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Janeiro/Março 2020
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Comunidade

Veterinárias mobilizam a cidade para castração

  • A partir deste ano, durante um mês, cães abandonados poderão ser castrados num grande mutirão promovido por duas veterinárias de Passos; a iniciativa prevê a participação fundamental dos cidadãos que gostam desses animais.

    Erika Lima e Ludmila Monteiro querem diminuir a população de cães e gatos de rua através da castração.
    Erika Lima e Ludmila Monteiro querem diminuir a população de cães e gatos de rua através da castração.

    Não é novidade para ninguém que a cidade de Passos tem um grande número de cães abandonados em ruas e praças. Naturalmente, além de mal alimentados, esses animais podem estar contaminados por uma variedade de microorganismos que colocam em risco a saúde humana, em caso de contato. Outro problema é a proliferação, já que as cadelas podem procriar mais de uma vez ao ano. O canil municipal, onde eles são tratados e postos para adoção, já está com a capacidade esgotada. Então, o que lhes resta são os logradouros públicos e a boa vontade de pessoas que os alimentam nos locais onde eles costumam ser encontrados.  

    Preocupadas com essa situação que afeta também os humanos, as veterinárias Ludmila Esper Monteiro e Erika Andrade Lima resolveram por em prática a ideia de uma ex-colega de trabalho – a também veterinária Mara Mariana Silva Pereira : durante um mês por ano promover a castração de cães de rua e até mesmo aqueles cujos donos não têm condições de pagar os custos de um procedimento desse tipo. Em 2013, esse trabalho será realizado em abril, num grande mutirão com participação de voluntários.

    O município não possui uma estimativa sobre o número de cães sem dono que sobrevivem na cidade, mas segundo Erika Lima, que trabalha também no Departamento de Vigilância Sanitária da Prefeitura, é “gigantesca” a população canina de Passos. “O canil não comporta mais nenhum animal. Para entrar um, tem que sair dez”, disse, observando que a situação dos gatos, não parece, mas é igualmente preocupante do ponto de vista sanitário. Por isso, eles estão incluídos no projeto.

    O problema com os caninos e os felinos são a alta taxa de fecundidade e as doenças com as quais podem estar contaminados e transmitir para as pessoas. Além das verminoses, tem a raiva, a leishmaniose, a leptospirose e a toxoplasmose (transmitida por gatos). “Os gatos podem procriar a cada dois meses, as cadelas de quatro em quatro meses e até de seis em seis meses, dependendo do tamanho”, explica a veterinária.

    Segundo Ludmila Monteiro, a grande dificuldade é convencer as pessoas que gostariam de ter um cachorro de estimação em casa – que poderia ser adotado no canil – é em relação à procriação. Muitas alegam não ter recursos para pagar uma cirurgia de castração, cujo preço varia conforme o porte e o sexo do animal. Assim, o projeto que será executado por ela e Erika prevê apenas os custos do valor da operação. “Quem quiser contribuir para a castração deve entrar em contato com a clínica para agendar o dia”, disse Ludmila Monteiro, observando que em março espera ter um cadastro das pessoas que se manifestarem interesse em participar do projeto.

    São várias as formas de colaborar, como levar o cão de rua à clínica ou mesmo pagar a cirurgia para o dono que não tiver recursos. Se for necessário, um funcionário vai até o local onde o animal estiver para levá-lo à clínica. Os custos incluem a cirurgia e o pós-operatório, que é o tempo necessário para a recuperação do paciente. Uma cadela, por exemplo, requer sete dias de repouso antes de voltar para casa ou rua. “A fêmea pode romper os pontos e morrer”, justica Erika.

    De acordo com Ludmila, projeto semelhante já existe em outras cidades, como Franca e Araraquara, no estado de São Paulo. A própria associação protetora de animais de Araraquara deve trabalhar no projeto em Passos, a convite de Ludmila, que já trabalhou com essa entidade, que possui até um trailer com unidade de terapia intensiva (UTI) móvel, o qual poderá ser utilizado no mutirão de abril.

    As duas veterinárias pretendem contar também com o apoio da Associação Passense Protetora dos Animais (APPA), cujo nome fantasia é “Patas Amigas”, entidade que também vem promovendo a castração voluntária de cães e gatos abandonados ou de propriedade de pessoas carentes. Somente no ano passado foram quase 300 animais.

    O presidente da Patas Amigas, Jeferson Vicente Tavares, o fotojornalista Fão Tavares, disse que está disposto a participar do projeto e que acredita também no empenho de todos os associados. “Eu como presidente já convoco a associação inteira a participar”, afirmou. “Acho que muita gente vai contribuir, como costuma ocorrer com a associação. Por exemplo, em 24 de novembro, uma médica doou um dia inteiro de trabalho para a associação fazer a castração de cães de rua. Já pensou se todo mundo fizer isso: doar um dia de trabalho?”, disse.

    Ludmila Monteiro e Erika Lima acreditam no sucesso do mutirão de castração, porque muita gente na cidade já pratica ações, embora isoladas, de assistência àqueles animais domésticos. São pessoas que tiram dinheiro do próprio bolso para pagar a cirurgia e outros tratamentos de saúde e também para prover-lhes a alimentação. Esse é o caso de uma mulher aposentada, moradora do Bairro da Penha, que recolhe e adota cães, não sem antes levá-los à clínica veterinária para vacinas e possíveis tratamentos contra doenças e vermes.

    Por causa de exemplos como esse, Ludmila tem boas expectativas para o mutirão e espera que seja o início de uma nova era para cães e gatos em Passos, no que diz respeito também ao papel do Município no enfrentamento do problema. “Eu acredito muito que o novo prefeito vai dar um apoio muito grande para a gente. O que eles (da Prefeitura) puderem fazer, e estiver ao alcance, eles vão fazer”, disse.

    Artigo: matéria Cães/Castração

    É preciso responsabilidade na adoção de um cão

    A grande dificuldade é convencer as pessoas que gostariam de ter um cachorro de estimação em casa a adotá-lo no canil. Pois a grande maioria das pessoas quer cães de raça e tem uma grande rejeição quando se fala em animais de canis, sem verdadeiramente conhecer o carisma desses animais. É que, como estão em ambiente hostil, num primeiro contato, eles podem se apresentar agressivos, mas, ao se conquistar sua confiança, irão se mostrar grandes companheiros, amorosos e agradecidos pelos carinhos recebidos. Quando a pessoa quer ter um animal de estimação em casa, não se importando com seu “status”, é muito mais vantajoso adquirir um animal que foi recolhido, pois o bem que essa pessoa estará fazendo tem um valor inestimável.

    Friso ainda que nunca se deve esquecer que esses seres vivos, como então denominados, têm todos os direitos de qualquer ser vivo: alimentação adequada para espécie, necessidades básicas de saúde, carinho, necessidades básicas de atenção e cuidados. São indivíduos que irão viver pelo menos dez anos. Isto deve ser lembrado, pois, após adoção ou mesmo compra, este ser vivo jamais deverá ser descartado nas ruas, deixado de lado ou mesmo sem os cuidados necessários. Ele é de total responsabilidade do proprietário, devendo este responder civil e criminalmente quanto aos atos de seus animais, pois estes devem estar sempre sobre seus cuidados. Jamais deverá haver permissão de trânsito em vias públicas sem um responsável que tenha porte físico o suficiente para poder conter esse animal sem, contudo, gerar algum mal a transeuntes.

    O proprietário tem que se lembrar de que quando vai viajar esse cão deve estar sobre os cuidados de alguém responsável – e que seja aceito por ele – ou mesmo encaminhado a hoteizinhos para os cuidados necessários, ou até ver se o local para onde irá viajar aceita animais. O dono do cão deve lembrar que todo esse deslocamento tem seu custo e, portanto, saber se irá caber ou não no orçamento da casa.

    Mas o que realmente importa é conhecer o temperamento do seu animal de estimação, conhecer sua personalidade, seus hábitos. É a questão mais crucial, pois se não sabe com o que está lidando não irá conseguir ter um bom relacionamento. Sempre procurar a orientação de um profissional para receber as orientações necessárias.  

    Erika Andrade Lima, veterinária

    Enio Modesto

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