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Nov/Dez 2019
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Atualidades

Sudão do Sul é o país mais novo e mais pobre do mundo

  • ASSUNTO DE VESTIBULAR

    No dia 9 de julho um novo país surgiu na Áfrip ca: o Sudão do Sul. Nasce em pobreza absoluta, arrasado por meio século de guerras, abalado por conflitos étnicos. O Sudão do Sul nasce como um ex-pedaço de um país maior (o Sudão propriamente dito), após um referendo em janeiro, quando 99,5% da população do sul votou a favor de separação e independência em relação ao norte. O Sudão maior cedeu, após resistir à força por meio século ao movimento separatista do sul. A guerra interna durava desde a conquista da independência do país em 1956. A luta fratricida experimentou poucos intervalos de paz desde então, até que as partes em conflito chegaram a um acordo de paz em 2005.

    Começou então um período de relativa autonomia, seguido de referendo e, agora, a independência. As 16 milhões de pessoas que ali vivem passam a ter um país próprio, com nome, capital, bandeira e cadeira na ONU. Mas sem hospitais, clínicas, estradas, eletricidade, saneamento, serviços básicos. Existe ainda a questão do petróleo, que está concentrado em uma bacia comum, onde cerca de 15% dos poços estão no sul do Sudão e 85% no norte do Sudão do Sul. O maior problema é o único oleoduto existente, que transporta e evacua o petróleo bruto pertencente ao norte, que também é dono das refinarias e do porto de embarque. O acordo de 2005 estipula uma divisão meio a meio desta riqueza entre o norte e o sul, mas as partes ainda não assinaram um acordo claro sobre isso. E já surgem declarações agressivas de parte a parte.

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    Enfrenta-se ainda, no Sudão do Sul, um problema comum em um continente fatiado por colonizadores europeus, que desenharam fronteiras sem levar em conta a distribuição das etnias locais. Árabes, cristãos, animistas p q e outros entram em conflito regularmente. Como também ocorre com frequência em países recém-independentes, sob o clima de euforia com o novo status, é grande a expectativa da população de que, como num passe de mágica, seus problemas sejam resolvidos pelo novo governo. Só que, na prática, não há recursos para isso. O novo governo espera receber ajuda externa. É alta a possibilidade de se ver à frente, não uma nova e próspera Botsuana, mas uma nova e falida Eritréia.

    Foi no filme Khartoum – a batalha do Nilo, de 1966, que o Sudão foi apresentado em larga escala ao mundo ocidental. Charlton Heston faz o papel de um general inglês e Laurence Olivier, com o rosto maquiado de africano, representa um líder islâmico rebelde. O fato existiu. É a revolda mahdista, do final do século XIX. Mas é um filme inglês, sobre como os ingleses tentaram salvar os sudaneses dos próprios sudaneses. De qualquer forma, fica aí a sugestão.

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