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Janeiro/Março 2020
Janeiro/Março 2020

Mulher

Não envelheça antes do tempo

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    Quando nos habituamos ao mundo que nos cerca acabamos ignorando os prazeres simples da vida e deixamos de lado as pequenas alegrias. Contra esse processo, que pode nos levar a um envelhecimento precoce, recomenda-se uma mudança de padrões e uma observação atenta (e encantada) do mundo que nos cerca.

    Em princípio, tudo que nos rodeia é mágico, brilhante, vivo, animado, interessante... O gorjeio dos pássaros, o sabor e a textura das coisas, a cor do céu, do por-do-sol, da natureza, dos olhos da pessoa amada... o movimento das nuvens, das ondas do mar... Então os anos passam... e a nossa reação a esses estímulos diminuem. Finalmente, ficamos insensíveis à sua beleza, vai havendo uma redução dos nossos sentidos e os estímulos, os prazeres simples, as pequenas alegrias, os detalhes... vão perdendo a qualidade pela força da repetição. Vamos aos poucos ficando habituados, desatentos, rígidos, endurecidos... desencantados...

    Ficar habituado é o que poderíamos chamar de “inconsciência”. “Consciência” para mim é viver desperto, inteiro, sintonizado no aqui-agora, é estarmos visceralmente atentos ao que fazemos a cada momento e “inconsciência” é viver fora do momento presente, é estar desatento ao mundo que nos rodeia, às pessoas e a nós mesmos, é não observar o que fazemos e agir mecanicamente. Significa permitir, voluntariamente, que as nossas mentes desperdicem tempo (precioso) pensando os seus pensamentos costumeiros, sonhando os seus sonhos costumeiros e repetir o mesmo mantra: eu quero, eu não quero, eu gosto, eu não gosto, eu lembro, eu esqueço, eu sou assim...

    Ao agirmos dessa maneira acionamos um mecanismo mental cumulativo que fecha a nossa consciência e empobrece a nossa percepção e passamos a interagir com o mundo no nível mais superfi cial através de ideias fixas, suposições preconcebidas e uma mente completamente fechada.

    Quando nos acreditamos experientes em lidar com o mundo tentamos fazer com que a massa de informação que chega até nós tenha um sentido consistente. Desenvolvemos sistemas ou categorias esteriotipadas para classificarmos os estímulos que nos alcançam. Porém esse mecanismo é limitado e passamos a acreditar que o céu tem sempre a mesma cor, que a natureza (infinita) que nos cerca seja de determinado jeito, que o odor e sabor da comida seja de determinada maneira e que determinadas pessoas digam (sempre) determinadas coisas.

    Perto da meia idade esse mecanismo se torna predominante em nós, censurando, classificando, distorcendo, julgando, supondo, rotinizando, automatizando tudo que vemos, sentimos, pensamos... O ficar habituado se estabelece, por exemplo, quando não escutamos mais o que as pessoas estão nos dizendo (porque nossas noções preconcebidas nos dizem que já sabemos a verdade, quando ficamos entorpecidos diante de tanta beleza que nos cerca, quando nos ouvimos expressar as mesmas (e desgastadas) opiniões, quando nos pegamos contando as mesmas histórias (exatamente da mesma maneira). É supor sem entender, julgar sem avaliar, reagir a partir de reflexos, não gostar sem experimentar... Você deve estar se perguntando como escapamos dessa armadilha?

    Estando atento, desperto, mantendo a curiosidade, procurando fazer e aprender coisas novas, abandonando o piloto automático, redescobrindo (dia a dia) o prazer de estar vivo. Procure viajar mais, pois em situações diferentes tendemos a afrouxar as garras do hábito. Cores, sons, gostos, odores... parecem mais vívidos quando estamos viajando ou em novos ambientes. E não se esqueça viva plenamente e intensamente cada momento, pois a vida já é muito curta para que a façamos pequena.

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    Gizele Rabelo
    Terapeuta Oriental (Feng Shui, Astrologia Chinesa, Toque Terapêutico)
    (35) 3522-0339

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