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Janeiro/Março 2020
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Deputado Estadual mais votado de Passos fala sobre planos e resgate da ética na política

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    Depois de um jejum de 16 anos, Passos e região têm um novo representante na Assembleia Legislativa: o jovem passense Cássio Soares, de 29 anos, economista, ex-chefe de Gabinete e ex-Subsecretário da Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas. Na entrevista exclusiva que Cássio Soares concedeu à revista Foco, ele fala sobre seus planos de ação parlamentar e declara: “Agora tenho só que retribuir a confi ança dos meus eleitores e me preparar para os 4 anos de trabalho eficiente e competente que a nossa população merece. Uma de minhas bandeiras é resgatar a ética na política, o que aliás, deveria ser premissa para qualquer homem público.”

    FOCO: Cássio, você obteve 36.067 votos válidos, sendo 21.338 em Passos. O que dizer desta popularidade?

    CÁSSIO: Acredito que foi fruto do trabalho sério que desempenhei no Governo do Estado e das propostas que sustentaram minha campanha, além da vontade da população de Passos, especialmente, de resgatar a representatividade política da cidade. Meu perfi l se encaixou na expectativa dos eleitores e hoje eu me considero vocacionado para a política. Fui adiante com a candidatura, tendo recebido aprovação da maciça maioria dos eleitores passenses e da região. Fui votado em 230 cidades.

    FOCO: O povo conheceu o Cássio Soares político durante a campanha. Mas quem é você na intimidade?

    CÁSSIO: Sou muito calmo, justo e extremamente organizado no meu dia-a-dia. Acredito muito na política. Cássio Antônio Ferreira Soares gosta de viver a política, mas sem viver da política. Chego a abrir mão da minha vida particular para viver “a política”.

    FOCO: Você é muito novo (29 anos). Quando exatamente iniciou na política?

    CÁSSIO: Comecei muito cedo. Aos 16 anos ingressei no antigo PFL (atual DEM), lá militei por quase 10 anos, chegando a ser presidente do PFL Jovem por 2 anos. Atuei em diversas campanhas até ser convidado para ser assessor na Câmara Municipal nos anos de 2005 e 2006. Já no início de 2007 recebi o convite do Secretário de Estado de Defesa Social de Minas, Maurício Campos Júnior, para assumir a função de Chefe de Gabinete da pasta. Em 2009, mais um
    honroso convite, desta vez do próprio Aécio Neves, para ser Subsecretário de Inovação e Logística da Seds, cargo que passei a exercer cumulativamente com a Chefia de Gabinete. Em fevereiro de 2010 me desliguei das funções em BH para cuidar da minha campanha.

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    FOCO: A responsabilidade em atuar numa Secretaria deve ser grande. Pode-se dizer que foi uma experiência e tanto?

    CÁSSIO: Sem dúvida. Eu tinha noção do tamanho da responsabilidade que era estar ali, mas tive que aprender muito com os colegas. Trabalhei até tarde da noite por vários meses e foi um aprendizado e tanto. Por outro lado, foi gratificante atender 853 cidades com aproximadamente
    20 milhões de mineiros. Era instigante tomar uma decisão na Secretaria e dias depois ver reduzir a criminalidade em todo o Estado. Não tínhamos margem para erros e a autocobrança sempre foi constante. Acredito que consegui atender à expectativa do secretário Maurício Campos, dos governadores Antônio Anastasia e Aécio Neves, como também da população mineira.

    FOCO: A influência política vem de quem? Alguém em especial?

    CÁSSIO: Desde criança ia, aos domingos, à banca de jornais com meu pai. Ao invés de revistinhas para crianças e gibis, preferia os jornais. Sempre tive verdadeira adoração por ler jornais, estar antenado com as notícias de um modo geral. Desde então, me interessavam as questões políticas, as econômicas, as sociais, tanto que ao escolher meu curso superior, optei pelas Ciências Econômicas, que abrangem disciplinas relacionadas às políticas públicas. Posso dizer que evolui com duas pessoas que me incentivaram nesse caminho da política: o meu primo Rodrigo Pacheco e o meu amigo Carlos Chagas.

    FOCO: Que balanço você faz desta campanha?

    CÁSSIO: Ganhei mais experiência e perdi peso. Sete quilos (risos). Sem dúvida foi uma experiência impagável! A gente lida com as mais diversas classes sociais, pessoas com vários níveis de escolaridade e no meio disso tudo você tem que ser versátil, sem deixar de ser autêntico. Conhecer a realidade e as necessidades daquelas pessoas que mais precisam da política me marcou e me fez ter a certeza de que estou no caminho certo. O corpo-a-corpo com o eleitor, o carinho e por que não às vezes, a hostilidade, por quem não entendeu nossa mensagem, foi importante. Tudo isso faz parte de um processo democrático e de um crescimento pessoal.

    FOCO: Quais são seus planos para curto, médio e longo prazo para Passos e região?

    CÁSSIO: Curto prazo: prepararme para assumir o mandato em 1º de fevereiro para que os 4 anos que me esperam sejam de trabalho profi ssional e competente como a nossa população merece. Em médio, quero fazer Passos voltar a ter voz e vez no cenário político estadual. Já demos um passo para que isso acontecesse, mas ainda falta o restante da caminhada. Em longo prazo, desejo continuar minha vida pública buscando sempre a excelência no trato com o cidadão e, consequentemente, o crescimento político com a aprovação do eleitor. Penso isso porque acredito que a política ainda é o melhor instrumento para melhorar a vida das pessoas quando tratada com responsabilidade e competência.

    FOCO: Quais serão as principais bandeiras do seu mandato?

    CÁSSIO: A primeira é o resgate da ética na política, o que deveria ser premissa para qualquer homem público. Em termos práticos, ao longo da nossa campanha, percebi que a população elegeu como prioridade a Saúde Pública como fator que merece a nossa atenção especial. Trabalharei para que nossa Segurança possa melhorar cada vez mais e possa proporcionar mais tranquilidade para o povo mineiro. Por fim, precisamos pensar e trabalhar meios de fomentar a geração de empregos e renda, criando novas oportunidades para aquelas pessoas que vivem à margem da sociedade.

    FOCO: Atualmente você está no Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). Pretende mudar de partido? Antes estava fi liado em qual? A escolha de um partido pesa muito para um político? O que pensa a respeito?

    CÁSSIO: Infelizmente a ideologia partidária no Brasil deixou de existir já há uns bons anos. Partidos políticos são importantes e o PRTB foi o partido que escolhi para disputar as eleições e para exercer o meu mandato. Antes fui filiado ao DEM (partido que me acolheu há aproximadamente 10 anos) e que me ensinou muito. Porém, trazia diversos obstáculos para o sucesso da candidatura, já que demandaria um coefi ciente eleitoral alto. Essa mudança partidária foi compartilhada e aprovada unanimemente pelos membros da cúpula do DEM.

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    FOCO: Durante sua campanha, você destacou muito o valor da Educação na vida das pessoas. Como avalia a Educação em Passos? Há muito o que fazer? Tem algum plano para melhorar a
    área?

    CÁSSIO: Tive oportunidade de visitar quase todas as escolas de Passos e percebi que fisicamente e estruturalmente elas estão bem, o município mal consegue gastar os 25% do orçamento exigidos. Não é raro sobrar recursos no final do ano e o município ter que investir de última hora em algum projeto para atingir esse limite. Da mesma forma, as escolas estaduais também se mostram bem preparadas fisicamente e bem aparelhadas. O que temos muito que melhorar é a valorização dos profissionais. E como fazer isso? Bem, iniciei já em campanha, conversando com alguns representantes da classe no sentido de me inteirar das necessidades para que possamos levar até o Governador os seus anseios e também quem sabe, as propostas de solução de um problema que não é de agora e sim, histórico.

    FOCO: Alguns municípios de um modo geral atravessam uma grande crise administrativa, dito pelos próprios governantes e sentida na pele pela população. Como você vê o refl exo dessa crise por onde andou?

    CÀSSIO: Percebo nitidamente e acho que todos os nossos governantes municipais deveriam tomar como exemplo o novo modelo de gestão aplicado no Governo de Minas por Aécio Neves, chamado “Choque de Gestão” e depois de “Estado para Resultados”. Esses municípios teriam suas despesas administrativas reduzidas, podendo realizar investimentos. É recorrente as prefeituras gastarem o limite máximo permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal no Salário de Pessoal e muitas vezes desnecessariamente. É o famoso jargão: fazer mais com menos. Mas para isso, é preciso coragem e profissionalização.

    FOCO: A Lei “FICHA LIMPA” não pegou nessas eleições. O que você pensa a respeito?

    CÁSSIO: A lei foi aprovada à toque de caixa no período pré-eleitoral diante de um grande clamor popular, mas para que essa lei seja efi ciente, é necessário alguns ajustes, principalmente no Judiciário, para priorização do julgamento de processos de pessoas que queiram se candidatar. A lei só vale para pessoas que tiverem condenação por órgão colegiado, mas esses processos, via de regra, se arrastam anos após anos, o que prejudica a efetividade da lei e deixa nosso povo refém.

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    FOCO: Você deve ter escutado muitas reivindicações durante a campanha. O que o povo clama?

    CÁSSIO: Saúde. Principalmente aqui em Passos. E vejo que o problema é crônico. É preciso pensar em modelos inovadores e com um pouco mais de responsabilidade e respeito com os cidadãos. Não foi raro receber reclamações de pessoas que diziam não haver médicos nos Postos de Saúde e ainda que para fazer exames teriam que aguardar 2 meses. A questão do Emprego é outro ponto que foi bastante demandado. Precisamos qualificar a população para sonharmos posteriormente em trazer grandes indústrias, mais crescimento para as que já existem na cidade e fazer Passos voltar a figurar dentre as principais cidades do Sul de Minas. Hoje perdemos muito espaço no ranking do desenvolvimento regional.

    FOCO: Você tem ideia de como será o relacionamento com os demais deputados?

    CÁSSIO: Durante o tempo em que estive na Seds me relacionei com quase todos os 77 deputados. Fiz amizade com vários e creio que serei bem acolhido. Prova disso é que até ontem (3 dias após a eleição), recebi telefonemas de congratulações de diversos deputados estaduais e federais.

    FOCO: Agora que passou a eleição, como se sente?

    CÁSSIO: Posso dizer que me considero o representante dos aproximadamente 110 mil habitantes passenses e todos os demais da região. Digo isso, porque honrarei não só os votos confi ados, mas sim toda a população. Agradeço também a todos os candidatos da região pelo alto nível da campanha.

    FOCO: Na sua opinião, a vitória se deve a quem?

    CÁSSIO: Uma campanha eleitoral é complexa. Para uma vitória o grupo tem que ser harmonioso e competente. Independente do resultado da eleição já me senti vitorioso ao ter do meu lado, acreditando nas minhas propostas, pessoas ilibadas de sucesso político em Passos e região. Dentre tantos outros que levaram e avalizaram o meu nome junto à população, contei com uma equipe dedicada, entusiasmada e sempre confi ante, o que foi fator primordial. O Secretário de Defesa Social, Maurício Campos, os governadores Anastasia e Aécio Neves também foram pessoas que participaram e acreditaram no meu projeto, vieram aqui na cidade durante a campanha, deixando claro apoio ao nosso trabalho. O apoio de todos eles e da população que acreditou em mim foi fundamental para a minha vitória.

    Graciela Nasr

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