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Janeiro/Março 2020
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Comunidade

A missão de unir as CONFECÇÕES

  • O presidente da Apicon, Laerte Júnior, fala sobre projetos e as difi culdades para unir os empresários de confecções em Passos.

    Com o desafio de recuperar a confiança dos empresários de confecções de Passos e contribuir para o desenvolvimento do setor, a diretoria da Apicon (Associação das Indústrias de Confecções de Passos) implantou uma série de medidas e, depois de um ano, avalia o que já foi conquistado e faz um prognóstico do que está por vir. Diversos projetos estão em andamento, com vários deles já concretizados e em plena execução, e outros se encontram em fase de elaboração. O objetivo é viabilizar a sustentabilidade financeira da entidade e o crescimento e desenvolvimento dos negócios.

    Mas a Apicon precisa superar alguns problemas para conseguir colocar todos os projetos em prática. A pouca participação dos empresários em importantes reuniões de estratégia de ações e a informalidade de várias facções (que prestam serviços para as fábricas) estão entre os obstáculos, segundo o presidente da entidade, Laerte Francisco Rodrigues Júnior.

    SETOR CONFECCIONISTA DE PASSOS
    SETOR CONFECCIONISTA DE PASSOS

    “Hoje a Apicon tem a possibilidade de oferecer várias oportunidades para os empresários que queiram contribuir com o desenvolvimento do município, mas uma das difi culdades da entidade é a não participação dos próprios empresários nas reuniões, tanto no APL (Arranjo Produtivo Local) quanto na Apicon, reuniões estas que acontecem quinzenalmente e semanalmente, respectivamente. Precisamos da colaboração de todos os empresários para que possamos desenvolver projetos e liderar ações”, explica Laerte Júnior. Ele cita como exemplo de iniciativas frustradas a tentativa da associação de entrar na licitação para administrar o “Restaurante Popular” (ainda em obra) da Prefeitura, ideia que não vingou por causa da falta de envolvimento da classe, segundo o empresário. 

    Os projetos da Apicon são frutos de um trabalho baseado num planejamento estratégico implantado pela diretoria, que inclui o APL de confecções de Passos, pelo qual o setor se une para definir e estabelecer um conjunto específico de atividades, interagindo entre si e com outros setores representativos. A execução desses projetos tem como base a formação de parcerias e convênios para aprimorar a administração, chegando à otimização dos resultados (veja as principais ações no quadro).

    Dois grandes projetos da Apicon, no entanto, já saíram do papel: o desfile de moda e os cursos técnicos voltados para o setor, através do Ifsuldeminas e do CVT, ambos para a formação de mão-de-obra qualifi cada para as indústrias e lojas de confecções. O desfile de moda – o “Av. da Moda” – teve sua primeira edição em março, com o lançamento da coleção outono-inverno 2012. Participaram desse evento 39 empresas, entre fabricantes e patrocinadores. Laerte Júnior avalia bem o primeiro “Av. da Moda”, embora admita ter havido “alguns contratempos” relacionados a adesões e custos. “(...) Mas nada que o sucesso do evento não tenha compensado o transtorno”, minimiza, explicando também o cancelamento da segunda edição, antes prevista para o início deste semestre.

    Segundo o presidente da Apicon, vários fatores contribuíram para a não realização do segundo “Av. da Moda”, em que seria lançada a coleção primavera-verão: a coincidência com o período eleitoral, que impediria o repasse de verbas de um convênio com a Prefeitura, e a instabilidade da economia nacional. Ainda segundo ele, o próximo desfi le de coleção deverá ser feito após um workshop de tendências com participação de “grandes atores do cenário da moda nacional”, que poderá servir de inspiração para os estilistas locais criarem suas coleções. Mas, para realizar esse workshop, a Apicon aguarda recursos do Sindivest (Sindicato das Indústrias do Vestuário) e do Ifsuldeminas.

    “Temos conhecimento da importância do desfi le, porém, tem um custo muito alto, fator este que inviabilizou, pois só conseguimos cadastrar os projetos junto ao Estado e entidades fi nanceiras para captação de recursos este ano, mas para liberação no ano de 2013”, explica o empresário.

    Retirar pequenas facções da informalidade e estimular a formação de mão-de-obra qualifi cada para criação, produção e comércio são outras preocupações da diretoria da Apicon. Essa irregularidade das facções impede, por exemplo, saber quantos alunos formados na primeira turma do curso de “modelagem plana feminina”, pela FIC (Formação Inicial e Continuada) do Ifsuldeminas, foram contratados pelas fábricas. “Sabemos que existe a demanda no chão de fábrica, mas muitas dessas alunas inserem no mercado de trabalho em pequenas facções, onde por sua vez a maioria em situação irregular; fato esse que, de certa forma prejudica a avaliação, pois difi culta os diagnósticos do setor”, revela.

    Para a Apicon, uma solução para essa informalidade –, que já foi apresentada junto com o Banco do Brasil, Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Sticcep (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Confecções e Calçados de Passos) –, é incentivar esses empreendedores informais a aderirem a um programa do governo federal, o “Empreendedor Individual”, que prevê uma série de benefícios, dentre os quais uma linha de crédito diferenciada junto a instituições financeiras.

    O APL, as parcerias com diversas instituições e a busca pela união dos confeccionistas, segundo Laerte Júnior, é a direção que a entidade vem adotando e confi ando, tomando como exemplo o empenho de gestões anteriores que criaram a Apicon. “Conseguimos chegar ao ponto de a cada 15 dias nos reunirmos com estes parceiros na reunião do Arranjo Produtivo Local para deliberar sobre as melhores ações, fortalecer e desenvolver o setor de confecções e a Avenida da Moda”, diz Laerte Júnior.

    Ênio Modesto

    Parcerias e convênios da Apicon

    O workshop de tendências, o desfile “Av. da Moda” e os cursos de formação de trabalhadores qualificados são ações da Apicon que se juntam a diversas parcerias e convênios com importantes instituições em Passos. Dentre os convênios, o presidente da entidade cita um curso de inglês e a contratação de uma assessoria jurídica para os empresários.

    Atendendo reivindicação dos confeccionistas, o IFsuldeminas (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais) criou dois tipos de cursos no campus de Passos para a formação de mão-de-obra. São um curso técnico em produção de moda, com duração de 18 meses e equivalente ao ensino médio, que capacita o aluno para atuar nas áreas de criação, produção e divulgação, e a FIC (Formação Inicial Continuada). Neste, o estudante aprende “modelagem plana feminina”, habilitando-se para atuar como modelista de roupas ou moldador de roupas femininas.

    Segundo a professora Maria Concebida Pereira, de produção de moda no Campus de Passos, para a FIC foram inscritos 107 pessoas, mas havia vagas somente para 15. Destes, 14 se formaram e a maioria foi contratada. “O que é mais importante ressaltar é que a maioria dos alunos teve melhoria na sua remuneração ou nas condições de trabalho por terem feito o curso”, afi rma.

    Quanto ao curso técnico de 18 meses, a primeira turma ainda está em aulas. Os alunos são basicamente gente que está no mercado de trabalho, “sejam como costureiras em fábricas, como faccionistas ou como vendedoras.” Para a segunda turma as inscrições estão abertas até 8 de novembro - mais detalhes, no edital no site do instituto (www.pas.ifsuldeminas.edu.br).

    A previsão é de que novos cursos sejam ofertados pelo campus a partir do ano que vem, como o de técnico de produção de moda na modalidade Proeja, para quem não tem o ensino médio completo, e outros cursos FIC. “O Campus Passos tem ainda a previsão para abertura do curso tecnólogo em design de moda, nível superior em 2015/2016”, adianta a professora do IFsuldeminas.

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