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Janeiro/Março 2020
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A robótica na escola

  • O ensino da robótica na Escola Municipal Professora Jalile Barbosa Calixto tem proporcionado experiências únicas e enriquecedoras aos alunos e professores da escola. Conheça mais sobre o projeto e como ele vem sendo desenvolvido.

    Concentração para a competição na mesa FLL 2014
    Concentração para a competição na mesa FLL 2014

    Localizada no bairro Penha, a Escola Municipal Professora Jalile Barbosa Calixto tem transformado a realidade de seus alunos através do projeto Lego, pelo qual os alunos aprendem as técnicas da Robótica.

    De acordo com a diretora Rosemeire Assis Lobato Borges, o projeto de Robótica/Lego tem sido uma ferramenta incrível na aprendizagem dos alunos, por uma série de motivos.

     “O primeiro sem dúvida é o aumento da autoestima, o aluno se percebe capaz de aprender qualquer coisa e ainda por em prática o que aprendeu, o segundo motivo é a concentração, quando eles estão envolvidos em seus projetos, parecem estar dentro de uma bolha, é muito difícil tirar o foco deles e por último a disciplina, eles aprendem e praticam valores como o trabalho em equipe, respeito, responsabilidade e tantos outros”, destaca a diretora.

    Rosemeire explica que o aluno para fazer parte da robótica deve ter um comportamento exemplar na sala de aula e notas acima da média, sendo que assim é possível formar um ciclo: autoestima, concentração, responsabilidade e sucesso. Todos esses fatores juntos têm sido determinantes para a aprendizagem dos alunos.

    Fazendo os últimos ajustes na programação TBR RIO 2014
    Fazendo os últimos ajustes na programação TBR RIO 2014

    O projeto foi implantado pela primeira vez na primeira gestão do prefeito Ataíde Vilela, em 2007, sendo que já no primeiro ano a escola conquistou dois troféus em um torneio municipal. Com o retorno da gestão, o projeto foi retomado em 2013 e a Jalile, juntamente com a E. M. Prof. Hilarino Moraes foram convidadas para participar de um torneio em Betim.

    “Esse torneio serviu como um tipo de ‘amostra grátis’. O kit que usamos para montar o robô ficou para nossa escola. Com esse kit continuamos treinando e nos aprimorando, expandindo a equipe veterana e formando novas, até que em meados de 2015 chegaram os outros kits, 16, 17, kits ao todo, e então o projeto começou oficialmente, abrangendo todos os alunos que tiveram interesse no curso Líder, um curso extraclasse onde os alunos desenvolvem noções de liderança e empreendedorismo”, explica Rosemeire.

    Viagens, conquistas e aprendizado.

     De acordo com Rosemeire Lobato, a Prefeitura adquiriu o programa curricular e os professores de todas as disciplinas estão tendo treinamento para incrementar as aulas curriculares do 6º ao 9º ano, além da assessoria específica para os torneios que os alunos estão tendo de técnicos e juízes dos principais torneios de robótica de Minas Gerais e do Brasil.

    “Ao todo nós já participamos de oito torneios. Ganhamos dois troféus em 2007. Em 2013, na nossa 1ª participação, conseguimos nos classificar como equipe suplente para o torneio nacional. Ainda em 2013, em Pouso Alegre, ganhamos um troféu pelo melhor design do robô. Em 2014 em Lavras, finalmente conseguimos nos classificar para o torneio nacional que aconteceu no início deste ano no Rio de Janeiro. Talvez esse tenha sido o maior de todos os troféus, APRESENTAR O MAR AOS NOSSOS ALUNOS! Não teve preço para nenhum de nós!”

    Em 2014 a escola foi premiada como a melhor equipe estreante na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) prova prática, em São João Del Rey. Em 2015 a equipe participou novamente do torneio em Belo Horizonte, só que mesmo tendo ido muito bem não levou o prêmio, devido ao alto nível de todas as equipes participantes. Em 2014 a Jalile participou da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) na modalidade teórica. Essa prova aconteceu na própria escola e o prefeito Ataíde Vilela esteve na escola para entregar as medalhas aos alunos que participaram.

    Rosemeire garante que as premiações servem para coroar a oportunidade que a escola tem de participar de todos esses torneios, o que por si só já é algo especial. “Vale muito mais pelo que a gente aprende, os amigos que a gente faz e o tanto que nos divertimos. O clima de competição é tão amigável que parece mais uma festa do que um torneio propriamente dito”, ressalta.

    “A avaliação que fazemos da Robótica na nossa escola é muito positiva, pois além de ser material “caro” e se não fosse na escola, talvez nosso aluno não teria acesso é também um material “rico” pois uma vez bem trabalhado proporciona ao aluno desenvolver, o raciocínio, a liderança, estratégia, pesquisa e programação”, enaltece Rosemeire.

    Professores e alunos enaltecem o projeto

    A Secretária de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Pilar Aparecida Lemos Faria e a diretora do Departamento de Educação, Neuza Maria Funchal Paiva afirmam que o projeto está sendo desenvolvido nas seis escolas que tem o ensino fundamental II, do 6º ao 9º ano, e que a intenção da Secel é fortalecer o projeto em toda a rede municipal de ensino. Elas enfatizam que a Robótica permea os conteúdos do plano curricular e foi uma das prioridades do Prefeito Ataíde Vilela para a área de educação.

    “A tecnologia comanda o mundo de hoje. Se as crianças usam o celular, computador, nada mais justo que eles trabalhem a técnica em favor deles. A Robótica é uma via de mão dupla, e oferece aos professores a oportunidade tanto de ensinar como também de aprender com os alunos”, ressaltam as educadoras.

    As alunas Laís Leandra Silva, Bionda Maria Rocha e Joyce da Cruz Teixeira, da equipe Robotic Steps, falam sobre a importância do projeto dentro da escola. “A importância da robótica é o que ela faz com os alunos que não se interessavam pelos estudos. A robótica nos faz superar nossos desafios todos os dias. Robótica não é apenas mexer com robô ou fazer um trabalho perfeito de pesquisa e sim onde nos divertimos, fazemos amizades e o mais importante compartilhamos e aprendemos coisas novas, juntos, todos os dias. Por isso nós amamos a robótica.”

    A professora de Robótica e Inglês, Elisabete Pires de Oliveira, afirma que a robótica foi a melhor coisa que aconteceu na escola. “Ver meus alunos cheios de si, acreditando serem capazes de construir seu próprio conhecimento me enche de orgulho. Alguns podem achar inacreditável, mas hoje nós temos alunos aqui que estão desenvolvendo pesquisas sérias e critérios de pesquisas científicas, inclusive seguindo normas da ABNT. Ver a concentração deles diante dos desafios propostos e os olhos brilhando de alegria quando os obstáculos são superados é de emocionar qualquer professor. Se eu tivesse que definir a robótica seria assim: trabalho, persistência, responsabilidade, aprendizado, amizade, emoção e diversão.”

    A garantia do sucesso desse trabalho na rede municipal está nos seguintes fatores:

    1.O investimento do Executivo e da Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Secel) em adquirir o material.

    2. O engajamento dos diretores e professores, que acreditaram e prontificaram-se a desenvolver este trabalho.

    3. No empenho e entusiasmo dos alunos, que com compromisso, responsabilidade e dedicação surpreende a todos.

    4. Aassessoria constante da Lego/Zoom que frequentemente está nas escolas acompanhando e orientando o trabalho dos alunos e dos professores de forma a possibilitar que estes utilizem este recurso em suas aulas. Enfim, estas aulas de Robótica constituem um diferencial que a nossa escola tem e do qual não podemos abrir mão. Tanto é que a direção da escola Jalile está sugerindo uma alteração no Plano Curricular de forma que a Robótica seja incluída como matéria do ensino regular como parte diversificada desta escola, visto que os professores realizaram curso que os capacita para dar aulas de robótica.

    O que é a robótica? É criar soluções para coisas que o homem não é capaz de fazer ou precisa de auxílio da tecnologia, como recolher amostras em Marte, ou filmar por dentro de uma artéria ou retirar escombros ou efetuar resgates em um terreno hostil.

    O projeto consiste em três vertentes.

    Casa inteligente
    Casa inteligente

    A Robótica Curricular: Nas aulas regulares qualquer professor de qualquer disciplina pode aliar o seu conteúdo a uma construção robótica pertinente à matéria. Por exemplo: numa aula de ciências e/ ou geografia sobre energia, os professores trabalharão a construção de uma casa robótica que será programada para abrir e fechar as janelas de acordo com a luminosidade e presença dos moradores.

    O curso Líder ®: esse acontece no contraturno, nele trabalhamos através de histórias em quadrinho que desenvolvem noções de liderança e empreendedorismo, a cada episódio é apresentada uma situação problema para ser debatida e depois solucionada por uma construção robótica. Na última aula construímos um táxi autônomo, esse funcionava sem motorista ou controle remoto, parando sempre a uma distância de segurança do carro da frente utilizando o sensor ultrassônico.

    3ª Os torneios: São a parte do projeto onde os alunos têm a oportunidade de por a prova todos os conhecimentos adquiridos ao longo das aulas. Nos torneios FLL (First Lego League), TMR (Torneio Mineiro de Robótica) e TBR (Torneio Brasil de Robótica) eles são avaliados na construção de um robô forte e eficaz capaz de realizar as missões propostas num tapete temático. A cada temporada é proposto um tema para que os alunos possam detectar problemas e propor soluções inovadoras referentes a ele, assim eles desenvolvem um trabalho de pesquisa que são verdadeiras monografias e apresentam a uma banca de jurados que na maioria das vezes são mestres e doutores especialistas no tema da temporada. E por último são avaliados quanto a Organização e Método/ Core Values ®, nesse quesito eles são submetidos à dinâmicas de grupo diante de psicólogos, esses constatam se os valores do torneio foram de fato desenvolvidos, esses valores são: trabalho em equipe, autonomia, iniciativa, respeito, cordialidade e outros.

    Estacionamento de Robôs.
    Estacionamento de Robôs.

    A melhor parte desses torneios é o resultado. O aluno se desenvolve como um todo. É quase impossível um aluno que participa de um desses torneios não sair de lá melhor do que entrou, independentemente da vitória.

    Na OBR, a avaliação é apenas quanto ao robô e seu desempenho. Os robôs dessa competição são “segue-linhas”, eles têm que seguir um caminho (linha preta), desviar dos obstáculos pelo caminho e retornar ao curso original, os robôs também têm que encontrar uma vítima e emitir um sinal sonoro para o resgate. Parece simples, mas são programações bastante complexas que dependem de noções de lógica e sensores de luminosidade e ultrassom.

    Em todas essas competições é terminantemente proibido o uso de controle remoto ou interferência manual de seus construtores/programadores. Os robôs são programados através de um programa fornecido pela Lego® e baixados no robô através de um cabo USB, uma vez que o robô é acionado na pista e só pode ser tocado novamente quando retornar a base de saída.

    Renato Rodrigues Delfraro

    ALFABETIZANDO COM O LEGO - PESQUISA FLL 2014
    APRESENTANDO TRABALHO DE ALFABETIZAÇÃO PARA ACADEMICOS DE PEDAGOGIA DA UEMG
    CASA INTELIGENTE
    CONCENTRAÇÃO PARA A COMPETIÇÃO NA MESA FLL 2014
    CONHECENDO O MAR DE COPACABANA
    EQUIPE FLL 2013
    EQUIPE OBR 2014 MODALIDADE PRÁTICA
    ESPERANDO O RESULTADO DO FLL 2014
    ESTACIONAMENTO DE ROBÔS
    FAZENDO OS ULTIMOS AJUSTES NA PROGRAMAÇÃO TBR RIO 2014
    MOMENTO DE DESCONTRAÇÃO - DANÇAS TIPICAS DOS TORNEIOS DE ROBÓTICA
    PISTA DE COMPETIÇÃO OBR
    PLATAFORMA DE PROGRAMAÇÃO EM BLOCO LEGO
    POSANDO NO COPACABANA PALACE
    PREMIAÇÃO OBR 2014 MODALIDADE TEÓRICA
    RUBINHO - O ROBÔ
    TAPETE DE COMPETIÇÃO TBR TEMPORADA ENERGIA
    TMR LAVRAS MG COMEMORANDO CLASSIFICAÇÃO PARA O TBR RIO 2014

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