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Janeiro/Março 2020
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Renato Andrade e o desafio de um subsecretário estadual

  • Responsável por um dos cargos mais importantes da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional e Política Urbana, o vereador licenciado Renato Andrade (PP) diz que Passos é visto como um município de importância estratégica para o Estado.

    O subsecretário estadual Renato Andrade na cidade administrativa do governo de Minas Gerais
    O subsecretário estadual Renato Andrade na cidade administrativa do governo de Minas Gerais

    Reeleito vereador pelo Partido Progressista em 2008, no início do terceiro ano de mandato, Renato Andrade pediu licença do cargo para ocupar uma importante posição no governo de Minas Gerais, a de subsecretário de Política Urbana, na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana, a SEDRU, chefiada por Olavo Bilac Pinto Neto.

    Renato Andrade é responsável por uma equipe de aproximadamente 60 pessoas, entre servidores de carreira e assessores, e tem como função auxiliar a Sedru numa série de atribuições voltadas ao desenvolvimento das diferentes regiões e municípios do estado.

    Nas eleições passadas, Renato Andrade se candidatou a deputado federal e obteve 58.443 votos, tornando-se o primeiro suplente do PP a uma vaga na Câmara dos Deputados.

    Jovem ainda – apenas 40 anos de idade -, casado há 21 com Cláudia Lílian de Carvalho Andrade, pai de Marcelo e André, filho do falecido líder rural Jonnes Andrade, o subsecretário explica na seguinte entrevista à Foco Magazine as competências de seu cargo, os projetos para Passos e fala sobre o desafio de atender os prefeitos de um estado tão grande quanto Minas Gerais.

    FOCO – A que o senhor atribui o convite para ocupar a Subsecretaria de Política Urbana? Por que o governador Antônio Anastasia o quis na sua equipe de governo?

    RENATO ANDRADE – Eu acredito que um dos fatores determinantes foi nossa lealdade durante a campanha, a força de vontade e a determinação com que eu encaro os meus objetivos. Eu sou uma pessoa muito determinada, quando traço um objetivo, eu gosto de cumprir, eu trabalho em cima de metas, e esse dinamismo eu acho que foi determinante para esse convite.

    FOCO – Seu trabalho na campanha teve alcance regional. Isso pesou também nessa decisão do governo?

    RENATO ANDRADE – Eu acho que sim, pelo fato de sairmos de uma candidatura “solteira”, uma candidatura enfrentando vários concorrentes de grande potencial de votos, potencial econômico, grandes políticos que já tinham tradição, e acima de tudo por estarmos sozinhos, isso foi importante.

    FOCO – São quantos servidores e assessores sob seu comando na Subsecretaria de Política Urbana?

    RENATO ANDRADE – Na secretaria, nós temos mais de 200 servidores, a COHAB, que é um órgão separado, mas é subordinada à secretaria, a COPASA, estão todas vinculadas à Secretaria de Desenvolvimento Regional de Política Urbana. Então, é muita gente, uma estrutura muito boa, um pessoal muito técnico; a minha pasta tem três superintendentes de alto nível, fora assessores e demais servidores. Então, na minha subsecretaria trabalham em torno de 60 pessoas.

    FOCO – Já familiarizado com as atribuições da subsecretaria, para o senhor, qual ou quais os principais desafios para o desenvolvimento dos municípios?

    RENATO ANDRADE – O primeiro é levar água tratada a todas as residências de Minas Gerais. Desde o Governo Aécio, isso vem se desenvolvendo de forma bem positiva, mas o objetivo é chegar a 100% das casas mineiras com água tratada. Saneamento básico: a destinação dos resíduos sólidos, o lixo, é complicada. Nós precisamos melhorar. Nós não vamos chegar ao ideal, mas temos que caminhar no rumo certo. Minas já vem caminhando nesse sentido e eu quero contribuir o máximo possível para a evolução desse quadro. Tratamento de esgoto: nós tivemos uma reunião sobre o projeto de mapeamento de todo o estado, para sabermos em quais cidades falta saneamento básico, falta a rede de esgoto, o esgoto tratado, a água tratada.  Minas avançou muito nesse sentido, mas precisa chegar a 100%. E com o dinamismo do nosso secretário Bilac Pinto, com a vontade do nosso governador Antônio Anastasia, com nosso empenho, queremos dar nossa contribuição para esse projeto.

    Renato Andrade com o governador Antônio Anastasia e o Senador Aécio Neves.
    Renato Andrade com o governador Antônio Anastasia e o Senador Aécio Neves.

     

    FOCO – De que forma a Secretaria vem trabalhando para enfrentar e superar esses desafios?

    RENATO ANDRADE – Como eu já disse, primeiramente é fazer o mapeamento das cidades e em cima do resultado promover as ações necessárias para atingirmos nosso objetivo.

    FOCO – Qual o custo disso tudo? Já tem orçamento pronto?

    RENATO ANDRADE – Tem um orçamento, mas precisa de um complemento do governador.

    FOCO – Seria da ordem de quantos milhões?

    RENATO ANDRADE – O orçamento  de 2010 foi de R$ 60 milhões, mas logicamente, esse valor para 2011 pode chegar a muito mais, porque o governador quer que esses projetos sejam executados, para termos mais um grande avanço – já tivemos com o Aécio -, mas o governador Anastasia quer avançar mais e, para isso, ele faz uma suplementação orçamentária.

    FOCO – A população de Passos, certamente, não sabe o que é viver sem água tratada. Essas residências sem saneamento se localizam aonde?

    RENATO ANDRADE – Infelizmente nos vales do Mucuri e do Jequitinhonha. Você falou aí da nossa região, a nossa região é privilegiada em todos os sentidos: saneamento, geograficamente, clima, condição social. A gente vê em vários estudos, em Minas, a desigualdade entre Sul e Norte é muito grande.

    FOCO - E Passos, o que precisa para ser considerado um município desenvolvido?

    RENATO ANDRADE – Eu acho que Passos, em nível estadual e até nacional, pode ser considerado um município privilegiado. Nós estamos numa situação diferenciada das demais cidades, embora precisemos melhorar um pouco na área de segurança pública. Tem que haver uma união de todos. Não apenas reclamar da polícia, de um ou de outro. É necessário que a sociedade se una para resolver esse problema, porque, às vezes, a pessoa está em casa e não pensa que tem um ser humano ali perto que passa por dificuldades, que tem um pai que quer dar uma condição melhor para o filho e, talvez, ele não esteja tendo essa oportunidade. Às vezes, a pessoa está em casa e acha que o mundo acaba no portão dela. Nós temos que pensar em fazer melhor nossa parte social, porque tem muitos meninos que não são bons porque nem tiveram oportunidade de serem bons, não é verdade?

    FOCO – O senhor tem ajudado a comissão de segurança da Câmara de Vereadores de Passos a encaminhar as sugestões da sociedade para resolver o problema da segurança na cidade, e já conseguiu vagas para internação de menores infratores em instituições do Estado. Como tem sido esse seu trabalho lá no governo?

    RENATO ANDRADE – Em relação aos menores infratores, sou mais um elo da região de Passos com o governo do Estado. Então, com a proximidade do secretário, dos chefes de polícia, até mesmo da Secretaria de Governo, a gente solicitou ajuda. Foi assim que nós conseguimos as vagas, a pedido do Taquinho (José Eustáquio do Nascimento), que é o vice-presidente da comissão, através da iniciativa da Tia Cenira (presidente da Câmara), que fez aquela audiência de grande repercussão. E a nossa obrigação é ajudar. Foi uma ajuda pequena, mas importante.

    FOCO – Nesse início de trabalho na subsecretaria, o senhor já está trabalhando em algum projeto, alguma ação ou programa?

    RENATO ANDRADE – Nós estivemos com o secretário Bilac Pinto no início de abril, junto com a vereadora Tia Cenira, quando ela foi nos pedir uma ajuda em relação às casas da COHAB. Muitas pessoas já concluíram seus pagamentos e ainda não têm a escritura. E nisso, nós pensamos em fazer um mutirão da escritura. Estivemos com o presidente da COHAB, o Octacílio (Machado Júnior), e Passos vai ser uma das primeiras cidades de Minas Gerais a fazer esse mutirão. Vai haver um treinamento do pessoal, será necessário um empenho da Câmara, uma ajuda da Prefeitura, de todos os segmentos, para fazermos esse mutirão da escritura. Vamos começar aqui na região. Já teve em algumas cidades de Minas, mas, em grandes proporções, Passos será a primeira

    FOCO – Como somos vistos lá na capital, dentro do governo? Passos realmente é uma cidade importante para a política estadual? Somos um município estratégico para o Estado?

    RENATO ANDRADE – As duas coisas. Somos muito importantes. O governador tem um grande carinho por Passos, por ser uma das maiores cidades de Minas Gerais e também uma cidade pólo de uma região tão importante e tão rica. Isso atrai muita atenção do governo e sem contar que somos um município estrategicamente bem localizado. Temos o turismo, nós estamos ao lado do Lago de Furnas, da Serra da Canastra, as indústrias de confecções, o setor moveleiro, o turismo rural. Então, nós somos privilegiados, também, nesse sentido. Privilegiados no clima, na agricultura, na bacia leiteira, nas usinas de açúcar e álcool. Então, é uma região rica

    FOCO - Políticos e profissionais de Passos sempre tiveram alguma participação no governo de Minas Gerais, como Evandro de Pádua Abreu (Governo Hélio Garcia), Cássio Soares (Aécio Neves) e agora o senhor e o presidente da Fesp (Fundação de Ensino Superior de Passos), Fábio Pimenta Esper Kallas, subsecretário de Ciência e Tecnologia no governo de Antonio Anastasia.  Como o senhor analisa esse quadro?

    RENATO ANDRADE – Eu acho que é um momento importante para a cidade, porque estamos tendo dois subsecretários. Tenho certeza que o Fábio irá desempenhar da melhor forma possível, para fazer um bom trabalho. O Evandro, só tenho que tecer elogios a ele, uma pessoa que esteve num grau mais elevado no governo. Ele foi chefe da Casa Civil. O Cássio contribuiu muito para nossa região, talvez, depois de um grande espaço de tempo sem uma representação, ele foi o primeiro elo entre Passos e o governo e isso tudo só vem a somar. E todos, tenho certeza, dedicaram e dedicam ao máximo para fazer o melhor, porque é uma honra representar Passos,  e a nossa região, na esfera estadual.

    Mobilização pela antecipação das obras na rodovia MG-050.
    Mobilização pela antecipação das obras na rodovia MG-050.

    FOCO – E como tem sido sua relação com os prefeitos, especialmente aqui da região? O senhor tem viajado muito ou os tem recebido mais em seu gabinete, em Belo Horizonte?

    RENATO ANDRADE – Tenho recebido vários pedidos de prefeitos de todo o estado, mas quando chegam prefeitos de nossa região, a gente tem um carinho especial, até por serem conhecidos nossos. Tenho muitos pedidos, até mesmo de vereadores. Por falar nisso, dois vereadores de Nova Resende pediram um convênio para a construção de 50 casas populares. Eu mandei uma carta para todos os prefeitos da Ameg (Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande), Amog (Associação dos Municípios da Baixa Mogiana), da Alago (Associação dos Municípios do Lago de Furnas), falando que a subsecretaria está de portas abertas, que eu os recebo com o maior prazer, maior orgulho, para ajudar no desenvolvimento de todos os municípios, especialmente os da nossa região.

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