Última Edição
Janeiro/Março 2020
Janeiro/Março 2020

Em Foco

Frango Semi-Caipira

  • Uma opção viável para pequeno produtor

     

    Frango semi-caipira
    Frango semi-caipira

    A criação de frango para abate é uma atividade em que muitos produtores rurais investem para diversificar e faturar um pouco mais com o agronegócio. O frango de granja é uma das opções, mas está fora da realidade para muita gente: a montagem de um barracão com toda a infraestrutura exigida para o desenvolvimento das aves custa dezenas de milhares de reais. Por outro lado, o pequeno produtor pode criar frangos num sistema menos custoso e com retorno num curto prazo do pouco capital empregado. É o frango semi-caipira. Essa espécie de ave, que fica entre o frango de granja e o caipira puro, recebe também outras denominações: frango de pasto, semi-confinado,  semi-intensivo ou natural. É criada no campo e demora em média 45 dias para ser abatido. Em compensação, o produtor acaba ganhando o dobro em relação ao frango de granja. “Como este tipo de criação não exige investimento alto, a atividade é considerada uma excelente alternativa econômica para os pequenos proprietários rurais”, afirma o coordenador técnico da Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais), Frederico Ozanam de Souza, do escritório regional de Passos. A empresa está incentivando principalmente os pequenos e os agricultores familiares a explorarem essa atividade justamente por causa da tradição em Minas Gerais do frango caipira, que é conhecida em todo o Brasil. Por ter a carne com sabor e textura semelhante ao exemplar mais rústico, o semicaipira tem boa aceitação no mercado consumidor, segundo o extensionista. “É um atrativo e marca de nossa culinária mineira, marca registrada de Minas Gerais, portanto tem um valor expressivo. O frango caipira tradicional demora seis meses para atingir peso de abate, o ‘semi’, de 45 a 55 dias, é uma alternativa interessante de fonte de renda e emprego. Este trabalho vem sendo desenvolvido em todo o estado”, explica, acrescentando que há produtores que optaram pela espécie em várias cidades mineiras, vários deles em Passos e região. 

     

    Um Bom Negócio
     
    Dona Terezinha sozinha cuida dos frangos.
    Dona Terezinha sozinha cuida dos frangos.

    Proprietária de uma fazenda na linha Campos-Boa Vista, a produtora rural Joaquina Carvalho Amparado cria frangos semi-caipiras há dez anos e afirma que é uma boa e barata atividade. “Acho que é um negócio muito bom para o pequeno produtor, porque ele vai poder comprar os pintinhos aos poucos. Por exemplo, ele compra de 100 em 100 pintinhos, em 50 dias ele já está abatendo os primeiros, e assim por diante”, conta, observando que tem capacidade instalada para duas mil cabeças e que pretende ocupá-la em breve. Joaquina Amparado é mais conhecida por Terezinha – o nome de batismo é em homenagem ao avô e o apelido foi dado por sua mãe. Ela trabalha com plantel reduzido porque fornece apenas para o hotel de seu fi lho José Carlos, na região da usina hidrelétrica do Estreito, na divisa Minas Gerais-São Paulo, para vizinhos e outros consumidores mediante encomenda. Atualmente, são cerca de 150 cabeças para corte e 70 poedeiras. “Mas estou me preparando para voltar a ter um bom número de aves. Tenho um barracão para duas mil cabeças, com quatro compartimentos para 500 aves cada um”, disse, observando que o frango semi-caipira encontra boa aceitação no mercado e que se trata de uma alternativa para quem não tem recursos para montar uma granja. “Se você tiver uma casinha que não esteja usando, para abrigar os pintinhos, já dá para começar”, disse. Em sua propriedade, Terezinha dá conta sozinha do manejo de suas aves. Ela mesma fornece a ração, o milho e outros alimentos que o frango gosta. Pode ser restos de verduras, semente de girassol, feijão gandú (semelhante à ervilha) e o próprio pasto, uma área de terra formada por vegetação rasteira, predominantemente uma espécie rústica de grama. 

     

    Inspeção Sanitária
     
    O coordenador técnico Frederico Ozanam - em defesa do frango semi-caipira.
    O coordenador técnico Frederico Ozanam - em defesa do frango semi-caipira.

    Mas o frango semi-caipira, como outros itens da produção rural, encontra certo obstáculo na fase de comércio. “É neste ponto que inicia os gargalos. Para abater ou processar produtos de origem animal, o produtor tem que ter a autorização do serviço de inspeção. É oneroso e burocrático. (Por isso), os produtores em sua maioria estão processando artesanalmente”, comenta o coordenador da Emater. Para aproveitar toda a capacidade instalada em sua propriedade, Terezinha espera que a Prefeitura implante um órgão de inspeção em nível municipal para facilitar, não apenas sua atividade, mas toda a agroindústria de Passos, especialmente dos pequenos produtores. “Em Passos tem muita gente que cria frango semi- aipira. Seria bom também criarmos uma associação, porque hoje em dia trabalhar sozinho não dá. Com a associação poderíamos adquirir os pintinhos e a ração em maior quantidade e mais baratos”, defende. Na Câmara de Vereadores a expectativa é de que a Prefeitura envie uma emenda para o PPA (Projeto do Plano Plurianual), estabelecendo as condições para a criação de um serviço de inspeção municipal. Aprovada a emenda e o PPA, a Prefeitura já pode enviar o projeto criando o serviço. Enquanto aguardam a implantação do órgão sanitário, os produtores rurais que processam o frango de forma artesanal, como dona Terezinha, ou pretendem entrar na atividade, contam com a assistência técnica e as orientações da Emater. “Realizamos treinamento, confeccionamos apostilas, material didático e também alguns produtores recebem pintainhas de frango semi-caipira através do programa Minas sem Fome’, informa Frederico Ozanam. 

     
    Enio Modesto

    © 2019 Foco Magazine. Todos os direitos resevados.