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Janeiro/Março 2020
Janeiro/Março 2020

Homem

Violência

  • Era uma vez... Era uma vez... Era uma vez... Bang! Bang! Era uma vez um contador de histórias.

     

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    Tecnologia

     

    – Esse menino fica o dia todo brincando com estas pedras lascadas! Isso não deve ser boa coisa... reclamou o pai, um hominídeo do baixo paleolítico preocupado com os hábitos inovadores do filho.

    A mãe grunhiu que os meninos das outras cavernas também passavam todo o taempo lidando com estas modernidades e que já não sabia mais o que fazer.

    Então, o caçula surgiu por entre as folhagens segurando um pedaço de madeira seca em cuja ponta ardia uma chama, e declarou, para espanto de todos:

    – Eu consigo dominar o fogo!

    O pai olhou para a mãe, e semi-eretos caminharam até a caverna, resmungando, meneando as cabeças:

    – Esse mundo está perdido...

     

    No escuro do quarto

     

    Ela acordou sobressaltada no meio da noite e um arrepio de pavor percorreu-lhe todo o corpo quando percebeu que havia um homem na sua cama.

    Na penumbra do quarto, iluminado apenas pela tênue luz que chegava do corredor próximo, ela notou o semblante maduro e tranquilo do desconhecido recostado confortavelmente no outro travesseiro. Absolutamente entregue aos braços de Morfeu, dormia o sono dos inocentes.

    Sem saber o que fazer, ela permaneceu paralisada pelo medo e pelo inusitado da situação e oscilando entre sonho e realidade cogitou inconscientemente como teria sido sua vida se tivesse se casado e dividisse sua cama com um homem todas as noites.

    Mas e se ele roncasse? Pensou ela.

    Ele roncou. E moveu-se se aproximando um pouco mais dela.

    Sem mover um músculo ela pensou:

    E se ele me quisesse?

    Ele passou a perna por cima do seu corpo e gentilmente aconchegou-se mais a ela.

    Um misto de medo e prazer inundava o seu corpo e provocava reações até então desconhecidas por ela. Queria sair dali correndo, mas queria também se entregar àquelas sensações que sobrepunham-se ao seu pavor. As contradições digladiavam em sua mente, quando ela percebeu que não poderia mais fugir. Pouco depois o homem beijou-a, virou para o outro lado e dormiu novamente.

    O medo então deu lugar a uma sensação de relaxamento e ela até esboçou um sorriso. Olhou para o homem ao seu lado e pensou: Até quando isso vai durar?

    Até que a morte ou a realidade os separe. 

     

     

    por  Magela Oliveira

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