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Nov/Dez 2019
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Saúde

Mãos dadas Mãos abençoadas - Amor que transforma vidas

  • Ana Paula Médici Assunção
  • Motivadas pela vontade de fazer o bem aos mais necessitados, um grupo de mulheres resolveu unir forças para realizar uma série de trabalhos voluntários, que vai desde o apoio a pacientes do Hospital Regional do Câncer até a assistência a famílias carentes.

    Na foto, algumas integrantes do grupo.  Em pé da esq. para a dir.: Paula Peres, Gleyna Reis, Giovanna Simão, Débora Maia, Eloisa Silveira. Sentadas da esq. para a dir.: Tânia Mara Andrade Castro, Ana Paula Assunção e Ana Paula Freitas. Atualmente o grupo é composto por 34 mulheres.
    Na foto, algumas integrantes do grupo. Em pé da esq. para a dir.: Paula Peres, Gleyna Reis, Giovanna Simão, Débora Maia, Eloisa Silveira. Sentadas da esq. para a dir.: Tânia Mara Andrade Castro, Ana Paula Assunção e Ana Paula Freitas. Atualmente o grupo é composto por 34 mulheres.

     

     

     

    O projeto “Mãos Dadas, Mãos Abençoadas”, surgiu em março de 2017. Idealizado pela advogada Ana Paula Médici Assunção, o grupo logo ganhou a adesão de outras mulheres que já tinham interesse pelo trabalho voluntário. Atualmente o projeto é composto por 34 mulheres, que contribuem com a quantia de R$20,00 por mês, e que se organizam de forma coletiva para realizar diversos trabalhos voluntários em Passos.
    O grupo faz um trabalho de apoio com as crianças que fazem tratamento no Hospital Regional do Câncer (HRC) e visitam famílias necessitadas em diversos bairros da cidade, e até na zona rural. “A gente ficava sabendo pelas mídias sociais de famílias que precisavam de ajuda, ou através da Igreja, já que todas do grupo são muito religiosas, mesmo professando religiões diferentes. Entre as regras do grupo estão a não publicação de fotos sobre o trabalho, até para não expor as pessoas que recebem a ajuda”, explica Ana Paula.
    Uma das primeiras inciativas do projeto foi fazer a doação de um ipad para as crianças que estão internadas no Hospital do Câncer, como forma de preencher o tempo delas e de levar um pouco de alegria e distração para essas crianças, já que passam a maior parte do tempo, quando não estão em tratamento, sem ter o que fazer. Foi quando o grupo recebeu o convite para coordenar a brinquedoteca do Hospital do Câncer.

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    “É mais do que um trabalho voluntário, é um compromisso!

    A gente se apaixona pelas crianças, elas estão ali passando por um tratamento muito pesado, é necessário esse apoio. Para quem ajuda no Hospital do Câncer são necessários uma série de procedimentos, tem que passar por um treinamento, ter orientações sobre como lidar com as crianças. Tivemos que tomar vacinas, existem muitas regras que têm que ser respeitadas. Tem que ter muita responsabilidade”, afirma Ana Paula.

    “Eu vou para ajudar e saio ajudada. A gente tem que agradecer por tudo que nós temos, pois quando a gente vê a luta dessas crianças pela vida e de suas famílias, a gente passa a enxergar a vida de um jeito diferente, e percebe que os nossos problemas são muito pequenos. Nós recebemos todo o suporte dos profissionais do Hospital do Câncer, psicóloga, terapeuta ocupacional, que nos dão o suporte necessário para que a gente possa fazer esse trabalho”, ressalta Tânia Mara Andrade Castro, uma das integrantes do grupo.

    As voluntárias que ajudam no Hospital do Câncer vão em grupos de duas ou três, uma vez por semana, já que com menos pessoas é mais fácil para dar uma atenção maior para as crianças, brincar com elas. O grupo também procura dar apoio aos pais das crianças que estão internadas e demais familiares. “O mais importante é o vínculo afetivo que a gente desenvolve com as crianças e com as famílias, não tem como não se envolver emocionalmente, os pais desabafam com a gente. Cada uma de nós cria uma afinidade especial com essas crianças”, ressaltam.
    “É muito gratificante ajudar tanto no Hospital do Câncer quanto as famílias. Hoje a gente não consegue ver uma pessoa em situação de dificuldade e não se emocionar. A gente não consegue ver uma criança passando fome perto de um restaurante e não se comover”, afirma Paula Castella Peres, outra integrante do grupo.

    “Só de ouvir, de conversar com essas pessoas elas já ficam felizes. Os pais ficam lá o dia todo, sem ter o que fazer, é muito bom dar esse apoio, esse ombro amigo para os familiares, quando tem uma doença na família é muito doído para todos os parentes, eles também precisam desse apoio”, destaca Tânia.

    A assistente social Débora Maia Lemos Crisóstomo é a responsável por coordenar o trabalho de apoio às famílias carentes. As visitas são feitas nas casas das próprias famílias para verificar a real situação de como elas vivem, e quais são suas necessidades mais urgentes.
     

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    “Nós procuramos ajudar e ao mesmo tempo fazer uma série de esclarecimentos sobre os direitos que essas pessoas têm, e elas não sabem. Nós esclarecemos sobre alguns programas do Governo, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) que garante descontos nas contas de água e energia elétrica, ou quando estão com a pensão alimentícia atrasada, entre outras situações. Nós procuramos encaminhá-las para os órgãos de apoio e ajudar no que for preciso. Fazemos doações de roupas, cestas básicas, produtos de limpeza, encaminhamento para a colocação de próteses, sempre procurando amenizar as lacunas existenciais tão frequentes nos dias atuais”, salienta Débora, que afirma ainda que em alguns casos o grupo já ajudou pessoas até a conseguirem emprego.

    O grupo já realizou trabalhos em algumas entidades, como o Recanto Geriátrico, Creche Santo Agostinho, Cantina Dona Bernadete Lemos, Lar São Vicente de Paulo, entre outros. Elas também recebem apoio de empresários e pessoas dispostas a ajudar.

    “Hoje podemos dizer que estamos plantando uma semente do bem, nosso trabalho ainda é pequeno e limitado pelas condições, mas já chama a sociedade a uma conscientização, a não ficar indiferente diante das situações de injustiça social que se apresentam. Não buscamos qualquer reconhecimento, apenas cumprimos com nosso dever de transformar esse mundo em um lugar melhor para as futuras gerações, mas buscamos sim, estimular que novas pessoas tenham esta mesma iniciativa de estender a mão aos pobres e excluídos, transformando nossa realidade de indiferença em algo mais humano e solidário, onde os valores possam ser resgatados para que isso transforme não só o mundo em que vivemos, mas principalmente cada um de nós”, finalizam as integrantes do “Mãos Dadas, Mãos Abençoadas”.

     

    Renato Rodrigues Delfraro

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