Última Edição
Nov/Dez 2019
 Nov/Dez 2019

Comunidade

Uma câmera na mão e muitos caminhos pela frente

  • Certa vez, o filósofo francês Jean-Paul Sartre escreveu que ?cada homem deve inventar o seu caminho?. O fotógrafo passense Diego de Simoni Vasconcelos inventou o seu: andar pelos caminhos de Minas, conhecer a sua gente, as suas tradições, a sua culinária, a sua arquitetura, as suas paisagens, enfim, a cultura mineira.

     

    Uma câmera na mão e muitos caminhos pela frente
    Diego Vasconcelos percorreu várias estradas de terra, como esta em Guapé.

     

    Com 34 anos de idade, fotógrafo há dez anos e professor da Fundação de Ensino Superior de Passos (FESP), Diego achou que era hora de pôr o pé na estrada e conhecer um pouco mais da tão falada “mineiridade”. Assim nasceu o Projeto Cultural Pelos Caminhos de Minas, idealizado por ele no final do ano passado.

    O fotógrafo conheceu o jeito simples das pessoas, como em Prados.
    O fotógrafo conheceu o jeito simples das pessoas, como em Prados.

    O fotógrafo passou os meses de novembro e dezembro de 2012 planejando a viagem a várias regiões do Estado, a qual será feita em três etapas. A primeira delas já foi cumprida: ocorreu em janeiro passado. A segunda está marcada para julho e a terceira para dezembro deste ano. Depois disso, é selecionar o material fotográfico para compor um livro, que deve ser lançado até meados de 2014. 

    Parece fácil, mas não é. Basta dizer que, apenas da primeira etapa, Diego trouxe algo em torno de 10.000 fotografias tiradas nas 13 cidades que visitou durante oito dias. Para cobrir parte dos custos dessa primeira viagem, ele contou com o patrocínio de uma empresa. Agora, já está batalhando o apoio para as duas fases seguintes. “Acredito que agora, com o material que tenho em mãos, fica mais fácil conseguir apoio para o meu projeto”, diz o fotógrafo. Para ele, enquanto o projeto ainda está no papel é difícil conseguir parcerias.

    Diego já selecionou 50 fotos das que considera como mais expressivas para o seu projeto. Parte delas já foi exposta na sede da SicoobCrediacip – empresa que patrocinou boa parte da primeira etapa da viagem. Quem quiser verificar o resultado dessa primeira etapa poderá, também, acessar o endereço: www.facebook.com.br/ diego.vasconcelos.334/.

    Em Nepomuceno, uma das marcas do povo mineiro: a religiosidade.
    Em Nepomuceno, uma das marcas do povo mineiro: a religiosidade.

    Mineiridade

    Mas, como surgiu a ideia do projeto? Conforme Diego, o projeto surgiu da “necessidade” de conhecer o estado de Minas Gerais. “Sou mineiro e não conheço muitas regiões do nosso estado. Conheço até outros estados do Brasil, mas sentia a necessidade de conhecer Minas, a sua gente, as suas cidades, a arquitetura mineira, a culinária, o folclore, enfim, a nossa cultura”, explica o fotógrafo.

    O resultado da primeira etapa da viagem veio comprovar que Diego estava certo. Há um jeito mineiro de ser – a mineiridade. “E, ao conhecer as pessoas, saber como vivem, saborear a sua comida, conhecer os seus problemas e a sua cultura, acabei apaixonando-me ainda mais pelo meu estado; acabei enriquecendo a minha mineiridade, fortalecendo as minhas raízes”, relata o fotógrafo-viajante.

    As paisagens, os monumentos e a arquitetura mineira têm merecido atenção especial do fotógrafo. Mas, nada se compara à atenção que ele dá às pessoas. “Porque são elas que revelam a nossa mineiridade, o nosso jeito mineiro de ser e isso me fascina”, frisa o viajante.

    Em Tiradentes, uma banda de música revela a cultura mineira.
    Em Tiradentes, uma banda de música revela a cultura mineira.

    Etapas do projeto

    Na primeira etapa do Projeto Pelos Caminhos de Minas, Diego percorreu cerca de 900 quilômetros entre Passos e Prados, cidade que fica na Estrada Real, bem próximo a Tiradentes. Nos oito dias que durou a expedição, ele conheceu as ruínas da Velha Barra (São José da Barra) e visitou as seguintes cidades: Guapé, Ilicínea, Boa Esperança, Nepomuceno, Itutinga, Carrancas, Capela do Saco, Caquende, São João Del Rei, Tiradentes, Bichinho e Prados.

    “Saí com tudo esquematizado daqui, onde almoçaria, onde iria pernoitar, mas, acabei mudando o roteiro, porque descobri coisas interessantes pelo caminho, que mereciam ser registradas”, diz. Como todo fotógrafo, ele não quer perder um bom tema, um bom momento ou uma boa pose.

    Em julho, ele realizará a segunda fase da viagem. Partirá de Prados e seguirá até Diamantina, devendo passar por Congonhas, Ouro Preto e pela capital mineira (Belo Horizonte). “Vou continuar conhecendo um pouco mais a Estrada Real, por onde escoava boa parte das riquezas do nosso estado”, diz o fotógrafo-viajante.

    A arquitetura de cidades históricas, como São João Del Rei, evoca tempos de uma vida simples.
    A arquitetura de cidades históricas, como São João Del Rei, evoca tempos de uma vida simples.

    Na terceira etapa, ele partirá de Diamantina com destino a Januária, no norte do estado. Com isso, completará um total de 3.800 quilômetros. “Viajo sozinho, no meu carro. Prefiro passar por lugares que ainda são pouco conhecidos, mas que podem render boas imagens. Assim, percorro muitas estradas de terra, estradas secundárias. Nosso estado é muito bonito; tem cada lugar, onde as belezas naturais são de tirar o fôlego”, conta Diego.

    Em cada lugar que visita, ele busca cenas que retratem bem o cotidiano mineiro. “Às vezes, as pessoas ficam arredias, com vergonha, mas acabam aceitando participar do projeto. Como dizem: mineiro é desconfiado. Mas, há muitas pessoas que se deixam fotografar com mais facilidade, entram no clima”, relata Diego.

    Outros projetos

    Diego não descarta incluir outras etapas no Projeto Pelos Caminhos de Minas. “O Estado é muito grande, estou deixando de visitar muitas regiões que gostaria de conhecer e poder registrar a vida da sua gente, a sua cultura”, diz o fotógrafo, que pretende, na medida do possível, conseguir um jornalista para as duas próximas etapas da viagem, visando a parte escrita do trabalho. “O que eu registrar em imagens (fotos e filmes), ele poderá descrever em texto escrito”, diz..

    Diego Vasconcelos planejou a viagem em três etapas
    Diego Vasconcelos planejou a viagem em três etapas

    Outra ideia também é fazer algum trabalho social nas localidades por onde passar. “Quem sabe uma ofi cina de fotografi a ou a exibição de fi lmes nacionais”, diz. Posteriormente, ele pretende revisitar os lugares por onde passou e expor as fotos tiradas em cada um deles. “Um trabalho como este é de grande importância por ser um registro documental fotográfico não só para os municípios, mas também para o próprio povo”, avalia o fotógrafo, que já está montando um banco de imagens com o material coletado, que poderá servir para estudos e pesquisas. 

    Quanto ao livro, Diego pensa numa obra com 100 páginas. “Logicamente, que tentarei inserir o maior número de fotos no livro, pois esse é o objeto do meu trabalho”, diz o fotógrafo-viajante. O livro deverá trazer o material separado por temas: pessoas, arquitetura, gastronomia e folclore, por exemplo. “Mostrar um pouco de tudo o que temos de bom em Minas”, diz.

    Mas, o fotógrafo não descansa. Já planeja iniciar uma monografia de Passos ainda este ano. “A última foi feita pelo Márcio Maia (empresário passense) há cerca de 30 anos. Então, está na hora de pensarmos numa nova monografia da nossa cidade, que cresceu muito, está bem diferente daquela cidade registrada em 1984”, finaliza Diego Vasconcelos.

    José dos Reis Santos

    © 2019 Foco Magazine. Todos os direitos resevados.