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Juliano Cezar - Da fazenda aos palcos - ed. 63 - julho/2010

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    Ele já foi peão de rodeio e trabalhou em fazendas. Em 1991 iniciou a sua carreira profissional como cantor de música sertaneja; hoje é também apresentador de programa na televisão.  Precursor do estilo country no Brasil, o passense Juliano Cezar já se apresentou em muitos palcos. Em 25 anos de carreira mantém a sua paixão pelo universo rural e pela música.

    Do interior de Minas partiu para o Distrito Federal, onde trabalhava em fazendas. Em Brasília começou a sua carreira profissional, gravou o seu primeiro CD experimental que o levou ao Prêmio Sharp, em 1991, como cantor revelação.  Contabiliza conquistas e derrotas, mas segue confiante de que a carreira de cantor tem seus altos e baixos. Para comemorar seus 25 anos de carreira pretende trazer para Passos, sua terra natal, um show beneficente. Confira abaixo a trajetória de Juliano Cezar da fazenda aos palcos.

    Foco – Em 2010, você completa 25 anos de carreira. Como é chegar até aqui vivendo da música sertaneja no Brasil?

    JC – Comecei minha trajetória em Passos. Aprendi a tocar violão aos 12 anos, no violão da minha irmã. Como morava no interior, sempre ouvia música sertaneja. Também trabalhava em fazendas, em rodeios. Comecei a minha carreira profissional em Brasília, onde gravei meu primeiro disco experimental. O resultado desse trabalho fez com que ganhasse o Prêmio de Melhor Cantor de Brasília e a indicação ao Prêmio Sharp, como cantor revelação. Fui indicado ao Prêmio juntamente com a Cássia Eller. Gravei a música “Não Aprendi Dizer Adeus” que de repente estourou nas rádios e abriu caminhos. Anos mais tarde, Leandro e Leonardo a gravaram também. Recebi o Prêmio Sharp em 1991 e a minha vida ficou dividida entre São Paulo e Brasília, até me decidir totalmente pela música. De CD em CD e de altos e baixos cheguei até aqui. O resultado da minha carreira me levou a televisão. Hoje apresento o Programa Rota Sertaneja, na TV Bandeirantes, e faço cerca de 10 shows ao mês. Juliano Cezar é querido nos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, muito mais do que em Minas Gerais.

    Foco – É possível prever qual música vai estourar nas rádios?

    JC – Não. É surpresa pra todo mundo. Você tem algumas ferramentas que podem indicar o gosto do público. Pode ter um resultado legal de produção, mas prever o sucesso é impossível.

    FOCO – Entre shows, apresentações e gravações qual atividade é mais prazerosa?

    JC – Shows. No show estamos ao vivo, as pessoas cantam a sua música, choram. É desgastante, pois em cada cidade vivemos uma situação diferente. Mas as pessoas estão esperando o cara que canta a música que elas gostam, não tem satisfação maior. O artista ver o público cantando a sua música é uma realização para poucos.

    FOCO – Como foi o início da carreira na TV?

    JC - Eu não sou apresentador de televisão. Eu fui convidado pelo tempo de carreira na música sertaneja, pelos contatos que tenho. Fizeram uma pesquisa e chegaram ao meu perfil. Contrataram um diretor de TV para me instruir, mas na primeira entrevista eu disse que não daria certo. Teria que fazer um monte de coisas “ensaiadas” que não conseguiria, não seria eu mesmo. Disse que aceitaria o desafio mas fazendo a apresentação do meu jeito. A forma que eu falo deixa as pessoas a vontade. A espontaneidade agrada todo mundo, o meu programa é um bate-papo. Eu também sou artista e tento passar aquilo que o meu entrevistado é e foi, a sua história.

    FOCO – No que os seus fãs mais o admiram?

    JC – No palco eu sou artista naquela hora, mas depois sou eu mesmo. Eles devem me achar bacana, gente boa.

    FOCO – No seu último DVD você reuniu grandes nomes da música sertaneja. Como foi esse trabalho?

    JC – Quando optei por gravar meu DVD resolvi chamar alguns artistas, amigos, Fernando & Sorocaba; Jorge & Mateus; Calcinha Preta; Teodoro & Sampaio; João Bosco & Vinicius; Zé Henrique & Gabriel; Mato Grosso& Mathias, eles aceitaram. Gravei em Ribeirão Preto, onde resido. O evento parou a região.

    FOCO – Tem algum cantor que gostaria de gravar e ainda não gravou?

    JC – Só Roberto Carlos. Do universo sertanejo já gravei com todos. Faltava apenas Milionário e José Rico que gravei recentemente.

    FOCO – Você também é compositor? Como faz a sua seleção de músicas?

    JC – Componho, mas não sou bom nessa área. Eu sou mais intérprete. Faço a minha seleção ouvindo música, recebo muitas composições. Muita música passa pela minha mão, mas temos que discernir rápido senão perdemos a oportunidade.

    FOCO – O crescimento da música sertaneja está estabilizado ou em ascensão?

    JC – Em ascensão. Eu nunca vi tanta evolução na musica sertaneja. Hoje, em São Paulo, você pode ter um show de rock numa casa e outro sertanejo, os dois são divulgados sem preconceito.

    FOCO – Você já preparou seu calendário de comemorações dos 25 anos de carreira?

    JC – O meu foco é trabalhar num show beneficente para o Hospital do Câncer. Tenho condições de trazer grandes amigos aqui, faria a minha parte. Só não posso liderar o evento. Temos que nos unir em prol de uma causa. Será uma boa maneira de comemorar minha carreira, ajudando os outros.

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