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Nov/Dez 2019
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Em Foco

Campanha da Fraternidade 2015

  • O desafio de aprofundar o diálogo entre "Igreja e Sociedade".

    A campanha da fraternidade de 2015 traz como tema "Igreja e Sociedade", e tem como lema "Eu vim para servir". A campanha propõe uma reflexão sobre a relação da Igreja Católica com a Sociedade Civil nos dias atuais, e o papel missionário da Igreja diante das novas demandas da sociedade contemporânea.
     
    Eu vim para servir

    Lançada pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na quarta-feira de cinzas, período que marca o início da quaresma, a Campanha da Fraternidade 2015 tem como tema "Fraternidade: Igreja e Sociedade", e o lema "Eu vim para servir". O objetivo é aprofundar, a partir do evangelho, o diálogo e a colaboração entre a igreja e a sociedade como serviço ao povo brasileiro. A campanha propõe ainda buscar novos métodos, atitudes e linguagens na missão da igreja de levar a palavra de Deus a cada pessoa.

     
    Para o Bispo Dom José Lanza Neto, da Diocese de Guaxupé, a escolha desse tema é de grande valia, pois devolve para a igreja sua capacidade de ser uma presença renovadora na sociedade.
     
    "A igreja tomou consciência a partir do Senhor, que não veio para ser servido, mas para servir, e do Concílio Ecumênico Vaticano II, que ela não está fora do mundo, ao contrário, está inserida e deve ler os sinais dos tempos e dar sua contribuição a partir do serviço desinteressado. A igreja no cumprimento de sua vocação e mandato do Senhor deve ser servidora", avalia o bispo.
     
    Dom José Lanza Neto - Bispo da Diocese de Guaxupé.
    Dom José Lanza Neto - Bispo da Diocese de Guaxupé.

    A Igreja diante das demandas da sociedade atual.

    Sobre a posição que a Igreja deve tomar diante dos problemas que afligem a sociedade nos dias atuais, como o aumento da violência e o combate à corrupção, Dom Lanza afirma que a Igreja Católica tem um histórico na participação em grandes questões nacionais. “A Igreja Católica, juntamente com outras Igrejas cristãs e entidades sérias têm trabalhado muito nas questões que dizem respeito ao bem comum, à justiça, à ética, etc. Ultimamente a Igreja Católica faz parte de mais de cem organizações na questão da reforma política. Um grande projeto tem sido abraçado neste sentido. A Igreja Católica tem um grande histórico na participação das grandes questões nacionais. A Campanha da Fraternidade normalmente é uma demonstração do que estamos nos referindo,” afirma o bispo.
     
    Já para o Padre Robison Inácio de Souza, Pároco da Paróquia de São Benedito, em Passos, o papel da Igreja é, primeiramente, servir a Deus, mas isso não a impede de acompanhar a evolução da humanidade. “No seu serviço a Deus, a Igreja torna-se também diaconisa da sociedade, servidora da sociedade, isso em um segundo plano. Deus quis a Igreja como sua primeira servidora, servidora de sua divina vontade e de seus santos desígnios. A Igreja, na realização de seu serviço a Deus, promove a caridade, a instrução, a fraternidade, a liberdade, os valores morais, os princípios éticos, a beneficência e a cultura. O tema da Campanha da Fraternidade 2015 é pertinente porque esclarece certa confusão que existe, partindo dos meios acadêmicos, de que a Igreja atrapalha o progresso da sociedade.
     
    Padre Robison Inácio de Souza - Pároco da Paróquia de São Benedito em Passos.
    Padre Robison Inácio de Souza - Pároco da Paróquia de São Benedito em Passos.

    Ao servir a Deus, a Igreja beneficia a sociedade e colabora com o progresso da humanidade. Se a Igreja cessasse hoje seu serviço a Deus, a sociedade seria a principal prejudicada”, esclarece. 

     
    Quanto à defesa que o Papa Francisco tem feito desde que assumiu o pontificado, para que a Igreja esteja mais comprometida com o fim das desigualdades sociais no mundo, tanto o bispo Dom Lanza quanto o padre Robison Inácio afirmam que o Pontífice tem tido um papel importante para o aprimoramento desse debate, porém, a Igreja Católica nunca deixou de lado o seu compromisso com os mais pobres.
     
    “Não podemos atribuir agora tudo ao Papa Francisco. Ele tem sido uma presença e uma voz profética; mas a Igreja sempre esteve envolvida nesta luta, na superação da fome e da miséria, do analfabetismo, da violência, da corrupção, etc. A Igreja não tem partido político, nem deve ter. Ela trabalha mais no despertar da consciência, da organização da sociedade como um todo e da sua colaboração concreta através das pastorais: como da mulher, do idoso, da criança, do enfermo, do migrante, da terra, dos ribeirinhos e outras mais, além das Campanhas Solidárias,” ressalta Dom Lanza.
     
    “O Papa Francisco defende hoje um maior e mais profundo engajamento. Com seu despojamento e sua austeridade, quer comunicar a novidade e o frescor do Evangelho à Igreja e ao mundo. O Papa está dizendo, aos de dentro e aos de fora, que o Evangelho é a carta magna capaz de lançar luzes sobre essas problemáticas que impedem o desenvolvimento dos povos”, destaca o padre Robison Inácio, que foi convidado para realizar estudos de mestrado e doutorado em Teologia Dogmática na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, para onde se mudará em agosto.
     
    Padre Robison afi rma que o aprimoramento do diálogo entre Igreja e Sociedade, que é uma das buscas da campanha da fraternidade desse ano, ainda precisa ser melhorada. “Igreja e Sociedade ainda estão entrincheiradas. A Igreja, com suas reservas históricas, nem sempre reconhece a positividade do real que marca o compasso da vida em sociedade. A sociedade moderna, portadora de uma arrogância racionalista, quer prescindir da Igreja e de tudo o que evoca o transcendente. Para que o debate entre Igreja e Sociedade seja mais colaborativo e menos entrincheirado, ambas as realidades, devem, humildemente, rever a intencionalidade do debate.
     
    Sobre a Campanha da Fraternidade 2015, padre Robison afirma que nas paróquias de Passos acontecerão “coletivas de imprensa; encontros de oração e de estudo e gestos concretos, como a Coleta Nacional da Solidariedade; entre outras atividades,” finaliza.
     
    Renato Rodrigues Delfraro
     
    Papa Francisco

     

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