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Encontro de talentos

Artista apresenta Mosaico Picassiéte em Passos

  • Pratos, pires, xícaras e outros objetos de louça, porcelana ou cerâmica são transformados em obra de arte por Cristiane Gasparoto, artista plástica que usa uma técnica francesa em seu trabalho.

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    A artista plástica Cristiane Gasparoto traz para Passos um tipo de mosaico que se diferencia da técnica tradicional e apresenta uma proposta de reaproveitar cacos de porcelana, louça e cerâmica para criar quadros que chamam a atenção pela beleza e, claro, pela curiosidade do material utilizado. O trabalho ganhou exposição (“Juntando os Cacos”) no Palácio da Cultura neste mês de março (de 11 a 22) e será mostrado também em outras cidades, entre elas, Sinop, no Mato Grosso, onde a artista passou parte de sua vida.

    Nascida em Maringá, criada em Sinop, Cristiane Gasparoto formou-se em marketing em Ribeirão Preto (SP), mas, incentivada pelo marido - o médico oncologista Natael Ribeiro Malta, do Hospital Regional do Câncer de Passos -, ela fez um curso de artes plásticas, com pós-graduação em teatro, música, dança e artes visuais. É que tudo isso já a interessava desde criança. “Eu comecei a carreira como professora, mas não quis levar adiante porque descobri que gostava mais de criar”, disse a artista, que também produz mol-duras e abandonou a pintura quando se encantou com o mosaico, em 2010.

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    A técnica empregada por Cristiane Gasparoto é a do Mosaico *Picassiéte, palavra francesa para definir a arte de colar cacos de azulejos, cerâmicas e outros materiais criada pelo francês Raymond Isidore (1900-1964), cuja obra, em forma de arquitetura, está em exposição permanente na cidade de Chartres, no interior da França. Depois de conhecer pessoalmente esse trabalho, a artista fez um estudo sobre a obra de Isidore e passou a construir a sua.

    O mosaico de Cristiane Gasparoto é feito com xícaras, pratos, pires e outros utensílios domésticos doados por parentes, amigos e até por colegas da rede social na internet. Em algumas peças são usadas pastilhas de revestimento de parede para fazer o fundo do quadro. Ela conta que essa forma foi empregada no início do trabalho e que, de agora em diante, pretende usar somente os cacos e as peças com pequenas quebraduras.

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    O resultado são belos quadros formando vasos de flores e plan-tas ornamentais, galo, galinha, máscara de carnaval, bandejas com jarras e aparelho para café, dentre outros, conforme o material disponível permite à artista criar. Segundo Cristiane Gasparoto, sua obra tem um conceito, que é o de chamar a atenção das pessoas para a possibilidade de reaproveitar o que antes iria para o lixo, mas que pode ser empregado de forma construtiva e bela.

    “Lixo, todos produzimos, poucas pessoas cuidam, mas sabe-mos que somos todos responsáveis pela trágica situação do meio ambiente. Para fi nalizar, gostaria de citar uma frase de São Francisco de Assis: “Faça poucas coisas, mas faça-as bem! Nisto reside a minha iniciativa: é uma gota d´água no oceano, mas estou pro-curando fazer, ainda que pequena, a minha parte. Unindo o útil ao agradável, ao agradabilíssimo, neste caso, pois faço o que amo, e faço preservando e embelezando. Faça a sua parte também! Junte-se a mim nesta ideia”, escreveu a artista.

    A preferência pelo mosaico tem também outro motivo, se-gundo Cristiane: uma forma de terapia que traz um resultado agradável aos olhos e que toca a alma. “Eu até indicaria para as mulheres. O mosaico relaxa, ajuda, é um passatempo. É muito gostoso!”, afirma.

    Enio Modesto

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