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Janeiro/Março 2020
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Comunidade

Uma escola especial

  • Quatro décadas de trabalho, 40 anos. Muitas batalhas e grandes conquistas realizadas por centenas de voluntários, que ao longo de todo esse tempo dedicaram seu tempo e trabalho para o desenvolvimento da APAE de Passos, uma escola que é referência nacional

    Apae de Passos
    Apae de Passos

    Tudo começou com a influência da APAE de Ribeirão Preto, através de um integrante da sua diretoria, que lançou a semente apaeana em Passos. Essa semente encontrou terra fértil e foi plantada em agosto de 1971 com o apadrinhamento do Lions Club, criado na cidade, no ano de 1969. O início das aulas se deu no ano seguinte, em 1972.

    Os primeiros voluntários fizeram um trabalho inusitado naquele início dos anos 70. Através das Missões Redentoristas, da Igreja Católica, organizaram um cadastro em toda cidade com os nomes das crianças portadoras de necessidades especiais. Com esses dados em mãos iniciaram as atividades com mais de 20 alunos. A primeira sede da instituição, bem no centro da cidade, na rua Coronel Neca Medeiros, foi instalada na Associação das Damas de Caridade, que naquele período distribuíam leite e realizavam ações beneficentes. Hoje, o prédio pertence a APAE, mas está alugado para fins comerciais. Na primeira sede a escola permaneceu por 12 anos. Paralelamente aos desafios iniciais, a diretoria lidava com o preconceito, natural naquela época, pela falta de conhecimento da causa apaeana. Foram muitas batalhas: aquisição de equipamentos; as instalações; a divulgação do trabalho; a credibilidade das famílias e a inclusão dos portadores de necessidades especiais à comunidade.
     
    Trabalho de Equoterapia com alunos da APAE no Parque de Exposições Adolfo Coelho Lemos.
    Trabalho de Equoterapia com alunos da APAE no Parque de Exposições Adolfo Coelho Lemos.

    Para realizar o que era necessário e dar sustentação para o crescimento foram necessárias uma série de atividades beneficentes. A primeira promoção da APAE foi a venda de chaveiros. Na sequência vieram as festas como a das Nações, a Feira da Bondade, eventos que a diretoria buscou suporte em São Paulo e que por muitos anos integrou o calendário cultural do município. O condicionamento físico dos alunos sempre foi uma preocupação da diretoria. Mas, no início dos trabalhos, essa missão não foi fácil. Faltavam profissionais especializados e a alternativa encontrada pela diretoria foi estimular a formação de jovens passenses para que pudessem atuar na escola. Foi necessário buscar ajuda em Belo Horizonte, para que profissionais especializados pudessem treinar a equipe.

     
    Com as atividades em crescimento, atendendo os alunos da região, a APAE lançou sementes nas cidades vizinhas para que as mesmas pudessem ter a sua própria escola. Nesse período iniciou-se nova campanha para a construção da sede própria, em terreno doado pela prefeitura de Passos, no bairro Belo Horizonte, em expansão nos meados da década de 80. Novo empenho de toda a diretoria para o levantamento da sede própria na rua Imprensa. O atual presidente, Maurício Lemos Calixto, que presidiu a APAE por cinco gestões, buscava todos os recursos para divulgar as ações da instituição. No extinto programa TV Mulher ganhou espaço na divulgação com o crescimento do movimento apaeano no país. Em outras parcerias, junto a Igreja Católica, ganhou dos alemães o primeiro ônibus para a instituição e, assim, de ação em ação, a instituição foi se formando com a doação ininterrupta do trabalho incansável de seus voluntários. 
     
    Atualmente, com as conquistas dos últimos 40 anos, a preocupação se estende para os portadores de necessidades especiais que já caminham para a terceira idade. Um dos sonhos é a criação da APAE Rural, espaço onde a instituição terá mais condições de promover a inclusão dos alunos no mercado de trabalho. Os desafi os não param, mas se modifi cam com as novas condições de vida da população,  o trabalho de inclusão social a luta contra o preconceito.
     
    Hoje a APAE é administrada por um Conselho Administrativo e Fiscal. Para as realizações do dia a dia tem uma diretoria executiva que administra os trabalhos da Coordenação Técnica Profissionalizante e da Coordenação Pedagógica e Clínica. O núcleo profissionalizante que prepara os alunos para o mercado de trabalho atua em oficinas como a do Sorvete e Clube de Mães. No núcleo pedagógico são realizadas as atividades de psicomotricidade, praxiterapia, arte terapia, educação física, Libras, Braille e aulas pedagógicas. No Núcleo Clínico, hidroterapia, quoterapia, estimulação precoce, terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, serviços odontológicos, médicos e de enfermagem, além de diagnósticos e encaminhamentos. 
    No ano em que completa seus 40 anos, a APAE atende 423 alunos e mantém 98 funcionários.
     
     
    Primeira diretoria da APAE
    Presidente: José Hernani da Silveira
    Vice-presidente: Marcos Joele
    1º Secretário: Antonio Paulo de Souza
    2º Secretário: Décio Martins
    1º Tesoureiro: Wilton Costa
    2º Tesoureiro: Gonçalo Ferreira da Silva
    Diretores sem pasta:
    Manoel R. Lemos
    Mauricio Lemos Calixto
    Marcio Lemos Coelho
    Dagoberto Soares
    Conselho Deliberativo:
    Lázaro Vilela de Faria
    Homero Parenti
    João Maia Machado
    Celina Coelho
    Eduardo Ferreira da Silva
    Francisco Etto
    Conselho fiscal:
    Antonio Domingos Pereira
    Sebastião Pimentel de Vasconcelos
    Roberto Vasconcelos Chagas.
    Assembleia em 02 de agosto de 1971 
     
    Atual diretoria da APAE
    Presidente: Maurício Lemos Calixto
    Vice-presidente: Tarcélio Santiago da Silveira
    1º Diretor Secretário: Suderli Nicolau de Barros Maia
    2º Diretor Secretário: Messias Alves Grilo
    1º Diretor Financeiro: Nélito Pereira Bernardes
    2º Diretor Financeiro: Antonio Domingos Pereira
    Diretor de Patrimônio: Bolivar Santiago da Silveira
     
    Denise Bueno

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