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Nov/Dez 2019
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Mulher

2016: Ano estranho... Campos estranhos

  • Como trabalho com Astrologia chinesa, já estava consciente que o ano do macaco (2016) seria muito complexo, tumultuado e com mudanças inesperadas e bruscas. Porém devo confessar que o mesmo superou as minhas piores expectativas. E tudo que eu acreditava que jamais aconteceria... ACONTECEU.

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    É como se o nosso mundo e os valores que regem a política estivessem desmoronando diante dos nossos impotentes e perplexos olhos.

    Com a queda do muro de Berlim em 89, percebemos que o socialismo idealizado por Marx e Engels se mostrou, na prática, o oposto do que sonhávamos. E que ao invés de distribuição de renda, igualdade de classes, enfraquecimento do estado e fortalecimento dos trabalhadores... a bandeira do socialismo foi utilizada por ditadores que apesar de teoricamente “governar em nome dos trabalhadores”, exploravam ao máximo os operários e promoviam perseguição e extermínio dos dissidentes. Com o fim da guerra surgiu uma nova geopolítica mundial caracterizada pelo bipartidarismo e o neoliberalismo, nesse contexto vimos o sistema político de direito da União Europeia fortalecer e começamos, novamente, a sonhar com um mundo globalizado, sem fronteiras, sem muros... 
     
    Porém... em junho fomos surpreendidos com a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, em agosto o senado aprova o impeachment de Dilma e vimos a gangue do PT ser substituída pelos seus comparsas do PMDB, em novembro Donald Trump é eleito presidente dos E.U.A. e... em seguida percebemos o fortalecimento de figuras, com a mesma ideologia, na Europa como Nigel Farage (representante da sigla eurocêntrica britânica) e Marina Le Pen (da extrema e reacionária direita francesa).
     
    Tanto no Brexit, como nas eleições americanas houve uma disparidade entre pesquisas e urnas, como se o eleitor envergonhado de sua escolha não a admitisse publicamente. Segundo Rodrigo Nunes, em ambos os casos, um elemento essencial foi a revolta contra aquilo que “todo mundo pensa” e a insurgência do que “não se deve pensar” ou “do que não se diz na frente dos outros”. 
     
    Porém com o desenrolar do ano percebemos que, aos poucos, essas pessoas envergonhadas foram ficando cada vez mais fortalecidas e seguras de si. Percebemos tanto na América, como na Europa e no Brasil um enfraquecimento do politicamente correto, pois o mesmo impedia essas pessoas de expressarem as suas (terríveis) opiniões. E... começamos a notar um retrocesso nas conquistas que fizemos no fim do séc. XX e a ver legitimado os piores valores e um crescimento exponencial do etnocentrismo e todo o tipo de preconceito (xenofobia, machismo, homofobia, racismo...) que são exteriorizados sem nenhum constrangimento.
     
    No Brasil os políticos passaram a surfar na onda do politicamente incorreto e perderam completamente o bom senso e a vergonha. Foi o ano que a presidente Dilma caiu, que Bolsonaro homenageou um torturador e a ditadura afirmou que seria incapaz de amar um filho homossexual, e falou para uma deputada (Maria do Rosário) que não a estupraria porque ela não merecia... ano em que o Presidente da Câmara Eduardo Cunha foi preso, que os deputados transformaram o manifesto anticorrupção em um facilitador da corrupção, que vários ministros caíram, (e o único que não era político, Marcelo Calero, renunciou, pois não compactuou com o toma lá da cá do governo), que o Senador Renan, mesmo sendo réu, enfrentou o judiciário, que o STF, (que vinha, desde a ditadura sendo nosso porto seguro) abandonou a posição de pedra angular da vida nacional e absolveu Renan “em nome da governabilidade“, que o Congresso e a Câmara tentaram aprovar uma lei (abuso de autoridade) que ao invés de punir os políticos, pune o judiciário e inviabiliza a continuação da lava-jato, que a Odebrecht abriu sua caixa de pandora e mostrou a realidade dos bastidores dos vendidos de Brasília, que o presidente substituto Michel Temer (apelidado de pinguela pelo PSDB) balançou, que o PMDB não conseguiu estancar a sangria...
     
    O ano do galo (2017) vem para colocar ordem no “terreiro” e certamente será melhor que 2016, mesmo porque pior é impossível de ser. Feliz Ano Novo para todos, e que consigamos trasnformar a crise que passamos em oportunidade de crescimento.
     
    por Gizele Rabelo

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