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Janeiro/Março 2020
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O negócio deles é lama, poeira, suor e desafio!

  • Tereza Sawaya e Patrícia Bonfim num momento de pura aventura.
    Tereza Sawaya e Patrícia Bonfim num momento de pura aventura.

    Eles enxergam a atividade como um estilo de vida, muito mais que um simples hobby. Os gastos para manter o veículo são muitos mas a paixão pela atividade não tem preço: cada centavo vale a pena. Fundado em Passos, em novembro de 2010, o Jeep Clube de Passos (JCP) já coleciona viagens e passeios inesquecíveis por trilhas exóticas e belas. Para a maioria desses aventureiros, ser jipeiro é a legítima união da liberdade com a natureza.

    O dia para os amantes do universo automobilístico off-road, começa cedo. Quanto mais próximo da aurora, melhor. Com hora e local marcados, Willys, Suzukis, Trollers, JPGs e outros sobrenomes se encontram ávidos para interagir com a natureza por trilhas que cobram talento de seus condutores.

    A engenhosidade e a criatividade se unem ao espírito aventureiro desses 20 integrantes do JCP, que enxergam em suas máquinas mais que uma simples atividade, um estilo de vida mesmo.

    Uns são mais altos, outros têm rodas enormes. Uns cobertos de lama, outros de poeira. Dentro dos veículos uma parafernália de equipamentos e mantimentos. Nos momentos de descanso, muita conversa e troca de informações. Assim é a vida desse grupo de Passos que costuma viajar para locais que permitam o máximo de isolamento da civilização para explorar trilhas muitas vezes desconhecidas. (Confira uma das aventuras do JCP no http://www.youtube.com/watch?v=C-Rj- MUFEgqI.)

    A ideia de fundar o clube partiu do presidente do JCP, Paulo Daher Júnior e de alguns amigos mais chegados. Aos poucos, outros interessados foram chegando e a família não para de crescer. “Viramos uma família mesmo, não é exagero dizer! Todas as noites de quinta-feira nos reunimos e combinamos aonde vamos, as trilhas e os possíveis obstáculos pelo caminho que, para a maioria dos jipeiros, é o grande barato da viagem. Mas para isso todos têm que concordar e ter aprovação unânime do grupo”, explica Patrícia Carla Bonfi m Silva, a secretária do JCP.

    Membros do Jeep Clube de Passos e seus familiares: entidade voltada para a diversão e também para a fi lantropia.
    Membros do Jeep Clube de Passos e seus familiares: entidade voltada para a diversão e também para a fi lantropia.

     

    Conforme Patrícia, o estatuto do clube ainda está em fase de reestruturação, mas alguns tópicos são essenciais para quem deseja ser associado. A 1ª condição é ter um veículo 4X4. Outra exigência é frequentar todos os eventos que o grupo realizar, exceto por algum motivo grave e, por último, ter uma boa conduta, que na opinião de todos, é de fundamental importância.

    Outra grande virtude do estatuto do JCP, é ter como fi losofi a um envolvimento com a sociedade, como bem explica a diretora de marketing do JCP, Tereza Sawaya Cunha. Já foi feito em Passos uma Campanha de arrecadação de Agasalhos, revela Tereza. Conta também que cada associado paga uma pequena mensalidade e que esse dinheiro fica retido em um fundo do clube para ser usado em algum evento. Caso o grupo acabe um dia, o dinheiro arrecadado não voltará para os seus sócios, o mesmo já tem destino certo: o HRC (Hospital Regional do Câncer de Passos).

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    Tereza Sawaya observa que o JCP é muito mais que um grupo apaixonado por jipes, é uma coisa que vai além. “Não são só reuniões, discussões de encontros e realizações de trilhas. São momentos ímpares que vivemos para estreitarmos laços e não deixarmos a equipe morrer”, diz Tereza completando; “Existe uma aproximação intensa com o outro porque se no meio do comboio um carro quebrar, paramos e damos o suporte. Existe muito essa coisa de união!”, relataTereza.

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    Os cuidados em se tratando de esportes radicais são redobrados quando o grupo vai fazer uma trilha. Patrícia Bonfim revela que o Varlei Alves, também integrante do JCP sempre vai antes para saber se dá para o comboio passar. “Cada um no grupo ajuda como pode. Temos essa preocupação antes de ir e durante o percurso, por esta razão o Varlei faz a verifi cação das condições do percurso a ser trilhado. A maioria dos jipes são equipados com rádio de comunicação para saber se está tudo ok com todos”, revela Patrícia. “O cuidado tem que ser grande já que exploramos áreas onde muitas vezes é pura poeira, gente caminhando no meio dessa poeira toda”, emenda Tereza.

    Para todos os associados, ter afinidade e se identificar com o veículo é o primeiro passo para se filiar a um grupo. Depois vem a questão de ser aventureiro, de saber curtir e apreciar a natureza e sobretudo procurar por desafios. Se até aí tudo bem, o resto se conquista no convívio com os integrantes: respeito mútuo, conceito de família e responsabilidade social. Porque ser jipeiro para esse grupo, é acreditar nos valores humanos difundidos através do esporte e a partir deles, ter a oportunidade de expandir o círculo de verdadeiras amizades.

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