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Janeiro/Março 2020
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Homens podem dançar

  • A dança é a sua paixão e sempre o foi, tanto que aos seis anos já sabia que seria bailarino. Willian di Paula, natural de São Paulo, mas mineiro de criação, iniciou a sua carreira na Escola Passos de Dança e não parou mais. Hoje, aos 22 anos é integrante do Corpo de Dança Jovem do Palácio das Artes, em Belo Horizonte e sonha mais alto. Confi ra abaixo a trajetória desse jovem que aos 12 anos se mudou para Passos.

    Foco - Quem é Willian di Paula?

    WP - Bailarino, 22 anos, fi lho único de Ester Lucia, paulista de nascimento e mineiro de criação.

    Foco - Onde nasceu, cresceu e passou a adolescência?

    WP - Nasci em Ribeirão Preto-SP. Aos três meses de vida minha família mudou-se para Areado, no Sul de Minas. Aos 12 anos me mudei para Passos.

    Foco - Quando e como se interessou pela dança?

    WP - Desde pequeno dançava. Recordo- me que nas festinhas várias pessoas me observavam dançar. Eu afi rmava que dançaria profi ssionalmente, que seria bailarino. Uma vez uma tia me questionou se eu aguentaria carregar as meninas, que teria de ser forte. Eu devia ter uns seis anos e respondi que conseguiria; que ser bailarino era o meu sonho, mesmo sem saber o que era e como se fazia para viver da dança. Quando me mudei para Passos comecei a fazer teatro. Em uma participação na Paixão ao Vivo, com 13 anos, pude observar uma mulher linda dançando. Cheguei até ela e falei que tinha me encantado ao vê-la dançar, que tinha muita vontade de estudar dança. Essa mulher era Andréa Cury, que entusiasmada, me convidou a iniciar meus estudos em dança junto ao seu marido Ilídio Silva, na Escola Passos de Dança. E a partir daí tudo começou. Sempre tive o apoio da minha família, apoio incondicional da minha mãe, o que foi fundamental para o resultado do meu esforço.

    Foco - Quais as difi culdades que passou?

    WP - As difi culdades são diárias. Desde o início foi assim. O meu instrumento de trabalho é meu corpo e machucados e dores são constantes. Também tive de fazer dieta para chegar ao peso ideal. O desgaste além de físico é mental, decorar coreografi as, contagens, colocações, cada dia é uma nova descoberta. É como se o conhecimento não acabasse, procurar novas formas de fazer o mesmo movimento todos os dias, sem esquecer do “ser artista”, que tem a plateia e seu aplauso como inspiração para tanto esforço. Foco - Por que optou em sair de Passos?

    WP - Para um artista que quer viver da sua arte, principalmente sendo bailarino, morar em uma cidade do interior difi culta o processo de evolução. Chega uma hora que não é possível mais crescer. Já nas grandes cidades as oportunidades aparecem. Existem pessoas que trabalham em busca de novos talentos, concursos e cursos de dança, audições, professores, coreógrafos, bailarinos, que são conhecidos mundialmente e, que de uma forma ou de outra, sempre nos dão toques importantíssimos para nossa formação. Sem contar que o contato direto com a arte de várias formas e teatros bem estruturados nos dá possibilidade de evoluir dia após dia.

    Foco - Como é viver longe da família?

    WP - Viver longe da família é bem complicado e difícil. O início é a parte mais complicada. Estar “só” me fez amadurecer e crescer muito profi ssionalmente. Passei a dar valor a tudo que conquistei. Tenho uma rotina bem pesada, começo meu dia as 09:00 horas da manhã e termino minhas atividades as 22:40, entre aulas práticas, teóricas e ensaios. Vivo em função da dança 24 horas por dia.

    Foco - Ainda existe preconceito para o homem que é bailarino?

    WP - Vejo que esse “pré-conceito” do homem na dança tem sido amenizado com o passar dos anos. O número de meninos nas escolas de ballet tem aumentado consideravelmente, inclusive meninos novos incentivados pela família. A TV tem mostrado que homens não deixarão de ser homens ao dançar. Muito pelo contrário. Uma mulher se encanta ao ser bem conduzida por um homem que entende e sabe passos de dança, principalmente as danças de salão. Foco - Qual é seu conselho para quem quer fazer dança?

    WP - Toda pessoa que deseja dançar, seja profi ssionalmente ou não, deve procurar uma escola de dança, com profi ssionais capacitados para avaliar a capacidade física do aluno. Deve também conhecer o trabalho que a escola desenvolve identifi car-se com a proposta da escola é fundamental para que a rotina pesada não faça com que a pessoa desanime.

    Foco - Onde você atua hoje?

    WP - Atualmente, trabalho no Ballet Jovem do Palácio das Artes de Belo Horizonte. Uma companhia que visa o protagonismo juvenil e tenta preencher o espaço vazio entre a formação e a inserção no mercado de trabalho em companhias profi ssionais já estáveis no mercado brasileiro e mundial, com bailarinos de idades entre 15 e 28 anos.

    Foco - Quais são os seus projetos para o futuro?

    WP - Pretendo fazer audições para companhias maiores. Continuar vivendo da dança, dar aulas, passar para frente o que aprendi e o que sempre aprenderei, pois na dança, cada dia é um, cada emoção é única, cada sensação é intensa. O frio na barriga antes de entrar em cena é indescritível e intransferível, só quem viveu pode “tentar” transcrever.

    Willian di Paula
    Willian di Paula
    Willian di Paula
    Willian di Paula
    Willian di Paula

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