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Janeiro/Março 2020
Janeiro/Março 2020

Homem

AIPÉDI

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    Pela primeira vez estou escrevendo uma crônica usando um Ipad.

    — E daí? E eu com isso? Questiona, cheio de razão, o leitor.

    Justifico que faço isso apenas porque acho interessante registrar que pela primeira vez não preciso desenhar as curvilíneas formas das letras e nem tenho sob meus dedos as teclas móveis, com as quais junto letras compondo palavras. Estou tamborilando sobre uma superfície lisa e brilhante de um vidro, onde uma imagem de um teclado surgiu como num passe de mágica apenas com um sutil toque na tela. E conforme giro essa geringonça, ele gira também correndo atrás de meus movimentos, numa esperteza felina para nunca ficar de cabeça para baixo.

    Entretanto, é um pouco desconfortável para digitar. E faltam teclas! Ou talvez elas estejam tão bem escondidas que ainda não as encontrei dentro desse misterioso aparelho. Também com esse hábito doentio que cultivo, de insistir em escrever mais de 140 caracteres...

    E catar milho é a regra. De pouco adianta a agilidade de exímio datilógrafo, pois as letras deste teclado virtual se transmutam em números e símbolos quase que por vontade própria. Devagar e sempre...

    Lembro-me dos relatos dos meus escritores favoritos sobre as agruras de abandonar as antigas máquinas de escrever quando do advento dos computadores. E não se tratava, segundo eles, apenas da questão técnica de verem- se obrigados a aprender uma nova tecnologia que por sua praticidade e versatilidade atropelava a passos largos aquela anterior. Tratava-se de uma questão sentimental! Como abandonar aquela máquina de escrever Remington Intimorata, companheira e confi dente de tantos anos. Como abandonar o ritual quase sagrado de colocar e ajustar o papel na máquina? E como privar os ouvidos daquele batuque característico dos tipos sobre o papel, marcando como um metrônomo o ritmo da evolução do texto? Pois as vantagens enormes trazidas pelo computador sobrepujaram a tradição, costumes e o sentimentalismo nostálgico, empurrando o passado para os museus.

    Agora é essa placa de vidro tatiscrim e uaifai, que pretende substituir tudo isso. Não chega a ser uma revolução, mas uma evolução, juntando tudo, tela, teclado, e toda a traquitana que faz um computador funcionar nessa prancheta eletrônica.

    Para essa nova geração on line que tem um relacionamento quase fisiológico com a internet e os meios eletrônicos, imagino que essa tecnologia deva encantar ainda mais que a mim, que pouco sei explorar seus recursos; Que são infindáveis! A cada instante surge uma nova inutilidade entre jogos e aplicativos para você baixar da rede e se questionar como conseguiu viver sem aquilo até agora.

    Enfim, é um brinquedo legal, inovador e descolado, mas tenha muito cuidado. Não pode cair de jeito nenhum, senão...

    Alguém aí sabe de algum APP antigravitacional Free? Mandem pra mim por e.mail. Vlw!

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    Magela Oliveira
    Publicitário Agência Wikimídia
    e-mail: [email protected]

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