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Nov/Dez 2019
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Informe Publicitário

Cuidados com os pés em pacientes diabéticos

  • O pé diabético é um termo empregado para nomear as diversas alterações e complicações ocorridas nos pés e membros inferiores dos diabéticos. Caracteriza-se por alterações neurológicas, ortopédicas, vasculares e infecciosas.

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    O diabetes mellitus é uma doença metabólica caracterizada por níveis eleva-dos de açúcar no sangue e associada a disfunção e insuficiência de vários ór-gãos. Estima-se que hoje cerca de 12 milhões de pessoas são portadoras da doença no Brasil, o que corresponde a 6% da população, segun-do dados do CENSO/2010 – IBGE. Infeliz-mente este número não para de crescer.

    O objetivo fundamental na iden-tifi cação e classifi cação do paciente de risco é evitar o desenvolvimento da úl-cera na extremidade inferior que geral-mente é precursora da amputação do membro.

    Pé com úlcera causada pelo diabetes.
    Pé com úlcera causada pelo diabetes.

    Mais de 25% dos pacientes com diabetes desenvolverão úlcera nos membros inferiores durante a vida. No Brasil, de 40 a 70% de todas as amputações de extremidade são decorrentes de complicações do pé diabético sen-do que 85% são precedidas por úlcera (Socieda-de Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular – SBACV). 

    Estes números mostram que o pé diabético representa um problema econômico e social significativo devido à hospitalização, à reabilitação, cuida-dos domiciliares e de assistência so-cial.

    O cirurgião vascular deverá atuar na prevenção do surgimento da úlcera de extremidade e no tratamento das complicações locais e sistêmicas. 

    Entendendo a doença

    A neuropatia periférica é a causa básica para o surgimento da ulceração. O paciente diabético pode apresentar alterações sensitivo-motoras com diminuição da sensi-bilidade e alterações estruturais que aumentam a chance de traumas. No início a lesão nervosa pode se mani-festar como formigamento, agulha-das e queimação.

    Através da história clínica, exame físico, testes simples e inspe-ção regular dos pés é possível reduzir em 49 a 85 % a incidência de úlcera (SBACV).

    Dr. Alexandre Lobue (CRM- MG 56475) é especialista em cirurgia vascular, angiologia e cirurgia endovascular. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.
    Dr. Alexandre Lobue (CRM- MG 56475) é especialista em cirurgia vascular, angiologia e cirurgia endovascular. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

    O cuidado com o membro inferior deve estar intimamente ligado aos cuidados gerais como o controle da glicemia, hipertensão, obesidade, dislipidemia e tabagismo. A atividade física e alimentação adequada devem ser estimuladas para melhorar a qualidade de vida e aumentar a sobrevida. 

    Quando a úlcera já está instalada, o cuidado deve ser voltado para o tratamento das possíveis complicações como infecção, gangrena e deformidades articulares e ósseas e para o fechamento da úlcera.

    Os fatores mais importantes para a boa evolução da úlcera são: uso adequado de antibióticos, curativos específicos, sapatos adaptados, debridamento e tratamento de uma possível doença arterial periférica. Esta última, nestes pacientes, é mais agres-siva, frequente e atinge vários setores.

    A avaliação vascular periférica é ne-cessária em todos os pacientes diabéticos e na presença de alterações no exame físico podemos lançar mão de exames de imagem como ultrassom Doppler e arteriografia e assim avaliar melhor a circulação e programar com mais precisão um possível tratamento.

    Quando necessária a revascularização do membro doente pode ser feita atra-vés de cirurgia convencional ou endovascular (técnica minimamente invasiva).

    O acompanhamento adequado do paciente com pé diabético por profissionais habilitados, desde o diagnóstico até o tratamento, pode ser longo, árduo e desafiante, mas recompensador tanto para o paciente, quanto para a família e para o médico.

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