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Janeiro/Março 2020
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Comunidade

Uma cidade sem pombos

  • O aumento da população de pombos em Passos tem causado transtornos para a população, que pode contribuir para amenizar o problema se adotar algumas medidas preventivas.

    Como conviver com os pombos domésticos sem colocar em risco a saúde pública. Esse é o grande desafio de muitos profissionais que atuam na vigilância epidemiológica.
    Nos últimos anos, o aumento da população dessas aves é evidente. Pelas ruas, praças e nos pontos mais altos da cidade elas estão lá. Mas o que causou esse desequilíbrio? Por que parece não ter solução o convívio saudável entre as aves e o homem?

     

    Érika Andrade, a Médica Veterinária da Vigilância Epidemiológica,
    Érika Andrade, a Médica Veterinária da Vigilância Epidemiológica,

    Os pombos domésticos não são aves naturais das Américas. Foram introduzidos no Brasil pelos europeus no século XVI. Adaptaram-se bem ao encontrar alimento fácil e abrigo, o que originou o crescimento da espécie. Embora tenha sido introduzida no Brasil pelos europeus é classificada como uma ave silvestre. Diante desse fato, qualquer ação contra uma das aves pode levar a penalidade conforme legislação brasileira em vigor. Várias questões envolvem o aumento da população de pombos domésticos, entre elas está a simbologia que a ave representa da paz e do Espírito Santo.

    Projeto Piloto

    Em Passos, a Médica Veterinária Érika Andrade, da Vigilância Epidemiológica, trabalha em projeto piloto, no presídio, que prevê uma boa convivência entre as aves e o homem. Por ser um dos locais de aglomeração de pessoas, a alta população de pombos poderia causar contaminações.

    No presídio, Érika fez levantamenç to dos pontos fracos e encaminhou um relatório aos administradores para adequação das medidas. Entre as propostas de manejo está o destino dos restos de alimentos, de forma que não fiquem resíduos que se transformam em alimentos para as aves; a remoção de ninhos e a vedação dos locais de abrigo, a aplicação de acessórios que difi cultam o pouso das aves. Embora o projeto esteja no início da implantação, os primeiros resultados já mostram a redução de pombos no local.

    Os pombos, se contaminados, transmitem doenças ao homem que tem contato com suas fezes, ou mesmo se estas fezes estiverem em alimentos como verduras, frutas e alimentos que eventualmente estiverem em ambientes abertos passíveis de serem contaminados. Entre as possíveis doenças estão: criptococose, histoplasmose, ornitose, salmonelose, encefalite, dermatites e alergias respiratórias.

    Além das doenças, as fezes dos pombos são ácidas e podem causar danos à pintura de veículos e ao patrimônio histórico e artístico. O acúmulo de penas, fezes e restos de ninhos pode causar entupimentos em calhas ou tubulações. Em locais onde há concentração dessas aves pode haver proliferação de ratos, baratas e moscas.

    Ainda segundo Érika, a população pode contribuir para o equilíbrio desse sistema através de várias medidas. A primeira delas é a limpeza e a organização. “Não é uma medida fácil” destaca Érika, mas segundo ela a parceria entre prefeitura e a população é essencial para que o aumento da população de pombos não cause outros problemas para a saúde pública. “Nesse mês estamos trabalhando na campanha contra dengue, mas estamos abertos a qualquer pessoa ou instituição que precise da nossa orientação”, disse a veterinária.

    Acima: um exemplo dos problemas causados pela infestação de pombos domésticos. Abaixo: umas das propostas para solucionar este problema.
    Acima: um exemplo dos problemas causados pela infestação de pombos domésticos. Abaixo: umas das propostas para solucionar este problema.

    Ações

    Entre as ações sugeridas para evitar que os pombos se abriguem sobre casas e façam seus ninhos estão a eliminação dos 4 As: Acesso; abrigo; alimento e água. Limpeza é fundamental como o fechamento dos acessos que podem se transformar em possíveis abrigos. A implantação de acessórios que difi cultem o pouso estável das aves é importante para que as mesmas não voltem ao local. As pessoas que têm cachorro devem educá-lo para o horário das refeições, de forma que os restos de ração não venham a se transformar em alimentos para os pombos.

    Para a limpeza das áreas algumas medidas devem ser adotadas, uma vez que a transmissão de doenças se dá pelas fezes dos pombos. A maneira correta é utilizar equipamentos de proteção como botas e luvas. Deve se utilizar o cloro para a desinfecção das áreas e evitar o uso imediato da vassoura, para que não aja contaminação das vias respiratórias, através da suspensão de aerossóis. O lixo sendo acondicionado devidamente difi culta ação das aves melhorando a higiene ambiental. A limpeza deve estar em todos os lugares, pois se há fatores de risco na casa do vizinho o problema poderá não ter solução. Uma ação consciente é não alimentar os pombos, pois essa atitude pode trazer graves consequências para o aumento da população dessas aves.

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