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Atualidades

A criação do Estado palestino - parte II

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    A Cisjordânia e a Faixa de Gaza foram conquistadas por Israel em 1967, na Guerra dos Seis Dias, quando estavam sob controle da Jordânia e do Egito, respectivamente, derrotados no confl ito. Os árabes que viviam ali foram expulsos ou se retiraram para campos de refugiados. Os judeus, estimulados pelo governo, começaram a criar assentamentos em Gaza e na Cisjordânia. Um Estado Palestino daria um senso de orgulho e identidade nacional. Soberania verdadeira é outra história.

    Durante a perseguição nazista, na II Guerra Mundial (1939-1945), o fluxo migratório de judeus se intensifi cou para a região conhecida como Palestina. Em 1947, a ONU propôs a divisão do território, formando dois Estados independentes. Jerusalém, cidade considerada sagrada, foi colocada sob controle internacional, para evitar conflitos. Os palestinos não aceitaram a proposta, porque consideram que o plano de partilha era claramente injusto: um terço da população, que era judaica, tinha apenas 7% do território e a ONU deu a ela 55% do território. Os palestinos eram maioria e ficaram com 45%. O resultado é que ele foi rejeitado, não apenas pelos palestinos, mas também pela Liga Árabe.

    Mesmo negando o status Estado, a Assembleia Geral pode promover a representação palestina de “ENTIDADE” - que é o que tem agora - para a mesma categoria que é dada ao Vaticano: a de um “ESTADO observador”.

    E esta é a razão pela qual os israelenses subitamente se deram conta de que isso pode representar um problema. Como um ESTADO observador, eles teriam acesso a qualquer outra organização das Nações Unidas (FMI, Banco Mundial, etc), a tribunais internacionais - podendo abrir processos contra o governo israelense por conta das áreas invadidas - e, o mais importante, é que eles poderão assinar e ratificar tratados internacionais, como o Estatuto de Roma para a Corte Internacional Criminal, impedindo qualquer ação militar israelense num território palestino legalmente reconhecido e atado à comunidade internacional. (até a finalização deste artigo, o Conselho de Segurança não havia se pronunciado).

    Diante deste cenário, existe um plano para o que seria o próximo estágio? Esta é uma pergunta importante para a qual não existe uma resposta clara. Os palestinos não estão imunes ao que acontece no mundo árabe. Há uma nova geração de jovens palestinos em toda parte - não apenas em Gaza ou na Cisjordânia, mas também na diáspora – inspirada, talvez, pelo espírito da Primavera Árabe. p j A experiência palestina é de ocupação, exílio ou cidadania de segunda classe: se vive em Israel, é um cidadão de segunda classe; se vive na Cisjordânia, vive na ocupação e, se pertence à Diáspora, está no exílio. Essa é a realidade da população, que nos leva a pensar que algo novo pode emergir.

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    Murilo de Pádua Andrade Filho
    Professor de Geografia em Passos, Franca e Ribeirão Preto

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