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Informe Publicitário

Mulher Contemporânea X Reprodução Humana Assistida

  • Cynthia Machado
    Cynthia Machado

    Psicologia / Psicanálise
    Acompanhamento de adolescentes, adultos e casais em tratamento de infertilidade. Pesquisadora na área de Bioética e Reprodução Assistida.
    Contato: 35 3521-0100 | 99912-9388
    Rua Dr. Saturnino, 281 - Centro. Passos/MG

    A despeito da mulher contemporânea, que questiona seu desejo e, sobretudo, o machismo imperante, é que em pleno século XX, ainda da década de 1970, tivemos mulheres queimando sutiã em praça pública e iniciando um processo revolucionário e questionador acerca de suas posições social e cultural, se apropriando inclusive de escolhas sexuais.

    A mulher de hoje vive um momento de maior controle de si mesma, incluindo seus desejos, seu tempo, seus relacionamentos amorosos, além da escolha da maternidade e o momento em que a quer.

    Contudo, há de se ressaltar que o desejo de engravidar para muitas mulheres tem surgido num período que coincide com a diminuição acentuada de fecundidade, configurando-se, assim, uma dissociação biológico-social, pois a maternidade, de certa maneira, continua na dependência de sua idade biológica. Segundo Spinelli, Hattori e Souza*, também aos homens é considerado uma idade fértil.

    A condição da infertilidade, para muitas mulheres, se apresenta no momento em que a escolha profissional já se definiu, muitos sonhos já foram concretizados devido a estabilidade financeira e o companheiro se apresenta de forma mais ou menos definida. E, ao se depararem com essa situação, muitas angústias, questionamentos, dúvidas e inseguranças podem ocorrer.

    Ressalte-se que infertilidade é definida pela Federação Internacional da Ginecologia e Obstetrícia (Figo) como ausência de gestação por um período mínimo de dois anos, apesar da pratica regular de relação sexual.

    Aqui só nos atemos às mulheres, por objetivarmos refletir a condição da mulher contemporânea diante do diagnóstico de infertilidade. Mas não nos esqueçamos que esta questão também perpassa o universo masculino e que dificuldades muito particulares dos homens podem aparecer. Tais como, falar do assunto e procurar por um especialista para submeter-se a exames visando um diagnóstico mais efetivo e posterior tratamento. As fantasias em relação a virilidade fazem parte desta seara, o que ocasiona muita angústia e insegurança.

    Tal problemática pode trazer, para além da dimensão orgânica, sofrimento psíquico, podendo ser vivido por homens ou mulheres como um momento de crise, gerando desajustes pessoal e social.

    Para tanto, há de se ressaltar que o acompanhamento psicológico nestes casos é fundamental, pois muitas vezes sua função é fortalecer estes pacientes para então iniciarem o tratamento e, em outras, para que os sentimentos de medos, ansiedades, fantasias despertados pela infertilidade sejam trabalhados.

    Embora a independência, a autonomia e até mesmo resiliência sejam características valorizadas e muito cobradas nos dias atuais, não nós esqueçamos que sofremos, sentimos e  muitas vezes adoecemos com aquilo que não conseguimos elaborar e resolver internamente. Ser escutado nestas angústias ansiedades, “fantasias” e expectativas que se pode consequentemente, ter uma vida emocional saudável, em outras palavras, saúde e equilíbrio.

     

    *SPINELLI, Luísa H.P.; HATTORI, Wallisen T.; SOUSA, Maria B.C de. Por que mulheres não preferem homens muito mais velhos que elas? Uma hipótese baseada em alterações da fisiologia reprodutiva masculina relacionadas ao aumento da idade. Estudos de Psicologia, Natal v. 15, n. 1, p. 119-123, jan./apr. 2010. Disponível em:
    <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X2010000100016> Acesso em; 23 set. 2015.

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