Última Edição
Jul / Ago 2019
Jul / Ago 2019

Assinatura Online

Recebe a última edição da
Foco Magazine no conforto
de seu endereço!

Encontro de talentos

A ARTE NA CONQUISTA DO AMOR

  •  

    Antonio, 46 anos e Daniela, 36 anos com sua família reunida - fruto desse amor tão lindo: Júlia - 12 anos; Lucas - 5 anos; Ana Laura - 16 anos.
    Antonio, 46 anos e Daniela, 36 anos com sua família reunida - fruto desse amor tão lindo: Júlia - 12 anos; Lucas - 5 anos; Ana Laura - 16 anos.

    Devemos amar para conhecer, como dizia Platão e Santo Agostinho; ou devemos conhecer para poder amar, como asseverava Aristóteles e São Tomás de Aquino? Como responder? Esta é a história de duas pessoas que se encontraram na arte, em que o conhecimento e o amor foram caminhando lado a lado com a descoberta dos talentos.

    Antonio José, jovem adulto, com seus vinte e poucos anos; ela, Daniela, adolescente, com seus quatorze anos. O que havia em comum entre eles? A não ser o fato da irmã dela trabalhar com ele, nada! Pois não é que o destino os quis juntos! Tudo aconteceu numa viagem a Caldas Novas, organizada pela mãe de Daniela.

    Assim que chegaram, ainda de manhã, ao vê-la passar, algo chamou a atenção de Antonio. Não sabia o que era, parecia um grito interior dizendo que era ela. Daí em diante não mais desgrudaram. Eram conversas, passeios, troca de cartões com poesias... Apaixonaram-se!!!

    O sentimento era tão forte que os talentos que eles possuíam afloraram. Antonio comprava cartões e fazia quadrinhas com rimas para ela. Ao angariar o seu sorriso, dava como recebida sua recompensa. E assim, durante todos os três anos de namoro, ele trabalhando com a irmã dela, como Escrevente do Tribunal de Justiça no Fórum de Franca; e ela fazendo magistério. Não importava, pois sempre se encontrava um tempo para se encontrarem, onde ele entregava todos os dias poesia que fora escrita sob inspiração dela e a ela era dedicada.

    Foram tantos escritos que foram preciso caixas para guardá-los. O aprendiz de poeta estava vivendo sua fase mais criativa, pois acabara de conhecer o amor, estava amando e, diante disto, se conhecia melhor. Não importava, a felicidade estava ali, impregnada.

    Ela, ainda adolescente, debutante, começara um namoro com um rapaz dez anos mais velho, “amante à moda antiga”, daqueles que forram o chão com um lenço para que a dama possa se sentar; daqueles que abrem a porta do carro para a donzela adentrar; daqueles que oferecem rosas sempre que possível; daqueles que escrevem poesias e fazem serenatas à noite para impressionar a mulher amada.

    Daniela era jogadora de basquete na escola, esportista talentosa, a aluna mais querida da turma. Com uma capacidade ímpar de conciliar o seu tempo, permaneceu jogando, estudando, namorando e, sabe-se se por inspiração, começou a tocar violão. Primeira música que ela aprendeu “Como eu Quero”, do grupo Kid Abelha foi tocada e cantada para ele.

    Este dom de cantar desabrochou no conhecer o amor e nunca mais desapareceu. Foi além: modificou a vida de ambos!

    Como Antonio “tocava” teclado animando a missa das 10h00 do domingo na paróquia São Judas Tadeu, em Franca - SP, onde morava. Ela começou a cantar para os outros e para Deus e o seu talento simplesmente cresceu e se tornou parte de seu jeito de ser, de sua própria existência.

    Já na Catedral Nossa Senhora da Conceição faziam parte do grupo de salmistas. Não demorou a chegar os convites para tocarem e cantarem em casamentos. Foram muitos... Faziam de tudo, inclusive com a ajuda da mãe de Daniela, que era mais que uma sogra: uma mãezona. Ajudavam os noivos nos detalhes da celebração, faziam os folhetos, ajudavam na escolha das leituras, na distribuição dos padrinhos, no ritmo da entrada, nas daminhas, enfim, tudo.

    No dia, enquanto ele tocava, bastava olhar para Daniela. Ela parecia entrar em transe: fechava os olhos, jogava a cabeça um pouco para o lado direito, juntava as mãos em torno do microfone e rezava cantando ou cantava rezando! Parecia um anjo com tal luminosidade que a todos encantava. Era comum as pessoas irem cumprimentá-la, ou pedirem para cantar mais uma música, pois não só deixava a celebração mais bonita, como contagiava os corações fazendo-os bater no ritmo da oração que ela entoava.

    Esta união de talentos, ele na escrita e no teclado; ela na voz, na sensibilidade e no encanto, tornou-os um, a tal ponto de não haver Antonio e Daniela, mas um só: TonyDany. Até hoje, esta é a realidade embalada pelos seus talentos.

    A filha primogênita foi gerada e embalada pela música, em todos os momentos das celebrações na Igreja, nas celebrações do Matrimônio, inclusive em outros templos de outras religiões, pois a música congrega e isto, Daniela sabe fazer como ninguém.

    Na festa de quinze anos da filha, a valsa estava escolhida desde há muito: seria o tema do filme Anastácia, um desenho animado da Disney. Chegaram à conclusão que deviam contar a história da família, aproveitando a música. E assim o fizeram, juntos, como sempre!

    Foi emocionante! Enquanto Antonio embalava sua filha pelo salão, utilizando de seu direito de pai em valsear com a debutante; a Dany, por sua vez,  contava cantando lindamente a história de suas vidas, concretizada nos quinze anos da filha. Mais uma vez os talentos que possuíam fizeram-nos mais unidos, mais juntos, mais um!

    Até hoje, entre uma carícia e outra, entre um olhar ainda apaixonado e um afago, sentam-se próximo ao teclado que guardam com carinho, e ao dedilharem algumas notas conseguem rememorar momentos e músicas são entoadas por um casal que se tornou apaixonado e eternamente enamorado pela e com a arte.

    Escreveram sua história e continuam a escrevê-la, agora com um grupo de apoio super afinado que são os filhos, em que a arte vai se perpetuando: a Ana Laura faz lindos desenhos, gosta de violão e já toca teclado; a Júlia escreve como poucos, arranha o teclado e adora cantar; já o Lucas... é o artista em pessoa pois já pinta o sete!

    Não importa, conheceram e se amaram, concomitantemente, tendo como inspiração a arte que cada um traz dentro de si. Parecia que o pulsar do coração é um ritmo vivificante que traz à tona os sons que cada pessoa guarda em si, origem da Grande Criação quando Deus, na sua Bondade, tornou possíveis os sonhos e colocou em cada pessoa o gérmen da Grande Sinfonia do Universo. Deveras, cada ser humano é uma nota da imensa música da vida.

    TEXTO ESCRITO POR ANTONIO JOSÉ DE OLIVEIRA

    Formatura de Daniela onde Antonio tocou e Daniela cantou ?Coração de Estudante?.
    Antonio José de Oliveira e Daniela de Andrade Martins Oliveira casaram-se em 1993...
    ... e hoje, após 18 anos o amor e a cumplicidade é ainda maior.

    © 2019 Foco Magazine. Todos os direitos resevados.