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Janeiro/Março 2020
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Mulher

Luto

  • A palavra luto veio do latim luctus e significa "a dor", o pesar de perder algo ou alguém. A morte é parte integrante da vida e não podemos fugir dela, nem da dor de perder alguém, porém atualmente as pessoas preferem ignorar a morte, abafar o luto e "seguir em frente".

    Luto

    Na verdade somos preparados para ter e não para perder. Assim sendo a morte e o luto são sentidos como uma anomalia que tem que ser prontamente superados. Porém a dor existe e tem que ser vivenciada, e se for negada a nível consciente ficará soterrada no inconsciente e se tornará uma dor crônica, que poderá inclusive ser somatizada. Temos que aprender a fazer as “pazes com a dor” e extrair dela todos os sentimentos, emoções, aprendizados...

    Segundo G. de Mello “No luto é importante que se promova uma catarse de sentimentos. Incluindo as emoções que gravitam no entorno como culpas, expectativas, fantasias e arrependimentos que não mais poderão ser resolvidos”. Ou seja, é necessário que a pessoa não negue a dor, e sim que reflita sobre a mesma, e que extraia dela todos os sentimentos e emoções que vieram a tona em função da perda.
     
    Quanto maior a ligação e o amor que nutríamos pela pessoa, quanto maior o espaço que ela ocupou em nossa vida, maior a dor e a dificuldade de seguir em frente. Principalmente quando há inversões, como quando os filhos morrem antes dos pais, ou alguém suicida... Nestes casos a sensação, nos primeiros momentos, é que o nosso mundo ruiu, que nosso coração foi, literalmente, atingido, rasgado... que nossa vida perdeu o sentido, que não conseguiremos reorganizar nossa existência e não vemos a saída... Mas aos poucos vamos reorganizando e resignificando nossa existência. O luto não se dissolve completamente, ele vai ficando mais ameno com o tempo e vai se transmutando em saudades, em gratidão por ter tido aquela pessoa em nossa vida e vamos compreendendo, aos poucos, que o luto não é um estado, mas sim um processo.
     
    A dor tem que ser superada gradualmente, de acordo com o ritmo de cada um, não podemos queimar etapas. Temos que compreender que a morte e o luto não são uma anomalia, mas sim que ambos são partes da vida e ignorá-los só vai dificultar esse momento. Daí a importância de refletir sobre a pessoa que partiu e o papel que a mesma teve em nossa vida. É hora de olhar fotos, reler cartas, falar sobre ela, perdoar, ser grato... Temos que nos dar o direito de sofrer, chorar... Mas não podemos morrer juntos, a vida continua... Temos que evitar a solidão e aceitar o conforto dos amigos e parentes.
     
    Fases do luto
     
    Negação: Nos recusamos a acreditar no que ocorreu e acordamos com a sensação que tudo foi um sonho.
     
    Culpa: Começamos a pensar em tudo que podíamos ter feito, ter dito para a pessoa e até mesmo pensar que se tivéssemos agido de outro modo, ela ainda estaria viva.
     
    Depressão: Mudanças súbitas de emoções (choro, raiva, revolta...). Nesta fase é importante que a pessoa assimile o que aconteceu.
     
    Aceitação: Conscientizamo-nos do que ocorreu, nos resignamos com os desígnios de Deus e vamos voltando aos poucos à vida e seus compromissos.
     
    por Gizele Rabelo

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