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Nov/Dez 2019
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Mulher

Refletindo sobre a Morte

  • Pensar na morte faz com que queiramos viver o presente, livrar do peso do passado e das ilusões do futuro, lembrar que a vida é ter sempre um contato bom com as pessoas que amamos, um diálogo afetivo... dizer que as amamos, admiramos e respeitamos.

    Acredito que a questão central da nossa vida não é como ganhar mais dinheiro e consequentemente consumir mais (como acreditam muitos), mas sim como ter uma vida plena. E para conseguirmos responder esta questão temos que nos fazer duas perguntas:

    Qual o sentido da vida (é ter ou ser)? E como aprender a viver? Na verdade, estas são as questões que diferentes escolas filosóficas tentaram responder ao longo do tempo, para indicar novos caminhos e perspectivas, para aqueles que aventuram a afrontar estas interrogações.

    Infelizmente, hoje o conceito de vida bem-sucedida resume-se à satisfação material, ao sucesso (e reconhecimento social) e à preocupação narcísea e ilimitada de poder. Para os gregos o que define a “vida boa” não é o sucesso social, mas a capacidade de aprender com a vida e superar nossos medos. Filo + sofia significa amar a sabedoria, procurar a serenidade, ser livre em sua mente, aberto aos ensinamentos dos outros, ser capaz de amar, buscar o auto-conhecimento (a sabedoria) e assim nos equipar para superar os medos que nos impedem de viver.

    As grandes religiões assim como a filosofia, são “doutrinas de salvação”, que etimologicamente significa “se salvar dos medos”. As religiões são doutrinas de salvação pela fé, pela crença em Deus e a filosofia é a doutrina da salvação por si mesmo, pela razão.

    Segundo Epicteto a questão central da vida é a morte, porque enquanto não se suprimir o medo dela não se alcançará a “vida boa”. Montaigne (ensaísta francês do séc. 16, que eu adoro) diz que filosofar é “aprender a morrer”. Pois a morte não é o fim da vida, mas sim o motivo para se pensar na vida, no tempo, e nos momentos que não voltam mais. Pensar na morte faz com que queiramos viver o presente, livrar do peso do passado e das ilusões do futuro, lembrar que a vida é ter sempre um contato bom com as pessoas que amamos, um diálogo afetivo, (efetivo) e aberto, dizer que as amamos, admiramos e respeitamos. A perda de um ser amado é tanto mais irreparável quanto menos formos longe no diálogo, na verbalização dos nossos sentimentos.

    Ao reconciliarmos com o presente ampliamos nossos horizontes e pensamentos e nos desvencilhamos dos medos do passado e do futuro e nos preparamos para viver bem e consequentemente morrer bem.

    Obs: Artigo escrito após ter perdido meu sogro.

     

    Gizele Rabelo
    Terapeuta Oriental (Feng Shui, Astrologia Chinesa, Toque Terapêutico)
    (35) 3522-0339

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