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Nov/Dez 2019
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Saúde

Sarcopenia

  • Diogo Oliveira Toledo
  • O especialista em Terapia Nutricional Diogo Oliveira Toledo diz que a sarcopenia deveria ser tão conhecida quanto a osteoporose, porque caracteriza a perda de massa e força muscular.

    Sarcopenia é o nome que se dá à perda da massa muscular à medida que o corpo envelhece. O nome desse processo natural deriva do grego e significa “perda de carne”. Ao contrário do que muita gente pode pensar, essa perda não começa na terceira idade, mas muito antes. Segundo o médico Diogo Oliveira Toledo, especialista em Terapia Nutricional, aos 40 anos a pessoa já começa a perder massa e força muscular até atingir o estágio de gravidade. A sarcopenia também pode ocorrer de forma mais grave ainda por causa de doenças. Em qualquer situação, porém, sob orientação adequada, esse processo pode ser prevenido.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a sarcopenia afeta cerca de 15% das pessoas a partir dos 60 anos de idade. Após os 80 anos, esse percentual sobe para 46%. Um dado alarmante é que a sarcopenia aparece rapidamente, com maior gravidade e de difícil recuperação, em pessoas com baixo índice de massa e qualidade muscular em casos de doenças, como o câncer, infecções, inflamações e cirurgias de grande porte. Já no envelhecimento, ela aparece gradualmente, conforme indicam as estatísticas.

    O Dr. Diogo Toledo é de Passos e atua em São Paulo, onde é coordenador do Departamento de Terapia Nutricional do Hospital Albert Einstein. O médico é também coordenador clínico da equipe multiprofissional de Terapia Nutricional do Hospital São Luiz e, além de outras funções na área, preside a Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (Braspen).
    Conforme ele observa, a sarcopenia está para os músculos assim como a osteoporose está para os ossos. A diferença é que esta é bem divulgada e estimulada sua prevenção, enquanto que aquela é pouco conhecida, embora mereça as mesmas atenções.

    “A sarcopenia deveria ser tão conhecida quanto a osteoporose, porque é a redução da massa muscular acompanhada de perda de força”, alerta o médico. “A sarcopenia deixa a pessoa dez vezes mais suscetível a infecções. Com boa alimentação e atividade física adequada, a pessoa tem até menos resfriados, porque o músculo tem estreita relação com a imunidade”, afirma, acrescentando outros benefícios da musculatura saudável, como o menor risco de desenvolvimento de demências, mesmo as de origem genética.


    PERDA GRADUAL


    O processo que leva à perda gradual de massa e força muscular começa de forma praticamente imperceptível. A pessoa começa a apresentar diferença no andar, ao subir escadas, ao sentar, ao deitar. Isso ocorre porque a musculatura já não tem a força de antes, não sendo mais capaz de manter o equilíbrio e a postura do corpo. Com essas perdas de performance nas atividades cotidianas, os riscos de quedas, fraturas e até imobilizações são maiores.

    Segundo o Dr. Diogo Toledo, o diagnóstico de sarcopenia é feito a partir da avaliação da composição corporal do paciente, seguida pelo teste de força, que é medida por um manômetro. Uma dieta pobre em proteínas, o sedentarismo, tabagismo e estresse são alguns fatores prejudiciais à saúde muscular.


    POUPANÇA MUSCULAR

    Para ter uma boa qualidade de vida na velhice e não ser surpreendido pela sarcopenia quando mais jovem, o Dr. Diogo Toledo recomenda que a pessoa faça uma “poupança muscular”, que pode ser obtida com uma alimentação equilibrada e exercícios físicos de impacto para a musculatura. “Quanto mais você apostar numa poupança muscular, mais investimento será traduzido na longevidade e qualidade de vida”, afirma o doutor.

    “A perda de massa muscular é reversível e os pilares para a recuperação em todos os casos são alimentação adequada, quantidade de proteína e atividade física. Atividade física não só aeróbica, mas exercícios resistidos também, e proteína (suplemento proteico)”, explica o médico.

    O Dr. Diogo observa que tanto a ingestão de proteína quanto os exercícios físicos devem ser feitos mediante orientação profissional, de médico ou nutricionista, fisioterapeuta e educador físico. São esses profissionais que vão orientar o paciente quanto à quantidade certa de proteína e as atividades físicas que vão revitalizar a musculatura.

    No caso da proteína, ela está presente em diversos tipos de alimentos, como a carne, feijão, ervilha, lentilha, derivados do leite, mas não basta simplesmente comê-los todo dia. É preciso saber se aquela refeição irá garantir a quantidade mínima diária que aquela pessoa necessita.
    “Para os idosos, a refeição mais importante do dia é o almoço, com pelo menos 30 gramas de proteína, com refeição equilibrada e suplemento proteico, se necessário”, explica o médico, acrescentando que a musculatura não pode ser negligenciada, pois diversos músculos têm funções vitais no organismo, como a deglutição e a respiração. “Engana-se quem pensa que praticar musculação é só para estética”, disse.

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    PROTEÇÃO DO CÉREBRO

    Outro benefício dos exercícios físicos de impacto para a força muscular é a liberação de substâncias que vão ajudar o cérebro a se proteger das demências, que são o declínio das atividades cerebrais e que afeta a memória, o raciocínio, a sociabilidade, entre outras capacidades. O Dr. Diogo explica que durante os exercícios as substâncias liberadas pelos músculos se comunicam com outras áreas do organismo, como no cérebro, por exemplo, onde irão ajudar nas conexões dos neurônios.

    A prevenção contra a sarcopenia contribui até mesmo com o tratamento de doenças graves, como o câncer. Isso porque os pacientes com boa massa muscular aproveitam mais a medicação e sofrem menores efeitos colaterais e reações adversas advindos da quimioterapia.

    Por outro lado, a pessoa que tiver um baixo índice de massa muscular, quando acometida de alguma doença grave ou tiver que passar por uma grande cirurgia, irá sentir muito mais do que um paciente com musculatura saudável. De acordo com o Dr. Diogo Toledo, a sarcopenia aparece abruptamente nesses casos e é mais difícil de ser curada.

    Em todos os casos, a sarcopenia exige um esforço concentrado e interdisciplinar com médico, nutricionista, fisioterapeuta e educador físico na recuperação do paciente. O tratamento pode ser longo, obrigando a pessoa a mudar seu estilo de vida, que poderá, em casos mais graves, a ter que usar anabolizantes e até hormônios para aumentar sua massa e força muscular.

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    SINTOMAS DE SARCOPENIA

    • Dificuldade de realizar atividades do dia a dia, como subir escada, carregar compras, levantar e sentar.

    • Dificuldade de manter o equilíbrio ao caminhar em locais acidentados ou desnivelados.

    • Quedas frequentes – acontecem quando a perda muscular está avançada.


    PREVENÇÃO DA SARCOPENIA

    • Manter uma alimentação equilibrada (com alimentos ricos em proteínas), com orientação profissional.

    • Manter uma rotina de exercícios de resistência física (musculação).

     

    Enio Modesto

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