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Nov/Dez 2019
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Mulher

Aprovação

  • Quantas vezes olhamos para fora de nós mesmos em busca de aprovação ou de um elogio. Nossa vida pode estar indo muito bem, tanto do ponto de vista pessoal, familiar, como profissional, mas para nos sentir bem dependemos do reconhecimento do outro. Claro que todos nós precisamos ocasionalmente de um estímulo, de um comentário positivo...

    Mas, quando o reconhecimento do outro se torna a razão de ser do meu comportamento e é imprescindível para confirmar que estou indo bem, algo está errado. Significa que nós, na ânsia de agradar, damos aos outros poder sobre nós.

    Algumas pessoas têm a tendência de deixar os outros decidirem como elas devem viver, onde elas devem morar, como elas devem agir... De certo modo é uma forma de assumir pouca responsabilidade sobre a própria vida e assim evitar o risco de desagradar. Porém estas mesmas pessoas se consideram especialistas nas necessidades do outro e se julgam responsáveis por tudo e por todos. Assim sendo, não têm a coragem de serem elas mesmas. Tentam passar sempre uma imagem de que está tudo bem, que está tudo sob controle... “colam” um sorriso no rosto (mesmo que esteja mal) para agradar aos outros. Tendem a se desculpar e se justificar por tudo, ou seja, perderam o controle da própria vida ao delegá-la a terceiros. Teríamos mais paz se não nos ocupássemos tanto com o que os outros dizem, pensam e fazem. Invertemos de tal modo nossas prioridades que as coisas em si perdem sua devida importância, por exemplo: Você deveria trabalhar, cuidar dos filhos, fazer uma atividade filantrópica, não para ser reconhecido, mas porque te dá prazer. Van Gogh foi um dos poucos que escapou dessa armadilha que a vida em sociedade nos impingiu. Ele pintou mais ou menos 600 telas e vendeu apenas uma; mas continuou pintando com fome, sem casa, sem remédio, doente... sem reconhecimento e com muitas críticas. Continuou pintando porque sentia prazer em pintar o que queria pintar e acreditava no seu trabalho. Quando concluiu sua obra prima suicidou e deixou uma carta de explicação que dizia: “Suicido não por desespero, mas porque meu trabalho está concluído.” O reconhecimento veio cem anos depois e hoje suas telas valem milhões.

    Vivemos em uma sociedade de celebridades, de prêmios... e isso tem tirado todo o valor intrínseco da criatividade e das ações cotidianas e familiares, e destruído milhões de pessoas que passam a aspirar ter seu trabalho reconhecido por todo mundo. A vida real consiste de pequenas coisas e para isso (independente do valor) não há prêmios, assim sendo temos que fazer o que fazemos por prazer, por amor, por idealismo... se houver reconhecimento, ótimo; caso contrário não sofra por isso. Sartre foi indicado por duas vezes ao prêmio Nobel da literatura e recusou alegando que: “Não preciso deste prêmio, eu já recebi compensação suficiente enquanto estava criando o meu trabalho.”

    Temos que desenvolver e elaborar melhor nosso auto-conceito, pois só nós sabemos o nosso verdadeiro valor, quem somos, o que queremos, e fazer o que temos que fazer pelo prazer da ação e aprender a nos auto-aprovar e reconhecer que somos merecedores de todas as dádivas da vida.

    por Gizele Rabelo

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