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Educação

Quase sem sotaque

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    Tenho notado nessa fase de Brasil bicudo, mitigador de oportunidades e sonhos, que muitos pais elaboram estratégias sorrateiras para que seus filhos cheguem com maior facilidade a uma boa formação acadêmica. Buscam com isso, na vida cidadã e profissional, maiores possibilidades para seus descendentes.
     
    São cogitadas barganhas e espertezas de toda sorte que podem custar caro, como um tiro que sai pela culatra. “Como cotista, mesmo em uma escola fraca, você entrará mais fácil em uma grande faculdade, sem precisar estudar tanto como os alunos que não têm essa prerrogativa...”
     
    Este é um monumental equívoco, já que, mesmo entre os cotistas, a concorrência é acirradíssima e, ainda que se logre êxito no acesso à universidade, o curso superior – tácito e soberano – se encarregará de peneirar os que têm ou não condições reais de seguir adiante.
    O melhor caminho, sem sombra de dúvida, é o da busca pela plena capacitação, tanto na educação básica, como em experiências cognitivas paralelas, que possam agregar valor à formação de um estudante realmente completo, com habilidades e competências que lhe permitam disputar com boas chances de vitória os melhores resultados no vestibular e no mercado de trabalho.
    Não há, portanto, caminhos fáceis!
     
    Qualquer trajetória deve ser pautada por um foco claro, disciplina e dedicação, sem o que a própria competição da vida se encarregará de expurgar os menos dotados.
    Dia desses, visitando o Túlio, um ex-colega de faculdade, presenciei um telefonema do Pietro, filho do Túlio, informando que iria passar pela casa do pai por alguns momentos, pois deveria coordenar uma teleconferência via Skype com participantes internacionais.
     
    Impressionante!
    Eu que vi o Pietro nascer, assisti ao que definiria como o ápice da competência. O rapaz, hoje casado e pai de uma linda menininha, é o vice-presidente para a América Latina de uma importante multinacional de softwares e sistemas de automação. O inglês do Pietro é impecável, quase sem sotaque, e de uma fluência de dar inveja. Ouvi o rapaz replicar e liderar seus interlocutores da Índia, França e Estados Unidos com loquazes e consistentes argumentos.
     
    Sim, o Túlio sempre valorizou educação de qualidade e conduziu seu casal de filhos nessa direção. E o Pietro não chegaria onde está não fosse essa mentalidade meritocrática familiar sustentada por escolas de excelência. Ele cursou o Colégio OBJETIVO, em São Paulo, fez Engenharia na Mauá e depois suplementou sua formação com administração na GV...
    Acredito, como o Túlio, que este deva ser o caminho. E essa rota não tem atalhos; passa necessariamente pelos pés calejados e dedos feridos da bailarina que, depois de todas as dores e mazelas na interminável ribalta, brilha leve e elástica sobre sapatilhas de cetim...
     
    Parabéns àqueles pais que têm como valor familiar a valorização da educação de qualidade. Meus respeitos pela busca por escolas que não vendem ilusão, mas trabalham obstinadamente no sentido de desenhar na mente de cada educando o real sentido da vida e os melhores caminhos para se chegar lá.
     
    Depois de lastrear cada conduta da caminhada com empenho e abnegação, não me resta vislumbrar para um estudante outro final que não aquele idealizado por Fernando Pessoa nos versos de seu heterônimo Ricardo Reis:
    “Assim, em cada lago, a Lua toda brilha, porque alta vive.”
     
    por Prof. Ricardo Helou Doca

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