossas mãos.

    Temos que tentar entender o que está por trás de uma manifestação agressiva. Muitas vezes o carinho, o amor, pode resolver o problema”, afirmou a psicopedagoga.

    A psicóloga Karina Sanches também afirma que o seu procedimento de avaliação clínica começa descartando qualquer problema de ordem orgânica através de uma avaliação neuropsicológica, para só depois afirmar que seja um fator emocional ou de motivação que esteja prejudicando a aprendizagem.

    “É bom termos a avaliação médica de um pediatra e uma avaliação neuropsicológica para descartar qualquer problema de ordem orgânica. Visto que a avaliação neuropsicológica avalia as funções cognitivas e comportamentais, possibilita investigar as dificuldades e potencialidades do sujeito, ajudando no diagnóstico de algum transtorno ou até mesmo sugerindo que fatores emocionais estejam interferindo nas dificuldades de aprendizagem”, complementa.

    Ainda segundo Karina, quando a criança entra na adolescência carregando problemas de aprendizado pode ser ainda mais difícil enfrentar a juventude que tem os seus próprios desafios.

    O aumento da incidência dos problemas relacionados à dificuldade de aprendizado é uma realidade conforme análise da psicóloga. A atenção de educadores e pais é essencial para a detecção do problema e a busca de soluções, que vão levar a criança ou o adolescente a se desenvolver com segurança sem carregar traumas ou bloqueios para a vida adulta.

    Causas orgânicas

    * Deficiência mental de grau variado (as deficiências ligeiras são muitas vezes detectadas somente após o início da escolaridade).

    * Ansiedade ou depressão ou uma perturbação de hiperatividade que impede a criança de se concentrar e realizar as tarefas.

    * Atrasos de linguagem ou problemas de articulação.

    * Dificuldades específicas de aprendizagem, limitadas a uma só área: a leitura (dislexia), a escrita (disgrafia e disortografia) ou o cálculo (discalculia). Estas situações estão ligadas a problemas do funcionamento do sistema nervoso e existe muitas vezes uma tendência familiar para o seu aparecimento.

    * Problemas de visão ou audição.

    Causas emocionais

    * Problemas familiares que perturbam a criança e interferem na sua disponibilidade para a aprendizagem.

    * Problemas sócio-culturais como pertencer a uma cultura diferente, a um grupo étnico minoritário, a um meio social adverso.

    * Falta de motivação e interesse, dificuldades de socialização (timidez, agressividade), dificuldades de adaptação escolar, dificuldades na relação professor-aluno, imaturidade, super-proteção familiar, dificuldade no processo ensino-aprendizagem (relacionado ao material didático, às aulas, didática do professor), separação dos pais, problemas de doença na família, morte.

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    Maria Regina Parreira Lemos, psicopedagoga, ressalta que é ouvindo a história da criança, da sua vida familiar e educacional, que os profissionais terão ferramentas para descobrir o que causa o bloqueio de aprendizado.
    A psicóloga Karina Sanches ressalta a importância da avaliação orgânica para o diagnóstico correto.

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