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LIÇÕES DO VAZAMENTO DE PETRÓLEO NO GOLFO DO MÉXICO - ed. 63 - julho/2010

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    Na noite de 20 de abril de 2010, uma explosão na plataforma Deepwater Horizon, arrendada pela empresa British Petroleum (BP), matou 11 funcionários.

    Dois dias depois, a plataforma afundou a aproximadamente 80 quilômetros da costa da Louisiana, sul dos Estados Unidos. O petróleo começou a vazar da tubulação rompida a 1,5 quilômetro da superfície do mar, formando uma enorme mancha que chegou ao litoral americano. Desde então, o óleo vem prejudicando a fauna marinha, o turismo e a pesca na região.

    Pela sua extensão, este foi considerado o pior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos.

    Estimativas iniciais do governo e da empresa BP apontavam o derramamento de 5 mil barris de petróleo por dia, o equivalente a 800 mil litros. No dia 27 de maio, porém, devido ao alerta de cientistas, foi verificado um volume muito maior: de 12 a 25 mil barris diários. A quantidade acumulada é quase três vezes maior que o vazamento do navio petroleiro Exxon Valdez, ocorrido no Alasca em 24 de março de 1989, até então considerado o mais grave em águas norte-americanas.

    O desenho macabro e sinuoso da mancha de petróleo vazado no Golfo do México e que se espalha pela costa sul dos EUA conta uma história de avaliação subestimada do risco real da exploração em águas profundas e má governança desse risco.  O fato de 14 dias após a explosão da sonda o vazamento continuar sem controle, revela muito da análise de impacto que a BP fez da operação e do controle de qualidade do equipamento utilizado. Mas também mostra que não existe tecnologia adequada para lidar com esse tipo de vazamento. O desastre ocorre na maior e mais rica economia do mundo, no país mais avançando tecnologicamente e em um projeto de uma grande e avançada empresa. Ela pediu ajuda a suas concorrentes e as poucas sugestões que recebeu foram tópicas.

    Ninguém sabia como estancar o vazamento naquela profundidade em tempo de evitar um desastre dessas proporções. O custo ambiental será imenso. A limpeza não é limpa. É um mal menor apenas.

    Os dispersantes são tóxicos e terão também impacto negativo nos ambientes marítimo e costeiro afetados.

    Por fim, o acidente na costa dos Estados Unidos dá novo fôlego ao debate sobre energias alternativas.

    O petróleo, que hoje é a principal fonte de energia do mundo, é escasso, cada vez mais caro, cria políticas de guerra (como no Oriente Médio) e danos ao meio ambiente. Os Estados Unidos respondem por apenas 2% das reservas do planeta e a produção interna atende a um quinto do consumo doméstico. Para o gigante econômico, a solução se delineia, cada vez mais, num futuro em que o desenvolvimento do país seja menos movido pelo “ouro negro”.

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