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Nov/Dez 2019
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Mulher

Pai Nosso

  • Como terminei o ano falando sobre prece, resolvi começar bem o ano fazendo uma análise da oração que Jesus nos ensinou o “Pai Nosso”. Durante sua curta permanência na terra, Jesus nos deixou um legado de sabedoria, um guia de vivência fraterna, de “etiqueta” espiritual, uma direção para seguir e ensinamentos para serem praticados. Entre eles está a oração do Pai Nosso, que é a meu ver, o mais perfeito modelo de concisão e simplicidade. Sob a mais singela forma resume tudo. Todos os nossos deveres para com Deus, para conosco e para com o próximo.

    Leloup, teólogo francês contemporâneo, em seu livro “Deus não existe, mas eu rezo para ele todos os dias”, faz uma análise fervorosa do Pai Nosso, frase por frase, que é tão profunda e complexa que resolvi “presenteá-los” com um resumo (do resumo) que eu fi z do livro.

    “Pai”- Na liturgia judaica não era usual se referir a Deus como pai. Jesus ao optar por começar a oração se reportando a Deus como nosso primeiro pai, nos lembra que somos fi lhos de Deus, criaturas divinas.

    “Nosso”- Apesar da prece ser uma fala íntima , pessoal, Jesus usa a 3ª pessoa do plural – “nosso”, lembrando-nos que não somos o centro do universo e que na presença do pai somos todos iguais, pois somos todos fi lhos de Deus, irmãos em Cristo.

    “Santificado seja o vosso nome” - Ao reconhecer a santifi cação do inominável estamos nos referindo a todas as qualidades do ser, introduzindo-as no espaço e tempo.

    “Venha a nós o vosso reino” - Este pedido revela a vontade de abandonar a escravidão dos instintos, das emoções, das ideias...e nos elevarmos ao reino de Deus, ou seja, aos seus ensinamentos.

    “Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu” - Mais do que palavras de submissão essa frase revela a confi ança absoluta no pai. Alguns querem fazer do céu o paraíso, já Jesus, quer fazer da terra o lugar mais belo do céu.

    “O pão nosso de cada dia nos dai hoje” - Jesus não falava de espiritualidade de estômago vazio (veja milagre dos pães). Porém não se refere exclusivamente ao alimento do corpo, mas também da alma. Pois só o Ser pode alimentar o ser. Daí que, na eucaristia somos alimentados, simbolicamente, por Jesus. Pois os seus ensinamentos nos “alimentam” e suprem todas as nossas carências.

    “Perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos os nossos ofensores” - Para Mateus, nesta parte, Jesus pede a libertação de todas as nossas ofensas (débitos), pois só quando estamos livres podemos amar ao próximo e a Deus. Já para Lucas, Jesus pede a libertação do coração do veneno do rancor, acumulado pela ausência do perdão. Independente da interpretação, esse versículo é o mais terapêutico de todos, pois só através do perdão curamos o nosso coração e nos descobrimos livres para amar ao próximo, a Deus e a nós mesmos.

    “Não nos deixeis cair em tentação” - A palavra em grego que é sinônimo de tentação é prova. Jesus nesta parte nos lembra que as “provas” fazem parte da vida, e que nós não estaremos livres das tentações, pois são elas que testam os nossos limites e conhecimentos, porém quando elas vierem, que estejamos prontos a aprender com elas e transformá- las em oportunidade de crescimento.

    “Livrai-nos do mal” - No início ele se refere ao Pai, fonte de todo o bem, porém no final ele nos lembra que o mal (demônio) existe, mas que nós temos escolha de, através da prática da virtude, afastar- -nos do mal.

    “Amém” - Que significa “assim seja”. É como se nos colocássemos nas mãos de Deus e déssemos um aval de confiança, pois acreditamos que Ele sabe o que é melhor para nós.

    por Gizele Rabelo

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