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Nov/Dez 2019
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Servo de Deus

  • Em 1936 nascia, em Buenos Aires, Jorge Mário Bergoglio. Bem jovem viu que sua vocação era o sacerdócio, porém nunca sonhou com a possibilidade de ser papa. Ascendeu na Igreja por mérito e em 2013 substituiu o pouco carismático, porém muito sensato, Bento XVI, que acabara de renunciar ao posto.

    Servo de Deus
    Servo de Deus

    O Jesuíta argentino, fã de tango e torcedor do San Lorenzo, assumiu uma tarefa digna de santo: liderar uma Igreja com 1,2 bilhão de fiéis no mundo, mas maculada por escândalos de corrupção e pedofilia. Com toda humildade, em sua mensagem de natal, ele falou sobre as doenças que atingem a Cúria, como “Alzheimer espiritual” e “esquizofrenia existencial”. Cobrou dos padres que “fossem pessoas amáveis, serenas, entusiasmadas e alegres” e que “abandonassem” o rosto fúnebre e a arrogância.

     
    Jorge não escolheu o nome de Francisco por acaso, ele tem insistido, desde o início, que a Santa Sé tem que ser uma igreja pobre para os pobres. Inclusive abandonou o carro oficial e tem usado um Ford Focus, tem quebrado sistematicamente, o protocolo, andado pelas ruas e abraçado as pessoas, acorda antes do sol nascer, come em 15 minutos, pois segundo ele “enquanto houver pessoas sofrendo no mundo ele não tem tempo a perder”.
     
    Um dos seus gestos mais impactantes, entre as medidas de austeridade, foi recusar a residência papal (onde morou todos os seus antecessores) e decidiu morar na casa Santa Marta, uma modesta casa em que ficava hospedado. Atende o povo e o clero em um gabinete simples e cortou todos os serviços de pompa.
    Muitos não apóiam estas mudanças e o acusam de “dessacralizar” a imagem de sumo pontífice, outros o aplaudem e acreditam que “ele acabou com a imagem equivocada de que o papa é um rei ou faraó e que o Vaticano é sua corte”. Porém estas não foram as principais e mais impactantes ”mudanças” que ele está operando na Igreja. Com sua expontaneidade, humildade e autenticidade tem enfrentado antigos tabus e se permitido posicionar de forma clara e atual sobre vários temas.
     
    Desde o início pediu tolerância para com os gays: “Se uma pessoa é gay e busca a Deus, quem sou eu para julgá-la”. Também intercedeu pelas mulheres: “Somos machistas e não deixamos lugar para as mulheres, porém a mulher é capaz de ver as coisas de modo diferente dos homens”. Pediu desculpas pelos abusos sexuais na Igreja: “Sinto-me responsável por todo o mal que alguns padres fizeram com os abusos sexuais às crianças”.
     
    Buscou aproximação com as outras religiões: “Senhor, olhe para os nossos irmãos e irmãs muçulmanos que sofrem perseguições brutais e com os conflitos étnicos”. E até mesmo enfrentado alguns dogmas: “Deus não agiu como um mago. Ele criou os seres e deixou que eles evoluíssem. O Big Bang não contradiz a intervenção criadora Divina”. Tem defendido também que católicos separados possam receber a hóstia. Obama e Raul agradeceram a intervenção diplomática que ele fez para a reconciliação entre Estados Unidos e Cuba.
     
    Os exemplos mencionados são apenas alguns dos tantos grandes gestos que o papa tem feito. Em todas as suas frases notamos a falta de preconceitos e uma capacidade de compreensão e amor ao próximo incondicional. Confio que ele trará o sopro de renovação que a Igreja tanto precisa. 
     
    E peço a Deus para que dê a ele forças e tempo para cumprir a missão que ele se propôs.

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