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Nov/Dez 2019
 Nov/Dez 2019

Homem

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  • Ninguém sabe ao certo quando, nem como se deu aquele fato fantástico. Simplesmente aconteceu. É, g assim, do nada. Simplesmente aconteceu.

    Bruno, um adolescente como outro qualquer, estava em sua casa à tarde, fazendo as lições do colégio, quando de repente, não mais que de repente, recebeu um e.mail. Ele ficou paralisado por um instante e após a paralisia passou para a perplexidade.

    Mas tudo isso só por receber um e.mail? Isso é a coisa mais corriqueira da atualidade. Eu mesmo recebo tantos que nem consigo ler todos que chegam todos os dias.

    Sim, sim, parece exagero, mas não é! O fato é que o Bruno recebeu um e.mail sem estar utilizando equipamento nenhum! Ele recebeu um e.mail em sua mente, diretamente no seu cérebro.

    Ele estava lá, ocupado com suas lições quando percebeu nitidamente em sua mente, que recebera um e.mail no formato padrão, com remetente, assunto e mensagem. Algo assim como uma telepatia cibernética.

    No início, assustado e receoso, guardou segredo enquanto sua caixa postal mental se enchia de mensagens com as quais ainda não sabia lidar. Como responder, como apagar e, meu Deus, será que vou receber spam e correntes também? Desesperava-se o jovem.

    Estava se sentindo como todos nós também nos sentimos quando trocamos de navegador e ficamos à deriva no oceano virtual sem saber muito bem o que fazer.

    Aos poucos ele foi se adaptando e até gostando daquela novidade. Aprendeu a responder e a deletar e passou a se sentir um ser privilegiado, apesar de enfrentar a descrença daqueles para quem contava o que estava ocorrendo.

    Quando o chamavam de louco, porém, preferia pensar que aquele dom era uma evolução genética inexorável pela qual a humanidade passaria e o que era extraordinário hoje, certamente seria comum no futuro.

    Isso mesmo, este seria o futuro da intercomunicação humana, finalmente livre dos gadgets, dos famigerados fios e das baterias.

    Os amigos se divertiam passando e.mails de seus note ou netbooks, celulares, tablets, enquanto ele respondia mentalmente e nas provas, agora, só tirava notas máximas, pois enviava previamente para si mesmo toda a matéria da prova, que acessava sem que os professores percebessem. Tornou-se uma celebridade na escola.

    Todos queriam saber como ele conseguia aquele prodígio e sua fama correu e ultrapassou os limites da escola, do bairro, da cidade...

    Um dia desapareceu misteriosamente, e os comentários de que havia sido abduzido ou que enlouquecera de vez, tomaram conta das conversas na escola, mas assim como desaparecera, ressurgiu, dias depois, lépido e jovial, como se nada houvesse acontecido, com seu talento intacto e conectado acima dos 100mbs.

    Ninguém sabe o que aconteceu, mas o pessoal do time de futebol do qual ele participa, e que convive com ele no vestiário do ginásio, jura que agora ele tem uma tatuagem com a logomarca do Google.

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    Magela Oliveira
    Publicitário Agência Wikimídia
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