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Janeiro/Março 2020
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Saúde

A vida na TERCEIRA IDADE

  • Letícia Rodrigues Oliveira
  • Envelhecer é somar todas as experiências de vida, é o resultado de todas as escolhas e decisões que foram tomadas ao longo da vida. Cada ser humano é único, então, vivenciar o envelhecimento apresenta situações diferentes para cada tipo de pessoa.

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    Já é visível, há alguns anos, que a longevidade das pessoas está tendo um aumento gradativo. De acordo com o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população de idosos no Brasil subiu de 3,9% para 5,1% e constatou-se que a média de idade das mulheres brasileiras passou de 63,9 para 77 anos, enquanto a dos homens passou de 66,3 para 69,4 anos.
    Com o aumento dessa expectativa de vida, várias gerações irão viver simultaneamente: pais com filhos, avós com netos, bisavós com bisnetos. Serão diversos conhecimentos sendo repassados de geração para geração em um mesmo momento, o que é bastante enriquecedor, culturalmente dizendo.

    O idoso no Brasil é visto pela maioria da população como alguém frágil e que requer muitos cuidados, porém, a terceira idade tem ganhado cada vez mais independência. O fato é que a idade chega para todos, e com ela, novas dificuldades surgirão, mas é possível envelhecer com qualidade de vida.
    Em termos gerais, qualidade de vida na velhice está associada à vida ativa: busca por hábitos saudáveis, como atividade física, alimentação saudável e a manter a mente estimulada sempre. Outro fator importante à qualidade de vida na terceira idade são as relações sociais: isso significa contato com a família, amigos e colegas de trabalho.
    A família é a primeira rede de apoio que o idoso pode encontrar assistência às suas necessidades e dificuldades. Tendo em conta estes aspectos, a família representa um meio protegido, onde o idoso pode manter um papel ativo e importante, se os restantes membros da família estiverem despertos para estas situações.
    Quando considerado, o idoso é, não só uma referência em nível de conhecimentos e aconselhamento, mas uma pessoa que viveu mais e possui uma experiência de vida que deve ser valorizada, como também uma mais-valia na participação, nos cuidados e contato com as gerações mais novas. Ser uma avó/avô participante, no seio da família, representa uma fonte de gratificação para o idoso e um importante laço estruturante na educação dos mais novos. Para o idoso, tudo isso lhe garante certa segurança que talvez não teria se estivesse em outro contexto. 

    Para o idoso, a família é o principal objetivo e fonte de amor, carinho e companhia. O apoio familiar ofertado na forma de amor, afeição, cuidado e suporte social faz a pessoa idosa acreditar que é amada e estimada, e esta atitude pode causar efeitos positivos em sua saúde. A função da família é oferecer: proteção, afeto, intimidade e identidade social. O vínculo familiar tem consequências positivas na sua saúde, causando o bem-estar que se relaciona com a longevidade.
    É na fase do envelhecimento que acontecem as confusões mentais, a perda da funcionalidade, a perda do parceiro, entre outros. E é aí onde é importante observar a nutrição, a fisioterapia, a socialização, as atividades como: jogos, bordados, pinturas, aulas de dança, bingo, caça-palavras, leitura, dentre outras. Cuidar do ser como um todo (físico, mental, social, emocional).
    A socialização do idoso o mantém ativo, por isso a importância das atividades sociais e culturais que geram sentimentos positivos, para se evitar a depressão e a inutilidade do idoso. Isso faz com que a pessoa necessariamente se comunique com o próximo, estimulando a sua função cognitiva.
    Durante a socialização o idoso treina a capacidade de ouvir, de prestar atenção e de controlar a ansiedade.
     

    Irmãs Carvalho:  Talmirsis (90 anos), Marilena (88 anos)  e Juvenila (86 anos).
    Irmãs Carvalho: Talmirsis (90 anos), Marilena (88 anos) e Juvenila (86 anos).

    PSICOLOGIA PODE CONTRIBUIR PARA QUALIDADE DE VIDA DOS IDOSOS

    Além da base familiar e sociológica, os idosos têm recorrido à terapia, tendo eles seus 65, 70, 80 anos ou mais. Há um crescimento nos consultórios e é mais uma atividade de prazer para eles, a “psicoterapia”. O psicólogo é um clínico da alma, visita “universos diferentes” e para o idoso essa fase da vida descortina o processo em que várias questões se impõem, tais como a finitude, sentimentos intensos de tristeza, solidão, dependência, insatisfação, as limitações do corpo, com a percepção de perdas ou declínios em suas funções e mesmo o aparecimento de doenças; perdas de diferentes ordens, tais como: mudanças em seu lugar na sociedade, de produtivo e mais valorizado, para outro menos ativo e muitas vezes considerado de menor valor social.

    Como psicóloga, vejo o quanto o amor é importante e necessário, seja ele de que forma chega: o amor de mãe, de pai, de filho, de irmão, ao próximo, ao idoso. Todo ser humano (da criança ao idoso), que é amado, valorizado, tem tudo para ser mais feliz, desenvolver-se bem emocionalmente, mesmo com todas as dificuldades vividas. O crescimento emocional, da própria autoestima, caminha lado a lado com o amor de “ser”, de doar, de compartilhar e não do “ter”.
    A possibilidade de reconstruir sua própria história de vida, restaurando-a, permite ao idoso sentir-se vivo, sentir que sua história lhe pertence. O modo como o idoso puder lidar com o confronto de valores vivenciados, com as mudanças percebidas, influenciará a maneira como ele irá experimentar o envelhecimento, de uma forma mais positiva ou mais sofrida. Nesse sentido, a psicoterapia pode contribuir, possibilitando viver as transformações necessárias, com seus respectivos lutos, e possibilitando se recompor, conviver com essas mudanças psíquicas, físicas, sociais, abrindo-se para um desconhecido e novo ciclo da vida, ressignificando-o e se adotando a nova experiência conquistada. O fato é que, o envelhecer é para todos nós! E envelhecer cercado de respeito e amor, é o básico para atravessar a “terceira margem” do rio.

     

    por Letícia Rodrigues Oliveira
     

    Assista ao vídeo do depoimento de cada uma das irmãs sobre seus gostos e atividades.

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