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Nov/Dez 2019
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Filosofia Budista

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    Buda viveu na Índia no séc. V e compartilhou sua filosofia não-teísta (sem o conceito de Deus) com os seres sencientes (que não possuem consciência que suas vidas são regidas pelo carma, pois nossas ações e escolhas podem ter consequências boas ou ruins, gerando sementes que, necessariamente, teremos que colher). Vejo Buda como um grande filósofo que nos dá orientações na arte do bem viver. Assim, compartilho alguns de seus ensinamentos que podem auxiliá-los em suas jornadas:

     
    Para ele é fundamental estudar e seguir as SEIS PARAMITAS (VIRTUDES) que são: 
     
    1 - Generosidade: compartilhar com o próximo seus bens materiais e imateriais.
    2 - Disciplina Ética: coibir o mal, praticar as virtudes, ter foco no que verdadeiramente importa.
    3 - Paciência: capacidade de manter a mente serena em qualquer situação.
    4 - Concentração: capacidade, via meditação, de esvaziar a mente e manter a atenção no Aqui-Agora, evitando a criação de problemas reais e/ou imaginários.
    5 - Esforço entusiástico: Aprender a fazer o que tem que ser feito com amor, dedicação...
    6 - Sabedoria: capacidade de discernir entre o certo e o errado e praticar o que é certo.
     
     
    Segundo ele a origem do sofrimento é a ignorância.Assim sendo, temos que estar atentos, estudar e praticar as “QUATRO NOBRES VERDADES”:
     
    1 - O sofrimento faz parte da vida.
    2 - O sofrimento é causado pelos desejos.
    3 - Compreender que nada é “eu ou meu”, superar o desejo e desapegar-se. 
    4 - Compreender que todas as coisas são inconstantes, instáveis, impermanentes... assim sendo, ter apego é inútil.
     
    É recomendável que todos procurem seguir “O NOBRE CAMINHO DO MEIO”:
     
    1 - Ser moderado, equilibrado, ter distanciamento e evitar o extremismo.
    2 - Praticar o meio termo e a ponderação entre as várias visões metafísicas e religiosas.
    3 - Compreender que todas as aparentes dualidades do mundo são ilusórias, aliás, tudo é ilusão.
     
     
    Para ele só alcançamos a libertação quando conseguimos percorrer de forma coerente o “caminho óctuplo”, que consiste em:
     
    1 - Ver a realidade como ela é, não como gostaríamos que ela fosse.
    2 - Praticar a renúncia, a aceitação...
    3 - Não prejudicar, jamais, o próximo.
    4 - Praticar a meditação e a concentração.
    5 - Falar de maneira verdadeira e gentil.
    6 - Sempre se esforçar para aprender, crescer, evoluir...
    7 - Ter consciência de quem se é (se autoconhecer).
    8 - Ter como meio de vida algo em que se possa seguir e ser coerente com os preceitos citados anteriormente.
     
     
    Como Cristo, Buda pregava o estudo e a prática da virtude e nos orientava a direcionar nossa vida segundo os preceitos do bem, do amor ao próximo, da renúncia, da aceitação... Para ele, ao escolher voluntariamente o bem, evitamos o mal e assim atuamos de forma positiva sobre o nosso carma e atingimos o nirvana (estágio de paz em que a pessoa já compreende como funciona sua mente e sua compulsão por pensar, complicar, apegar, desejar...) e assim, já estar apto a serenar a mente, ver a vida com clareza, fazer as escolhas certas e se reconciliar consigo mesmo, com sua essência, com a vida como ela é... e conseguir, finalmente, a paz.
     
    por Gizele Rabelo

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