Última Edição
Jul / Ago 2019
Jul / Ago 2019

Assinatura Online

Recebe a última edição da
Foco Magazine no conforto
de seu endereço!

Relacionamentos

Com a palavra, o psiquiatra

  • Relacionamento e Família

    .

    Não tem um que é mais responsável que o outro. Então, se um relacionamento vai bem, os dois são igualmente responsáveis. Se o relacionamento vai mal, os dois são também igualmente responsáveis. Não é o que se vê por aí, não é mesmo? O que se vê, é um apontando o dedo para o outro. Um afirma para o outro que ele é o culpado e vice-versa (hiii, essa discussão rende). Um tentando provar ao outro, quem é o culpado e quem é o inocente. Não vão encontrar nunca. A questão é que no mundo dos “adultos” não existe nem culpado e nem inocente. Os dois são igualmente responsáveis pelos erros e pelos acertos. Se cada um olhasse para os seus 50% de participação e se avaliasse na relação, com certeza o relacionamento estaria ganhando muito com isso. Acredito que esse seja o “grande desafio” do casamento. O outro se transforma num grande espelho no qual você se enxerga! Esse também é o grande problema do casamento. Infelizmente, não é todo mundo que quer se ver através do outro na relação. Não existe casamento totalmente feliz, não existe casamento perfeito, não existe príncipe e não existe sapo! O que existe são seres humanos com suas qualidades e com seus defeitos, só isso! A humanização do relacionamento é essencial no processo de amadurecimento do casal. É um caminho longo no relacionamento para aceitar e amar o outro companheiro como ele é! Isso não quer dizer que você vai aceitar tudo do outro, mas você sempre pode mexer nos seus 50% no “contrato” de casamento. 

    .

    Então, por que na grande maioria das vezes o casamento é um mar de sofrimento?... Vou explicar com um exemplo. Um casal se apresenta numa consulta, alegando problemas conjugais de difícil solução. Querem ajuda para resolvê-los. Bom, faço a seguinte proposta para o casal sentado a minha frente: - Cada um de vocês vai me contar a sua versão sobre o relacionamento de vocês do começo ao fim, sem que o outro interfira. Depois, é a vez do outro. Eles tiram a sorte para ver quem vai começar. Bem, o marido conta sua história da relação com sua esposa com todos os conflitos... e termina. Depois chega a vez da esposa e ela também conta sua história na relação com os dissabores, problemas... e termina. Quando “olho” para a história contada de cada um afi rmo: - Vocês têm certeza de que estão falando sobre o mesmo relacionamento? Porque cada um me contou uma história aqui. E uma história não tem nada a ver com a outra!!! Estamos aprofundando um pouquinho a compreensão do mundo complexo do casamento. 

    A questão é que cada um leva sua história pessoal, da família de origem para o casamento. Isto é, leva a doença familiar da família original para a família atual. Hiiiiii, quantas vezes dissemos quando criança, para nós mesmos, “quando crescer vou fazer tudo diferente”. Cresce e faz tudo igual. Exatamente como foi com seus pais. Esse processo é inconsciente. Na verdade levamos a doença da família original para a 

    .

    família atual na tentativa também inconsciente de curá-la. Aí eu pergunto a vocês:- Vai dar certo essa história? Não, porque cada um vai querer curar no outro a sua própria história projetada. Imagina a bagunça que isso vira. Já viram discussão de casal em fi m de casamento? Ninguém se entende! É um falando em japonês e o outro respondendo em árabe. O desencontro é total. 

    Calma, não se desesperem! Para aqueles que aceitam o desafi o como uma forma de crescimento pessoal o casamento é um excelente exercício para isto. Talvez, o melhor! E como o ser humano saudável quer isso (a natureza humana pede para ser melhorada), ele quer fi car melhor para si mesmo, para seu companheiro(a), para seus fi lhos, para seus amigos, para seus companheiros de trabalho.

    .

    Bom, vou mostrar, através de diagramas a representação de relacionamentos saudáveis e doentios.

    Podemos “brincar” com as bolinhas para caracterizar um relacionamento. Mas quero deixar bem claro, que o relacionamento patológico não vem da relação do casal em si, mas da natureza de cada indivíduo, de sua história pessoal, que é naturalmente transferida para o relacionamento do casal. Se os casamentos davam mais certo “antigamente” ou não, se os casamentos “hoje” dão mais certo ou não, fica a critério de cada um. Mas, temos que levar em consideração que nossa cultura mudou muito. Se essas mudanças representam evolução ou não, não sabemos ao certo, porque na verdade, tudo é muito novo.

    .

    Bom, qual serão as novas motivações para se contrair um casamento hoje? Hoje, o casamento é uma instituição mais flexível. Existem as separações! Ninguém é mais obrigado a permanecer casado se não o quiser, por uma série de motivos conscientes e não conscientes. As famílias são menores. A ESPOSA participa da renda familiar, também trabalhando fora de casa. O MARIDO participa mais da educação dos filhos e da organização doméstica. 

    Na verdade, as impressões que tenho é que virou uma tremenda bagunça!!! Não sou contra as mudanças. Acredito que elas são necessárias. Mas, o que vemos hoje é uma tremenda confusão familiar. Quer ver? Quem manda em casa hoje? São os filhos (na maioria dos casos). Os pais perderam a autoridade, que por sinal lhes foi confiada, para exercer o seu papel. Os filhos sempre vão querer se contrapor, questionar e principalmente te testar! Eles (filhos), testam se você é realmente forte como pai e como mãe! Quando você mostra sua autoridade com firmeza e acertividade, os filhos se acalmam! Eles pensarão assim:- Quando crescer, vou querer ser igual ao meu pai e minha mãe! Ah, mas você pode dizer que os filhos de hoje são muito mais questionadores e cheios de argumentações. Aí eu pergunto, e daí? Você vai discutir com seu filho qual é a melhor maneira de se educar o seu próprio filho? Não! Você é adulto e assume suas responsabilidades como pai e 

    .

    como mãe. É assim que nós sentimos o que é o melhor (função paterna e materna). Então vai ser assim! E não deve existir nem o ‘MAS’ e nem ‘ SE’, para os filhos. Isso é só um teste deles (filhos), para sentir se realmente podem confiar em você como pai e mãe. O filho percebe quando um pai ou uma mãe estão inseguros. Tiram partidos pessoais disso. Esses filhos não vão querer crescer. Eles não quererão se identificar com “pais fracos”! 

    Vou retomar o assunto inicial. Qual é o relacionamento mais importante dentro da família? O de marido e esposa. Já vi muitos clientes colocarem os filhos como o principal relacionamento na família. Se numa família as funções ficam resumidas nos papéis exclusivos de pai e mãe, o casamento já acabou. Se o casal vai bem, os filhos também vão bem. Se o casal vai mal, os filhos também vão mal. Bom, o que mudou em relação aos velhos tempos? Muitas coisas. A cultura da família mudou. O que mudou? Vamos fazer um exercício de reflexão. Entre outras coisas, o acesso entre os membros familiares ficaram mais fáceis, mais acessíveis. A esposa (mulher) passou a sair de casa para trabalhar e participa no levantamento da renda familiar. Bem, mas o que realmente caracteriza uma família saudável? São as funções, são os papéis que cada um representa. O que caracteriza cada membro familiar é o papel que ele desempenha na família. Bem, quem sabe o que a mãe representa na família? O amor!!! Quem sabe o que o pai representa na família? A ordem!!! Amor com ordem dá certo! Amor em desordem dá errado! O inverso também não dá certo. Podemos tirar daí, vários exemplos de famílias doentias. Aliás, não existe família 100% saudável.

    Para finalizar vou acrescentar uma lei imperiosa para que um relacionamento dê certo. É a lei do dar e receber. Em um relacionamento entre duas pessoas adultas, o relacionamento se dá num plano de igual para igual. Nenhum é maior que o outro. Assim, quando o companheiro dá “algo”, no relacionamento, para o outro, toma “aquilo” que foi oferecido para si. Mas imediatamente, a partir do momento que tomou, se sente em débito com aquele que ofereceu. Sente a necessidade de retribuir o que tomou. Aí, o que recebeu (tomou) retribui para seu companheiro o que ele lhe deu mas, acrescenta algo a mais. Agora, aquele que deu e está recebendo fica muito preenchido emocionalmente com o resultado, pois deu, e recebeu mais do que deu. Ele se sente grato e com necessidade de retribuir. Aí ele dá novamente o que recebeu e acrescenta algo a mais! E assim, sucessivamente. O que recebe sente necessidade de retribuir, e neste ato, ele sempre acrescenta algo a mais. O retorno sempre é positivo, e então o relacionamento fica cada vez mais saudável porque a relação no dar e receber está proporcional e cada vez mais crescente!!! Quem vai querer sair de uma relação assim? Estejam conscientes que não existe relacionamento perfeito. Somos seres humanos em busca da perfeição! Nesta condição (ser humano), temos o direito de errar, mas temos obrigação de aprendermos com nossos erros!!!

    Artigo escrito pelo psiquiatra

    Dr. Jorge Luiz de Mello

    Atendimento: Rua Santa Casa, 223 - Sala 05

    Medcenter - Passos/MG - Tel: (35) 3522-6009

    © 2019 Foco Magazine. Todos os direitos resevados.