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Nov/Dez 2019
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Homem

Historietas

  • Relatividades

    O velho professor lançou um desafio aos alunos:

    – Quanto tempo vive uma estrela?

    Diante do silêncio que se instalou na sala de aula, o mestre apontou para um aluno lá no fundo da sala, ordenando:

    – Responda você, Alberto.

    – Um instante apenas, professor!

    Ele esperou um instante e como o menino não dissesse mais nada, retrucou:

    – Vamos, estou esperando sua resposta.

    – Mas essa é a resposta, professor. Um instante!

    – Bilhões de anos, Alberto. Uma estrela vive bilhões de anos, afirmou o mestre.

    – Isso mesmo! Foi isso que eu disse.

    – O professor, subitamente confrontado com as dimensões astronômicas, dispensou a turma quinze minutos mais cedo para o recreio.

    O sonolento diretor, encerrado em seu gabinete, surpreendido pela algazarra dos alunos festejando o tempo extra para as brincadeiras, sai a procura do culpado e entra, furibundo, ralhando com o professor:

    – Você sabe o que significam quinze minutos?

    E o meditabundo mestre:

    – Pergunte para o Alberto…

     

    Madrugadas

    A insônia chegou acompanhada de um livro. Um bom livro.

    Ora, isso então não é insônia. É uma oportunidade de aproveitar o silêncio das madrugadas para se entregar às tramas, aventuras de descobertas da leitura.
    Iluminado pela tênue luz do abajur, o anjo empurra um pouco mais para lá Hipnos, até que ele caia da cama e, a contragosto, se recoste num canto mais escuro do quarto, emburrado, deixando confortavelmente desperto o leitor.

    E se não há um deus da leitura, muitos anjos há que se divertem lendo por sobre nossos ombros, noite adentro.

    Até que do seu canto escuro, o deus do sono se levanta, estremunhado e se impõe, finalmente, espantando os anjos adormecidos.

    E acabamos sempre vencidos pelo poder do grande Hipnos.

     

    Rimas

    Um jovem verso caiu dum poema e sozinho na imensidão branca da página, olhava desesperado para todos os lados, com seus olhos de reticências…

    como aqueles filhotes de passarinhos,

    ainda implumes, caídos de seus ninhos.

    Era uma imagem aterradora, mas tinha ao menos o consolo de uma rima.

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