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Nov/Dez 2019
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Mulher

Refletindo sobre a Quaresma, Paixão e Páscoa

  • Até o ano de 350 DC não havia uma preparação específica para a Páscoa, porém com o passar do tempo percebeu-se a importância de utilizar este período como tempo de reflexão. Usando o exemplo de Jesus que passou quarenta dias jejuando e refletindo no deserto institue-se que teríamos o mesmo tempo para nos preparar para a sua morte e ressurreição. A quaresma é, a meu ver, uma espécie de retiro, no qual somos convidados a buscar apenas o essencial, da nossa fé e da nossa vida. O jejum, a prece, a caridade e a meditação bíblica nos faz perceber que ser é mais importante que ter, ou seja, nos retira do material (ter) para o transcendente (ser).

    O jejum nos faz simplificar e pensar no próximo, a prece nos eleva, nos faz conectar com o Criador, nos lembra que somos criaturas divinas; a meditação sobre as passagens bíblicas reforça a prática cristã da virtude, do desapego, da caridade..., nos torna mais fraternos. Esta preparação nos torna aptos a viver plenamente e conscientemente o verdadeiro significado da Páscoa. Se durante a Quaresma tomarmos, voluntariamente, a cruz de Cristo e compreendermos seus ensinamentos, seus exemplos, de certa forma “morreremos” para o pecado. Afinal sem morrer para o ter, para o superficial, para o supérfluo não poderemos renascer, sermos pessoas novas, despertas para o que é, verdadeiramente, essencial na vida - o ser.

    A Sexta-feira Santa é um feriado móvel, e calculado como sendo a primeira lua cheia após o início da primavera (tempo de renascimento, floração) no Hemisfério Norte. Na sexta-feira e no sábado, nas igrejas não se celebra a eucaristia, mas sim, reflete sobre o verdadeiro significado da vinda de Jesus à Terra e contempla a sua morte e ressurreição. No Sábado da Aleluia, inclusive, temos a vigília depois do anoitecer, quando se acende os círios pascais onde está escrito o Alfa e o Ômega, nos lembrando que Deus é luz, é o princípio (Alfa) e o fim (Ômega).

    Depois de toda esta preparação compreendemos o verdadeiro significado da Páscoa, a passagem de Jesus da morte para a vida eterna, a passagem do filho de Deus entre nós e a nossa passagem para Deus. Ao fazer a última ceia com os apóstolos, Jesus transcende o significado da Páscoa Judaica ( a fuga do Egito) para a libertação do povo de todo o tipo de escravidão, de todos os pecados. Ao oferecer o pão (seu corpo e ensinamentos) e o vinho (seu sangue) aos seus companheiros Ele estabelece uma aliança de Deus com toda a humanidade, nos oferece uma nova chance de renovar o nosso compromisso com Deus, com a vida, nos dá a esperança que supera os medos futuros e nos eleva ao transcendente. E mesmo sua morte na cruz pode ser vista como um evento cósmico universal e ao mesmo tempo, personalíssimo. Ele me amou, e se entregou por mim, e neste sentido cada um de nós foi salvo por Ele.

    Para vivenciarmos a Páscoa temos que compreender os ensinamentos e exemplos que Cristo nos deixou. E perceber que o sofrimento faz parte da vida, mas que a dor pode nos purifi car, nos santifi car e nos conduzir a uma vida nova, a uma renovação da comunhão nossa com Deus. A Páscoa é acima de tudo transformação de uma vida de pecado, de erros e consequentemente de dor, de sofrimento, de cruz... para uma vida de renovação, pois mostra que mesmo a morte não é barreira para a vida, mas sim, a passagem para a verdadeira vida. Feliz Páscoa!

    por Gizele Rabelo

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